Congelamento de células-tronco: por que decidi fazer novamente no nascimento do meu segundo filho

por Manuela Bordasch

Quando a minha primeira filha nasceu, uma das decisões que mais pesquisei durante a gravidez foi se faria ou não o congelamento das células-tronco do cordão umbilical. Era um assunto sobre o qual eu praticamente não sabia nada e, quanto mais eu pesquisava, mais percebia que existiam opiniões muito diferentes.

Quase dois anos depois, no nascimento do Rocco, precisei tomar exatamente a mesma decisão. E dessa vez ela foi muito mais simples. Não porque eu tivesse menos dúvidas, mas porque já tinha tido tempo para estudar o assunto com calma, conversar com médicos, entender quais são as possibilidades reais dessa tecnologia e refletir sobre os motivos que me fizeram optar por esse procedimento na primeira gravidez.

Quero compartilhar aqui o racional que me levou a essa decisão, não porque eu ache que seja uma escolha que todas as famílias devam fazer, mas porque quando eu estava grávida, senti falta de relatos reais sobre o assunto. 

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Congelamento de células-tronco
Tudo sobre o congelamento de células-tronco do Rocco

De forma bastante resumida, são células coletadas logo após o nascimento do bebê, a partir do sangue e, em alguns casos, também do tecido do cordão umbilical. A coleta acontece somente naquele momento. Depois que o cordão é descartado, essa oportunidade deixa de existir.

Essas células já são utilizadas hoje em tratamentos estabelecidos para diversas doenças hematológicas e imunológicas, como algumas leucemias, linfomas, anemias hereditárias e outras condições específicas.

Além dessas aplicações já consolidadas, existem centenas de pesquisas clínicas em andamento estudando o potencial dessas células em outras doenças. Mas acho importante fazer uma distinção: pesquisa clínica não significa tratamento disponível. A ciência ainda está avançando em muitas dessas possibilidades, e ninguém sabe exatamente quais aplicações existirão daqui a dez, vinte ou trinta anos.

Foi justamente essa combinação entre aplicações já existentes e o potencial de evolução da medicina que despertou meu interesse.

A verdade é que eu nunca enxerguei esse procedimento como um “seguro” ou uma garantia de que meus filhos estarão protegidos contra doenças, porque eu sei que isso simplesmente não existe. 

Também sei que existe uma boa chance de essas células nunca serem utilizadas, e espero sinceramente que nunca precisem ser.

O meu raciocínio foi o seguinte: o nascimento é a única oportunidade de coletar esse material. Se você decide não fazer naquele momento, essa possibilidade desaparece para sempre. Então pensei que eu posso nunca precisar dessas células, mas nunca mais poderei voltar atrás caso um dia deseje tê-las armazenadas — e foi isso que pesou para mim.

Outro ponto que considerei foram as limitações. Acho importante falar sobre isso porque, muitas vezes, esse assunto acaba sendo tratado de forma muito polarizada. Existe quem apresente o congelamento de células-tronco como algo indispensável, enquanto outras pessoas afirmam que ele não faz sentido algum.

Como acontece com tantos temas da medicina, a realidade costuma estar no meio do caminho. Eu sei que existem limitações importantes: nem todas as doenças podem ser tratadas com células-tronco; nem toda pessoa poderá utilizar o próprio material armazenado; muitas aplicações ainda estão sendo estudadas e a probabilidade de utilização ao longo da vida é relativamente baixa.

Ao mesmo tempo, também é verdade que essa é uma área da medicina que evoluiu muito nas últimas décadas e continua avançando rapidamente. Então, eu preferi tomar minha decisão considerando esses dois lados.

Não existe uma resposta certa, mas a conclusão que cheguei foi que o congelamento de células-tronco é um investimento importante e que faz sentido para algumas famílias, enquanto para outras pode não fazer.

Questões financeiras obviamente entram nessa conta, assim como a forma que cada pessoa enxerga prevenção e, claro, tudo isso é absolutamente legítimo. Foi apenas a decisão que fez sentido para mim e para a nossa família.

Resultado congelamento de células-tronco

Na gravidez da Olímpia, pesquisei bastante antes de escolher um banco para armazenar as células. Na época, conversei com diferentes empresas, procurei entender quais eram as certificações, a estrutura de armazenamento, os protocolos de coleta e como funcionaria uma eventual necessidade de utilização desse material no futuro. Com isso, acabei optando pela Criogênesis.

Depois da experiência que tivemos no nascimento da Olímpia, não vi motivo para mudar. E toda a logística aconteceu exatamente como planejado nas duas gestações.

A equipe acompanhou o processo do parto, realizou a coleta logo após o nascimento e, poucos dias depois, recebi o relatório técnico com as informações sobre o material armazenado.

Como já conhecia todo o funcionamento, repetir essa escolha no nascimento do Rocco acabou sendo algo bastante natural.

Para mim sempre foi importante escolher um banco que atendesse às exigências regulatórias brasileiras, tivesse processos bem estabelecidos e transmitisse confiança para um armazenamento que, idealmente, permanecerá por décadas.

Por isso, minha decisão é a mesma de dois anos atrás. Continuo esperando nunca precisar utilizar esse material, mas, se um dia houver necessidade, fico tranquila em saber que preservei uma oportunidade que só existia naquele momento do nascimento.

Não escrevo este texto para convencer ninguém a congelar células-tronco, mas sim porque acredito que decisões importantes merecem informação de qualidade, transparência sobre as limitações e espaço para que cada família faça sua própria escolha.