Sabe aquela sensação de desbloquear o celular só pra ver as horas e acabar 20 minutos depois no TikTok? Pois é. O relógio de pulso voltou exatamente aí — como resposta a esse ciclo de notificação e rolagem infinita. E não é saudosismo: a Gen Z está comprando mais relógios clássicos do que qualquer outra geração, e os modelos dress watch — slim, com mostrador simples e pulseira de couro — cresceram 44% em vendas entre pessoas de 14 a 28 anos desde 2018, de acordo com a Chrono24.
No centro desse movimento estão nomes que você provavelmente já tem na memória afetiva: Casio e Citizen. O F91W virou item de cobiça no Depop com a tag “Y2K watch” — e é exatamente esse mesmo modelo que aparece revendido em brechós físicos e plataformas como Vinted e enjoei, muitas vezes com pulseira trocada e história embutida no preço. A Citizen, por sua vez, fechou 2025 com crescimento de 6,6% em vendas — na contramão das grandes suíças, que amargaram quedas de dois dígitos. O recado está dado: o relógio deixou de ser só funcional e virou a joia de pulso da vez.
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mas, afinal, o que está por trás da tendência?
Em um período de superconectividade, os clássicos relógios vivem um revival como um mecanismo de fuga. Já há algum tempo estamos presenciando tendências de comportamento que vão de encontro com o analógico — o retorno das câmeras de filme e o crescimento exponencial nas vendas de CDs e vinis comprovam o ponto. Os itens se tornam não só funcionais, mas capazes de transbordar estilo e originalidade. Nesse momento a ideia é desacelerar, controlar o próprio tempo e burlar a exaustão causada pelo excesso de telas, notificações e estímulos.
o apego pelo vintage
Mas não é só isso, a geração Z tem se mostrado cada vez mais adepta ao vintage. Em 2025, mais de 11,7 milhões de posts no Instagram usaram a hashtag #nostalgia. As buscas no Google por “filmes dos anos 90” dobraram desde 2015, e as buscas pela estética Y2K dispararam 891% desde novembro de 2024 — um fenômeno que pesquisadores chamam de anemoia: a saudade de um passado que a geração nunca viveu. O comportamento é refletido no vestuário — as últimas grandes tendências referenciam diretamente os anos 2000, como o retorno dos thong heels, as calças capri ou até mesmo os jelly shoes.
Os relógios também se encaixam nesse assunto — as peças trazem de volta o charme do início do século com design simples, mostradores de 34 a 38 mm e pulseiras de couro ou metal. O Casio é um deles — os modelos mais procurados incluem o F91W, clássico com face preta, leve, o A168WA, estilo cromado, ideal para editoriais anos 90 e G-Shocks vintage em cores vibrantes, de acordo com o TopDownTrading.

As celebridades também têm contribuído ativamente para esse interesse — e não por acaso. Emma Chamberlain, Zendaya e Jacob Elordi aparecem constantemente com relógios simples, sem ostentação, em looks casuais e espontâneos. Eles não usam o acessório como símbolo de status, mas como parte de uma estética que valoriza o discreto, o duradouro e o com história. É exatamente esse imaginário que a tendência está vendendo.
o mercado de segunda mão
É impossível negar a influência do mercado circular na volta dos relógios. Por décadas, as peças de luxo funcionavam como marcadores de chegada — inacessíveis para a maior parte das pessoas. Agora, um Cartier Tank vintage que custaria fortunas novo aparece num brechó por um terço do preço, com a vantagem extra de já ter vivido. O desgaste na pulseira, o mostrador levemente amarelado pelo tempo — tudo que antes seria motivo de desconto virou argumento de venda.
E você, vai dar uma chance para a tendência?
