Como investir para garantir o futuro dos seus filhos? 

por Vitória Fernandes
(Foto: Reprodução/@Vikyrader)

Você já parou para pensar em quais decisões tomaria se, ao chegar à vida adulta, tivesse um bom dinheiro te esperando? Talvez fazer uma faculdade diferente ou mesmo investir no seu próprio negócio, quem sabe… 

É claro que é impossível mudar o passado, mas, e se for possível dar essa oportunidade aos seus filhos? Foi pensando nesse cenário futuro, que precisa começar a ser desenhado no presente, que conversamos com a educadora financeira Carol Stange, em busca das melhores dicas de investimento para esse objetivo. 

Na visão de Stange, o primeiro passo é ter em mente que, quanto antes você começar, mais dinheiro seu filho terá.

“Na minha visão, o melhor momento para começar é na decisão de ter o filho, porque o tempo é o único ingrediente do investimento que não se compra depois”, afirma.

Para explicar a importância dessa antecedência, ela dá um exemplo. Considere uma aplicação em um título como o Tesouro IPCA+ de longo prazo, a uma taxa hipotética de 6% ao ano acima da inflação. Ao investir R$ 300 por mês durante 18 anos, o valor final ficaria em cerca de R$ 114 mil, sendo que apenas R$ 64,8 mil saíram do bolso da família.

Agora, se os pais começarem a depositar o mesmo valor quando a criança tiver 9 anos, esse montante cairá para cerca de R$ 42 mil. Esses valores não levam em consideração o imposto de renda. 

É claro que esses aportes e estratégias precisam estar alinhados com a condição financeira de cada família. Na visão da especialista, não existe um valor universal a ser depositado por mês ou mesmo a se ter no futuro, já que qualquer quantia reservada para os filhos é um presente.

Porém, ela deixa claro que a constância é o mais importante para garantir bons resultados. “O plano funciona como uma dieta: se for restritivo demais, não se sustenta. Um valor modesto, mantido por muitos anos, rende mais do que um valor ambicioso que a família abandona no segundo ano”, diz.

Antes mesmo de pensar na quantia, é preciso definir um objetivo, como pagar a faculdade, um intercâmbio ou mesmo a entrada de um imóvel.

Com o objetivo em mente, chega a hora de pensar na estratégia de aportes. Um modelo de sucesso costuma contar com o mix entre um valor inicial maior e quantias menores investidas mensalmente, que ajudam os juros compostos a trabalhar para você.

“R$ 10 mil aplicados no nascimento viram cerca de R$ 28,5 mil em 18 anos. Se você fizer aportes mensais de R$ 200, eles podem se transformar em R$ 105 mil”, explica.

Nesse exemplo, o valor de R$ 105 mil já inclui os R$ 10 mil iniciais, e a simulação usa a mesma taxa hipotética de 6% ao ano acima da inflação.

A especialista recomenda, ainda, alinhar os planos com a família, para que todos contribuam da forma que puderem. Com eles, o resultado pode ser ainda mais significativo no futuro.

Além disso, é recomendado que os pais automatizem o depósito mensal, para que ele se torne uma conta fixa e não uma decisão que precisa ser tomada todos os meses.

“Quando o aporte vira uma despesa fixa, como a mensalidade da escola, o orçamento se organiza em torno dele e a decisão deixa de ser reaberta todo mês, o que protege o plano justamente nos meses em que a tentação de gastar é maior”, afirma a especialista.

Onde investir esse dinheiro?

Agora que você já definiu quanto dinheiro destinará ao seu filho por mês, é hora de entender onde investi-lo.

Para Stange, com o juro real de hoje, a renda fixa deixou de ser apenas a parte segura da carteira e passou a ser uma fonte relevante de retorno e uma boa opção para essa estratégia.

Dentro da renda fixa, existem algumas opções. “O Tesouro IPCA+ de longo prazo paga cerca de 6,5% ao ano acima da inflação, e quem trava essa taxa por 15 ou 18 anos sabe de antemão quanto o dinheiro ganhará acima dos preços”, diz.

As taxas mudam todos os dias: em 19 de outubro, o Tesouro IPCA+ 2040 pagava IPCA + 6,74% ao ano, e o IPCA+ 2050, IPCA + 6,72%. Vale lembrar que a taxa só fica garantida para quem mantém o título até o vencimento. 

“O Tesouro Educa+ aplica essa lógica ao objetivo educacional: rende IPCA mais uma taxa prefixada e, na data escolhida, devolve o valor em 60 parcelas mensais, o que combina com o calendário das mensalidades”, complementa.

Em 20 de outubro, o Tesouro Educa+ 2040 pagava IPCA + 6,72% ao ano. 

Antes de investir, é preciso considerar também os custos. Os rendimentos do Tesouro Direto estão sujeitos ao imposto de renda, e há a taxa de custódia da B3: no Tesouro IPCA+, ela é de 0,2% ao ano sobre o montante aplicado. No Educa+, quem mantém o título até a data de conversão e recebe parcelas mensais de até quatro salários mínimos fica isento dessa taxa. 

Nesse cenário, a renda variável entra como um complemento. Segundo ela, com décadas pela frente, a oscilação pesa menos, e fundos de índice (ETFs) que replicam o Ibovespa, como o BOVA11, ou o S&P 500, como o IVVB11, oferecem diversificação a custo baixo.

“Quanto maior a fatia em renda variável, maior o retorno esperado e maior a oscilação no caminho, por isso a proporção deve respeitar o risco que a família suporta tomar”, afirma.

Se a escolha for esse mix com a renda variável, é preciso lembrar que, ao chegar perto dos 18 anos ou do tempo estimado pela família, é importante migrar esses valores para a renda fixa, evitando que as oscilações das ações comprometam o resultado final.

Por último, a especialista faz questão de apontar que, para dar início a um investimento focado nos filhos, é preciso ter a vida e o seu próprio futuro financeiro garantidos. Ela reforça que quem abre mão da própria aposentadoria para bancar a faculdade do filho pode acabar dependendo justamente dele no futuro.

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