Afinamento capilar na menopausa: por que os fios mudam tanto nessa fase?

por The Look Stealers

Se você começou a perceber o cabelo mais ralo, sem volume e até com a risca mais aberta depois dos 40 anos, saiba que isso não está “na sua cabeça”. A menopausa realmente pode impactar a saúde capilar e a ciência já entende bem a relação entre hormônios e afinamento dos fios.

Segundo uma revisão publicada na revista científica Maturitas, as mudanças hormonais da menopausa alteram diretamente o ciclo de crescimento capilar e podem favorecer tanto a queda acentuada quanto a alopecia de padrão feminino.

E a queda não é a única queixa. Muitas mulheres percebem que o cabelo muda completamente de textura: os fios ficam mais finos, frágeis, quebradiços e com menos densidade. Para entender melhor sobre o assunto, conversamos com a Dra. Luciana Passoni, médica referência em ciências capilares, e te contamos mais abaixo o que você precisa saber sobre o afinamento capilar na menopausa.

Foto: @paulinaporizkov (Reprodução/Pinterest)

De acordo com a Dra. Luciana, os hormônios femininos têm um papel importante na regeneração e manutenção dos folículos pilosos.

“Os folículos pilosos têm receptores benéficos aos hormônios femininos. Eles ajudam na regeneração, na densidade dos fios e no controle da queda. Quando faltam esses hormônios, com a baixa que existe durante a menopausa, os folículos acabam se conectando à testosterona e ao DHT, o que pode levar ao afinamento, queda e miniaturização dos fios”, explica.

Essa relação entre estrogênio, testosterona e DHT já foi observada em estudos científicos sobre saúde capilar feminina. Pesquisas mostram que o folículo piloso é altamente sensível às alterações hormonais e que a queda do estrogênio pode favorecer a ação dos andrógenos nos fios.

Além disso, cientistas também investigam a hipótese de que não necessariamente o excesso de andrógenos seja o problema central, mas sim a redução da proporção entre estrogênio e testosterona no organismo feminino.

Segundo Dra. Luciana, sim — embora a intensidade varie bastante. “A menopausa consiste em uma queda hormonal, então isso impacta diretamente os fios. O que muda é a intensidade dessas alterações de corpo para corpo.”

Essas mudanças podem começar ainda na perimenopausa, fase que antecede oficialmente a menopausa e costuma aparecer por volta dos 45 anos.

Inclusive, estudos apontam que essa transição hormonal pode começar até 10 anos antes da menopausa propriamente dita.

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Apesar da queda hormonal ser um fator importante, ela não costuma agir sozinha. Deficiência de ferro, vitamina D, alterações na tireoide, estresse e até mudanças nutricionais também podem piorar o afinamento capilar.

“O equilíbrio nutricional é tão importante quanto o hormonal quando falamos de cabelos. Níveis baixos de ferro e vitamina D estão super associados ao eflúvio telógeno, uma queda difusa onde o cabelo fica com aparência rala e pode até levar à alopecia”, explica a especialista.

A associação entre deficiência nutricional e queda capilar também aparece em revisões recentes sobre menopausa e saúde dos fios.

(Reprodução/Pinterest)

A boa notícia: sim. Segundo Dra. Luciana, é possível recuperar densidade, controlar a queda e fortalecer os folículos mesmo sem necessariamente recorrer à terapia hormonal. “Nosso objetivo é fazer uma blindagem nesse folículo piloso e regenerá-lo”, conta Luciana.

Hoje, uma das apostas da medicina capilar está nas terapias regenerativas, como exossomos, lasers não ablativos e iontoforese — técnica que utiliza ondas eletromagnéticas para melhorar a adesão do fio ao folículo. “É importante tratarmos esse couro cabeludo como pele, focando na sua saúde, estimulando colágeno e ancoragem dos folículos.”

A literatura científica recente também aponta terapias como laser de baixa potência, minoxidil e protocolos regenerativos como alternativas promissoras para mulheres na pós-menopausa.

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Os cuidados em casa também fazem diferença

Embora shampoos não resolvam sozinhos um quadro hormonal, alguns ativos podem ajudar na aparência, força e resistência dos fios.

“No dia a dia, recomendo um cronograma focado na reconstrução. Gosto de produtos com peptídeos, que ajudam a repor a estrutura do fio para fortalecer a fibra, auxiliando na densidade e contra quebra”, indica Dra. Luciana.

Ela também recomenda o uso de reparadores de pontas para manter hidratação, brilho e reduzir frizz — especialmente porque o cabelo tende a ficar mais seco durante a menopausa.

No fim, uma das coisas mais importantes seja entender que essas mudanças são extremamente comuns, e que perceber o cabelo diferente nessa fase não significa necessariamente um “dano irreversível”. O afinamento capilar na menopausa existe, tem explicação biológica e, principalmente, pode ser tratado.