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Fashion At Work: Tati Fanti

por Gabriela Bonomi

Tati Fanti trabalha no mercado de comunicação desde os 19 anos. Em 2012, a oportunidade de empreender na área de comunicação bateu à porta da bela que hoje tem 35 anos. Fundou a Tá Na Moda Comunicação, certa de que o que queria era trabalhar apenas com marca de moda. Mas estava enganada - apesar de amar moda, ama mais ainda boas histórias. Um ano e pouco depois a Tá Na Moda Comunicação virou Tatiana Fanti - Gestão da Imagem, uma empresa de relações públicas e assessoria de imprensa que cuidava da reputação de empresas e pessoas. Mas aí o bicho pegou. Com a crise de 2015 e 2016, Tati ficou mais reclusa e entrou em um processo de reflexão interna. O resultado disso foi o encerramento da empresa e o início do trabalho como autônoma. Até que Tati entendeu sua missão: trabalhar a comunicação de grandes mulheres. Mulheres que precisavam de mais espaço, de mais voz. Em uma tarde (e noite) ela deu vida à Prima Donna. O nome foi uma homenagem às origens italianas de sua família e é a expressão usada para designar a mulher mais importante em uma ópera. E é essa a ideia que quer para suas clientes: que elas sejam a Prima Donna de suas vidas e carreiras. Confiram a entrevista com a musa power: 

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"Nunca é fácil olhar para os outros e dizer: “não deu certo…errei”. A gente ainda tem mania de associar erro a fracasso, mas não. Errar é humano, faz parte do crescimento e ajuda no amadurecimento. Não conheço uma pessoa bem-sucedida em sua área que não tenha cometido um erro. No caso da empresa, especificamente, falhar significava mudar muita coisa… Demitir pessoas, conversar com clientes. Mas fiz do processo todo - fechar uma empresa antiga, parar, respirar e pensar no que eu realmente queria como empresária - algo terapêutico. Fechei minha antiga empresa no final de 2016 sabendo que seria um período de crescimento Eu precisava buscar a empresa certa para o que eu acreditava. A Prima Donna, diferente do meu caminho anterior, foi muito bem planejada."

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"O desafio é diario. Representar a marca de uma outra pessoa ou uma outra pessoa (trabalhamos com gestão da reputação de pessoas físicas também) é uma responsabilidade ENORME. Costumo brincar que os fundadores de uma empresa são os pais dela e nós somos os padrinhos. Carrego um pouco de cada cliente aonde quer que eu vá e isso é algo que encaro de maneira MUITO séria. Acho que esse é um dos maiores desafios. Entender que a sua pessoa física está intimamente ligada à sua pessoa jurídica. Mas adoro e levo numa boa. Sobre case que me fez perder noites de sono. Eu sofro de ansiedade, então qualquer coisa me faz perder o sono. Mas acho que algo que pode ser destacado foi quando tive uma reunião no CRM por conta de uma antiga cliente. Era apenas uma reunião, mas na minha cabeça ela perderia a licença médica por conta de uma matéria publicada em um veículo impresso. Passei a noite em claro preocupada, mas no fim foi ótimo e ela segue atendendo, rs."
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"É a melhor sensação do mundo. O trabalho da comunicação é mostrar histórias. Boas histórias. Poder mostrar e dar ainda mais voz para mulheres é algo extremamente recompensaste. Eu adoro fazer parte do processo todo de descobrimento de uma empreendedora. A Prima Donna nasceu do meu próprio empoderamento. Ela veio para me mostrar que eu poderia ser empresária (um título que sempre foi muito pesado pra mim, porque na verdade eu sou e sempre serei uma relações públicas) sem deixar de ser aquilo que sempre fui: RP. Poder fazer da minha profissão um instrumento para uma mulher que tem muito a contar, mas precisava de um direcionamento ou apenas uma “luz” é o que me faz acordar motivada todos os dias. Todos os dias eu acordo e quero ser uma pessoa melhor. Por mim, por minha filha, claro, mas também por cada uma de nossas clientes. Eu acredito nelas. Eu preciso acreditar, aliás, porque é a minha empresa que ajuda a empoderar ainda mais nossas clientes. Mas quer saber um segredo? No fundo a gente não empodera ninguém. Elas todas são fortes, empoderadas. Algumas apenas não tinham noção disso e a gente deu um empurrãozinho, rs."
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"Eu tenho uma listinha guardada dos olhos do mundo de “clientes dos sonhos”. Fiz essa lista no dia que a Prima Donna nasceu, em julho de 2017. É uma lista bem audaciosa, porque escrevi neste papel nomes de mulheres que eu admiro, mulheres com quem eu gostaria de trabalhar lado a lado. Meu sonho é ter um “check” ao lado do nome de, pelo menos, parte dessa lista. O primeiro conseguimos há dois meses, mais ou menos, com Danielle Dahoui, chef e sócia dos Ruella e a única mulher no mundo a apresentar o Hell’s Kitchen. Foi uma felicidade enorme quando fechamos a parceria e espero que, assim como com ela, outras da minha lista sejam clientes Prima Donna. Agora, sendo mais realista - meu sonho é que a Prima Donna cresça, se fortaleça e vire referência como agência de comunicação e reputação com atendimento exclusivo para mulheres empreendedoras. Quero ser referência para mulheres que queriam trabalhar a sua imagem. Mulheres e empresas geridas ou fundadas por ela. Quero que a Prima Donna seja conhecida por esse trabalho com mulheres e mais do que isso, quero que nossas clientes sejam referência para outras mulheres em suas áreas de atuação."
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"Vou contar um segredo: lembra quando eu disse que antes de ser empresária, eu sou relações públicas? Pois é… Esse é meu defeito como empreendedora. Eu penso sempre no cliente e quando vejo, as ações da Prima Donna estão em segundo lugar. Preciso melhorar isso em mim, entender que a Prima Donna é uma cliente da Prima Donna também (rs). Mas posso dizer que está em meus planos fazer um evento bacana de networking para nossas clientes. É algo que estão me pedindo bastante."

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"A melhor parte é a autonomia. Não precisar ficar preocupada se serei demitida por faltar dois ou três dias ao trabalho porque minha filha está doente. Eu não deixo de trabalhar quando minha filha adoece, mas hoje tenho liberdade de trabalhar da minha casa para cuidar dela enquanto trabalho. Essa é a melhor parte. A pior é lidar com a parte burocrática de se ter uma empresa. Eu fui “jogada” no mundo do empreendedorismo e precisei aprender muita coisa na marra. Ainda bato cabeça com burocracia - confesso que detesto - mas preciso fazer. Nem tudo são flores, né?!"

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"Madu em primeiro lugar. Filho é sempre algo que te empurra pra frente porque não existe “não dar certo” quando você precisa alimentar, vestir e dar teto para alguém. Eu sou mãe solo da Madu desde os 8 meses de nascida dela. Não existe na minha vida o “dar errado e tudo bem”. O “dar errado” precisa ser acompanhado de um “e agora” com muita ação pra dar a volta por cima, porque sou alguém que sustenta sozinha uma criança de 10 anos. Então minha filha é a minha maior inspiração até para que ela cresça vendo uma mãe que batalha, se dedica, que corre atrás das coisas. Agora mulheres que me inspiraram a criar a Prima Donna e me inspiram até hoje? Sheryl Sandberg (a COO do Facebook), Rachel Maia (que até pouco tempo era CEO da Pandora no Brasil), Ana Paula Padrão e Paola Carosella são mulheres que eu adoraria sentar para uma conversa de horas e horas e horas. Sou fã mesmo."
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"Tenham coragem. Não desistam porque dizem que você não pode ou não vai dar certo. Ouça sua intuição. Siga seus instintos. Estude. Se prepare. Entenda o mercado em que você atuará. Busque ser diferente em seu mercado. Você pode até ser mais uma empresa que faz brigadeiros gourmet, mas pense no que será o SEU diferencial. E o conselho de ouro: trate o seu cliente como você gostaria de ser tratada." 

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"A mulher ainda não é levada a sério em algumas ocasiões. Recentemente fui a uma reunião com uma cliente e um fornecedor de marketing digital dela. Discordei de uma opinião dele, expus a minha e ouvi: “Não concordo. Não sei de onde você veio, mas eu estudei pra falar o que acho e posso te ensinar algumas coisas”. Na hora eu revidei dizendo que também havia estudado, mas que não era um diploma que faria diferença naquela conversa. Foi a primeira vez em quase 20 anos de carreira que me senti verdadeiramente desrespeitada. Acho que o mais difícil para a mulher no mercado é ser ouvida. Por isso quis a Prima Donna, para dar mais voz às mulheres no mundo corporativo."
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"Ver a alegria de uma cliente com um resultado, especialmente as pequenas empreendedoras. Dia desses recebi uma mensagem de uma delas dizendo que antes da Prima Donna ela estava disposta a encerrar o negócio, mas hoje se sente mais confiante e em crescimento. Isso é o que me motiva. Cada vez que uma cliente me manda uma mensagem de agradecimento eu vejo que cada correria, cada hora perdida de um momento em casa VALE A PENA!!!"

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"Madu é a nossa mini RP. Ela me acompanha em muita coisa e veste a camisa. Monta gift de cliente, entrega presskit e sabe de cor a lista de clientes da Prima Donna. Ela já participou de reuniões e, pasme, deu opiniões que fizeram a gente repensar em estratégias de comunicação. É uma grande companheira. Claro que não são flores sempre e já precisei fazer escolhas duras. Já deixei de ir em uma festa de dia das mães na escola porque uma cliente tinha um evento na mesma hora. Chorei depois, em casa, mas fui ao trabalho, expliquei a ela que não estaria na festa e cumpri minha obrigação. É clichê,mas é verdade. A vida é um eterno equilibrar de pratos e muitas vezes o pratinho da Madu precisava ser deixado de lado pela carreira. Ela entende, mas sei que muitas vezes sentiu falta de uma mãe mais presente. Hoje, com 10 anos, ela entende melhor, mas ela vive essa realidade desde sempre."
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"Eu parei as aulas de patinação. Na verdade comecei por causa da Vanessa Rozan, que é sócia do mesmo clube que eu e viu a Madu em um ensaio. Fomos as duas empolgadas fazer aula. Ela seguiu, eu não. Fiquei com medo de me quebrar inteira e não conseguir trabalhar (sou uma workaholic assumida, eu sei….). Mas Madu segue fazendo show de patinação, inclusive. Dividir o tempo de “Tati mãe” e “Tati profissional” é meio complicado, mas estou aprendendo a equilibrar. Hoje não marco mais reuniões depois das 18h, a não ser em casos de extrema necessidade. Quero estar em casa à noite para ficar mais com ela e com as cachorras que temos. Eu me coloquei essa regra justamente para ter tempo à noite para ela. Temos também nossos momentos “só nossos”: fazemos a unha juntas, brincamos de cabeleireira (ela sempre arruma meu cabelo e dependendo do dia, enquanto ela brinca, estou no computador aproveitando pra resolver alguma coisa), fazemos passeios que ela gosta. Saber dividir o tempo pra mim foi um mega aprendizado porque eu sempre fui muito de viver para o trabalho e precisei me moldar quando me tornei mãe. A mãe e a profissional são a mesma pessoa, então é extremamente difícil pra mim saber dividir esses papeis… acho que pra mim será um eterno aprendizado."
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"Ser mãe é pra quem realmente quer. Não é uma tarefa fácil, especialmente se você não tem certeza se é isso o que deseja. Eu sempre quis ser mãe e a Madu veio de surpresa, num relacionamento novo e que não deu certo. Precisei me moldar, me adaptar e em momento nenhum o fator maternidade prejudicou a minha vida profissional. Se você quer ser mãe, mas tem medo da sua carreira parar ou de você sofrer preconceito por ser mãe, deixe o medo de lado. Seja mãe. Meu pai me ensinou a melhor das lições: viemos nesta vida pra sermos felizes. Uma pessoa que deseja passar pela maternidade e não passa por medo do que pode acontecer com o trabalho certamente não será completa. Não deixe de realizar um sonho por medo do lado profissional. Acho que cada vez mais as mulheres estão colocando a boca no trombone e falando sobre suas vontades e se impondo. Se cada uma fizer um pouco, conseguimos um mercado de trabalho mais justo e, com isso, esse medo será extinto. Não deixe o medo tomar conta de você. Siga seus sonhos, sempre. Este é meu melhor conselho."

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