Amou o figurino de Frankenstein? Então você vai gostar dessas curiosidades

por Izabela Suzuki

Se você assistiu à mais nova obra adaptada do diretor mexicano Guillermo del Toro, Frankenstein (2025), então deve ter reparado não só no jogo de luzes contrastantes e na atuação impecável dos atores principais — Jacob Elordi, Oscar Isaac e Mia Goth — mas também no figurino deslumbrante que toma conta da tela. Elaborado por Kate Hawley, que já havia colaborado anteriormente com del Toro em A Colina Escarlate (2015), o filme é um verdadeiro dossiê de crinolinas, véus e joias que tiram o fôlego em todas as cenas.

Em uma adaptação mais trágica do que puramente de terror, o filme impacta em muitos momentos — mas o nosso foco hoje é o figurino de Frankenstein, cara leitora. Abaixo, te contamos algumas curiosidades que descobrimos ao longo das últimas semanas, caso você, assim como eu, também tenha se apaixonado pela história, fotografia e moda por trás dessa produção fantástica da Netflix. Continue lendo mais abaixo.

Figurino de Frankenstein com vestido vitoriano em tecido brocado preto e vermelho, chapéu de abas largas e luvas rendadas,
Foto: Mia Goth como Elizabeth (Reprodução/Ken Woroner/Netflix)


curiosidades sobre o figurino de frankenstein

Vale começar pelo quanto Kate Hawley mergulhou em simbolismos e cor. Em entrevista à Harper’s Bazaar, ela revelou que rejeitou os clichês vitorianos monocromáticos: ao invés disso, pintou o guarda-roupa com tons saturados e vibrantes para refletir a melancolia, a natureza e a modernidade da narrativa. 

E, segundo contou à Variety, esse universo visual dialoga diretamente com o período histórico da trama — o filme se passa durante a Guerra da Crimeia, nos anos 1850, e del Toro foi “muito claro ao dizer que queria que este mundo fosse maior e mais grandioso do que o normal”. Victor Frankenstein, por exemplo, vem da aristocracia e, quando o público o vê pela primeira vez apresentando sua invenção em um teatro, Hawley quis mostrar isso visualmente: ele veste um veludo grosso, imponente, porém gasto. “Os veludos são velhos e usados. Conta-se a história de alguém que já teve dinheiro, mas ainda guarda essas peças lindíssimas”, explicou.

Além disso, Hawley explicou para a W Magazine que a construção das roupas da Criatura (Jacob Elordi) foi feita para espelhar sua jornada emocional. A primeira vestimenta dele vem de um homem morto — quase como se fosse uma memória viva. Conforme ele “ganha” roupas, cada peça sugere uma camada de transformação física e psicológica.

Homem sentado com expressão sombria veste roupão verde acetinado e calça xadrez vermelha, figurino de Frankenstein em
Foto: Oscar Isaac como Victor Frankeinstein (Reprodução/Ken Woroner/Netflix)

Também rolaram muitas referências artísticas. Kate explicou para o Phantasmag que Victor Frankenstein foi desenhado como um artista atormentado: um tipo entre Picasso, Francis Bacon e até um rockstar. Essa pegada dramática aparece nas suas camisas abertas, nos casacos de veludo e em peças com inspiração performática. E falando em brilho, a colaboração com a Tiffany & Co. não é só para embelezar: segundo a Tiffany, foram usadas peças de seus arquivos históricos para criar joias que ajudam a contar a história dos personagens — são colares, broches, um relógio de bolso e até objetos em prata.

Para a personagem Elizabeth (Mia Goth), Hawley buscou desenhos microscópicos: os tecidos em seus casacos remetem a “células sanguíneas, anatomia, asas de besouro” e padrões fractais inspirados no vidro Favrile da Tiffany — principalmente no que diz respeito a seu vestido de noiva. Isso dá a ela uma aura etérea — quase como se ela fosse parte da própria natureza. E a designer brincou que, nos bastidores, parecia ter acesso ao sonho de toda garota nostalgia de conto de fadas — os arquivos da Tiffany.

E foi também para Elizabeth que Hawley criou um dos figurinos mais marcantes do filme: o vestido azul inspirado na forma de um raio-X. “Desenvolvemos um raio-X como estampa que remete ao damasco vitoriano, mas totalmente integrado ao universo anatômico que usamos em padrões e texturas”, contou. A construção levou meses, principalmente porque ele aparece em uma cena noturna e precisava manter a saturação profunda de azul que del Toro queria. Segundo Hawley, o vestido representa a fragilidade e a natureza efêmera da personagem — e, detalhe: havia pelo menos 60 metros de tecido só na saia.

Figurino de Frankenstein com capuz texturizado, máscara preta e casaco de pele escura, criando clima sombrio e misterioso.
Foto: Jacob Elordi como Frankenstein (Reprodução/Ken Woroner/Netflix)

Por fim, para a Criatura, Hawley foi ainda mais poética. Em entrevistas, ela contou que todo o figurino dele acompanha sua evolução emocional. Quando ele desperta após a explosão no laboratório, um dos primeiros itens que encontra é o casaco retirado do cemitério de um soldado da Guerra da Crimeia — uma peça que já traz consigo a memória de outro corpo. Hawley descreve que, naquele momento, o público o vê quase como “uma criança nua por baixo”, e por isso ela começou a construção do figurino de dentro para fora, ecoando o trabalho do artista de próteses Mike Hill.

“Meu trabalho era reproduzir isso e manter o valor da Criatura transparecendo através das roupas. Quando ele tira o casaco do esqueleto, a marca do outro homem ainda está ali.” Para Hawley, essa imagem — de uma criatura composta de vários corpos e vestindo as marcas literais de outra vida — seria um dos temas centrais da narrativa visual. À medida que ele viaja, sente calor, afeto e rejeição, suas roupas também passam por essa metamorfose.

No fim, o figurino de Frankenstein não funciona como ornamento: cada tecido, cada desgaste, cada cor e cada acessório carrega um pedaço da história emocional dos personagens. Hawley focou em criar camadas narrativas — e talvez por isso o filme cause tanto impacto visual.