A Casa do Dragão: por que você deveria prestar mais atenção em Olivia Cooke

por Izabela Suzuki

Alicent Hightower (A Casa do Dragão) para alguns e Art3mis (Jogador Nº 1) para outros. Ou pode até ser que você a conheça de Bates Motel — não importa qual seja o seu caso, porque, no fim das contas, estamos falando da mesma pessoa: Olivia Cooke.

Nascida em 1993, em Oldham, na Grande Manchester, a atriz que deu vida à principal rival de Rhaenyra Targaryenn (Emma D’Arcy) construiu uma carreira muito antes de conquistar Westeros. Entre produções distópicas, thrillers psicológicos e terrores de tirar o fôlego, Olivia se consolidou como um daqueles nomes que talvez você já tenha visto diversas vezes na tela, mas ainda não conheça de verdade.

E, ao contrário de alguns atores que já nascem dentro da área artística (nossos queridos nepobabies), Olivia veio de um background bastante comum. Ela começou a atuar aos 8 anos, participando de oficinas do Oldham Theatre Workshop, uma tradicional escola de teatro da sua região. Antes de se dedicar integralmente à atuação, praticava balé e ginástica, mas acabou deixando os estudos formais de teatro para aceitar seus primeiros trabalhos na televisão britânica. Foi ali que começou a trajetória de uma atriz que, anos depois, se tornaria uma das queridinhas da crítica e do público.

Olivia Cooke (Photo by Neil Mockford/GC Images)

Apesar de ter começado a atuar ainda na infância, a estreia profissional de Olivia Cooke aconteceu já na adolescência. Seus primeiros trabalhos vieram em produções da televisão britânica, como The Secret of Crickley Hall (2012), da BBC, onde começou a chamar a atenção da indústria por sua atuação natural e pela facilidade em interpretar personagens emocionalmente complexas.

Pouco tempo depois, sua carreira atravessou o Atlântico. Em 2013, Olivia foi escalada para viver Emma Decody em Bates Motel, série inspirada no clássico Psicose (1960). Ao longo de cinco temporadas, a atriz acompanhou o amadurecimento da personagem enquanto dividia a tela com Freddie Highmore e Vera Farmiga, em uma produção que se tornou um dos thrillers psicológicos mais elogiados da década.

Olivia Cooke (Photo by Jacopo Raule/Getty Images)

Enquanto construía seu nome na televisão, Olivia também começou a transitar pelo cinema. Em Me and Earl and the Dying Girl (2015), interpretou Rachel, uma adolescente diagnosticada com leucemia. Para o papel, raspou completamente a cabeça e entregou uma atuação que emocionou a crítica durante o Festival de Sundance, onde o longa saiu vencedor do Grande Prêmio do Júri e do Prêmio do Público.

A partir dali, Olivia passou a alternar projetos de diferentes escalas. Dividiu cena com Anya Taylor-Joy em Thoroughbreds (2017), estrelou o blockbuster Jogador Nº 1 (2018), dirigido por Steven Spielberg, e integrou o elenco de Sound of Metal (2019).

Olivia Cooke attends the “House Of The Dragon” Series 3 World Premiere (Photo by Jeff Spicer/Getty Images)

Embora já tivesse uma carreira consolidada, foi em 2022 que Olivia Cooke passou a ser reconhecida por um público ainda maior. Escalada para interpretar a versão adulta de Alicent Hightower em A Casa do Dragão, a atriz assumiu uma das personagens mais importantes do universo de George R. R. Martin.

Muito além da figura de antagonista, Alicent é construída como uma mulher atravessada por deveres políticos, conflitos familiares e escolhas difíceis. E foi justamente toda essa complexidade que fez a interpretação de Olivia conquistar tantos elogios da crítica e dos fãs, transformando a personagem em uma das mais debatidas da série.

Olivia Cooke seen in Midtown on June 18, 2026 in New York City. (Photo by Aeon/GC Images)

Existe um padrão curioso na filmografia de Olivia Cooke: dificilmente ela escolhe personagens previsíveis. Em vez das heroínas perfeitas, a atriz parece gravitar em torno de mulheres contraditórias, vulneráveis e moralmente ambíguas — sejam elas uma adolescente problemática, uma gamer destemida ou uma rainha dividida entre o dever e os próprios conflitos.

E essa recorrência não é mera coincidência. Em entrevista ao Who What Wear, Olivia contou que costuma ser atraída por personagens complexas porque elas acabam dialogando, de alguma forma, com momentos da sua própria vida. “Muitas vezes depende da história”, explicou a atriz. “Mas suponho que as personagens que acabo interpretando refletem uma parte do que está acontecendo ou aconteceu na minha própria vida que precisa de algum tipo de exorcismo.” Ela ainda completa que cada novo papel acaba sendo também um processo de autoconhecimento: “Acabo aprendendo muito sobre mim mesma quando assumo um papel.”

Olivia Cooke seen arriving to ‘The Tonight Show Starring Jimmy Fallon’ in Midtown on June 17, 2026 in New York City. (Photo by Aeon/GC Images)

Já no que diz respeito ao seu estilo (claro, porque essa análise não poderia faltar por aqui), a atriz mantém uma estética mais contida, mas isso está longe de significar que suas produções sejam sem graça. Muito pelo contrário. Mesmo sem apostar no method dressing ou sentir a necessidade de reunir cinco tendências em um único look, Olivia prova que impacto visual também pode vir da construção de uma silhueta bem pensada.

Olivia Cooke is seen in Midtown on June 04, 2024 in New York City. (Photo by Gotham/GC Images)

Fã de alfaiataria, ela costuma brincar com drapeados, recortes estratégicos e modelagens arquitetônicas. Também demonstra uma preferência clara por peças de caimento amplo, tanto em calças quanto em saias, equilibrando volumes de maneira sofisticada e contemporânea.

O mais interessante, no entanto, é que seus looks quase sempre escondem um elemento inesperado. Uma lapela oversized, mangas propositalmente alongadas, um decote assimétrico ou um detalhe de construção que foge do óbvio fazem com que até as produções mais minimalistas ganhem personalidade. É um estilo que chama atenção sem recorrer ao excesso.

Olivia Cooke attends the “HBO Max UK and Ireland” launch party at Queen Elizabeth Hall on March 25, 2026 in London, England. (Photo by Mike Marsland/WireImage)

Bom, se até agora você conhecia apenas a Alicent Hightower, fica aqui o convite: vale a pena explorar a filmografia da atriz britânica e descobrir por que ela é um dos nomes mais interessantes da sua geração.