Analisamos o estilo das principais personagens de O Diabo Veste Prada 2

por Beta Weber

Sem dúvidas, o filme de moda mais esperado dos últimos anos, O Diabo Veste Prada 2 finalmente chegou aos cinemas e é claro que a gente foi correndo assistir e analisar todos os looks. A seguir, contamos tudo o que você precisa saber sobre o estilo das principais personagens.

Assinado por Molly Rogers, que trabalhou por anos ao lado de Patricia Field, figurinista do primeiro longa, o novo filme dialoga com as composições originais, mas com uma leitura contemporânea. Tem nostalgia, mas não cai na armadilha de só olhar para o passado. Duas décadas depois, muita coisa mudou na vida das personagens e, lógico, isso também se reflete no estilo de cada uma. Em comum, o peso da alfaiataria no figurino: todas as personagens são adeptas de versões de tailleurs, blazers e camisaria, apresentando interpretações diferentes de power dressing.

o estilo das personagens de O Diabo Veste Prada 2

Miranda (Meryl Streep)

A editora-chefe da Runway sabe exatamente quem é e sua confiança e autoridade transparecem nas escolhas de estilo. Miranda comunica todo o poder acumulado em silhuetas limpas e ombros marcados, optando por uma ou outra peça-chave em momentos pontuais.

Os casacos alongados são favoritos e Miranda surge com algumas versões diferentes de trench coat, valorizando itens atemporais, mas com toques de personalidade.

O Diabo Veste Prada 2: mulher posa ereta com blazer de paetês preto e lenço metalizado, em clima noturno sofisticado.

Foto: O Diabo Veste Prada 2 (Divulgação)

Texturas são ferramentas constantes para elevar as produções e impedir que o resultado fique chato. Entre os destaques, a jaqueta Dries Van Noten todinha de tassels e até um momento couture a bordo de um Armani Privé de paetês.

O Diabo Veste Prada 2: atriz posa em vestido vermelho volumoso e homem de smoking preto, clima elegante e afetuoso

Foto: Meryl Streep (Divulgação)

Aliás, superfícies cintilantes, que remetem ao luxo da indústria e ao seu cargo, aparecem bastante, porém sempre com refinamento: em camisas de seda, casacos de acabamento especial e nos acessórios.

Os neutros imperam, mas com exceções como o look de gala Balenciaga, que só poderia ser em vermelho.

O Diabo Veste Prada 2: dupla senta elegante com alfaiataria cinza e trench vinil nude, clima sofisticado.

Foto: Meryl Streep (Divulgação)

Estampas têm, sim, espaço, mas de maneira controlada e, quando misturadas, mantêm harmonia através de cartelas de cores similares, sem muita misturança ou até em forma de conjuntinhos, coordenando camisa com bolsa ou clutch de onça com cinto de onça.

O Diabo Veste Prada 2: atriz posa sorrindo com colete e calça risca de giz pretos, pérolas e botas em cenário minimalista.

Foto: Andy Sachs (Divulgação)

Andy (Anne Hathaway)

Andy, agora uma jornalista respeitada, usa a alfaiataria como marca registrada. Molly Rogers citou o figurino de Diane Keaton em Annie Hall como referência em diversas entrevistas, trazendo elementos do guarda-roupa masculino e uma dose de excentricidade. Na prática, gravatas, coletes, suspensórios estilizados e estampas clássicas desse universo, como risca de giz, listras e xadrez, tomam conta.

O Diabo Veste Prada 2: casal caminha elegante; vestido azul metalizado drapeado e terno azul-marinho criam clima sofisticado.

Foto: Andy Sachs (Aeon/Getty Images)

Nas ocasiões mais arrumadas, brilhos são o ponto em comum e é também ali que ela se aventura mais em looks que fogem do comum, podendo ser nos shapes ou nas cores.

O diabo veste prada 2

Foto: Anne Hathaway (MEGA/Getty Images)

A personagem passou vinte anos longe da moda e suas roupas refletem alguém que não tem um olhar tão desenvolvido, mas dá para perceber que ela está tentando (mesmo que nem sempre funcione).

Andy tem alguns itens recorrentes que ancoram suas composições e refletem sua personalidade, como as bolsas do tipo carteiro ou satchel, mais funcionais. O colar de pérolas, que demonstra sua predileção por clássicos, e o jeans de corte reto com a barra dobrada. Inclusive, as repetições ajudam a deixar a personagem mais realista.

O famoso suéter em azul cerúleo não fica de fora, mas é transformado em colete e usado em vibe mais casual em uma das últimas cenas do longa.

Detalhes femininos suavizam a forte influência masculina das produções. Podem reparar, sempre há alguma coisa que quebra a seriedade. Vale decote nas costas, cintura marcada ou transparências.

Emily (Emily Blunt)

Agora executiva da Dior, a ruiva não deixa ninguém esquecer onde trabalha, surgindo várias vezes com logos da maison nas roupas, com zero sutileza.

O Diabo Veste Prada 2: mulher posa ao lado do carro com corset risca de giz, camisa branca e elegância urbana sóbria.

Foto: Emily Blunt (XNY/Star Max/Getty Images)

Sobreposições são praticamente obrigatórias e têm até um ar meio dominatrix moderna, com corselets e amarrações.

Subversiva, ela opta por uma paleta de cores mais limitada e se joga em detalhes estratégicos como fivelas e fendas vertiginosas. A escolha de designers confirma, com peças de nomes como Margiela, Gaultier, Vivienne Westwood e Rick Owens compondo suas produções.

O Diabo Veste Prada 2: modelo posa em vestido preto com recortes e luvas, enquanto stylist ajusta o look em clima sofisticado

Foto: Molly Rogers (Reprodução/Instagram)

As silhuetas são mais severas e ajustadas, tudo bem afiado, até o look jeans tem disciplina. E também há referências ao figurino do primeiro filme, já que corselets e boleros faziam parte do guarda-roupa de Emily e surgem em versões atualizadas.

O Diabo Veste Prada 2: modelo desfila em vestido preto justo com tule bordado e brilho, em clima de gala sofisticada

Foto: Simone Ashley (TheStewartofNY/Getty Images)

Amari (Simone Ashley)

A nova Emily de Miranda, Amari é a atual assistente e cumpre o papel de mais fashionista do grupo. Indo da vibe colegial chique de Thom Browne a silhuetas esculturais.

Materiais encorpados e ousados são frequentes, como pelúcias volumosas e até látex. O estilo preppy ganha update no guarda-roupa de Amari e ela equilibra bem looks mais clássicos com outros mais ousados, em sintonia com alguém ainda descobrindo o próprio estilo.