Dia da Igualdade Salarial: mulheres ainda ganham 21% menos que homens no Brasil

por Vitória Fernandes
Mulher em um escritório claro usando o seu computador para trabalhar

Nesta sexta-feira, 18 de setembro, é comemorado o Dia Internacional da Igualdade Salarial e, apesar dos nítidos avanços regulatórios e de transparência no setor, ainda estamos muito longe de conquistar, de fato, a igualdade no mercado de trabalho.

Dados do Ministério do Trabalho divulgados em abril deste ano apontam que, nos últimos 24 meses, houve um aumento na desigualdade salarial no país. Em números, isso significa que as mulheres ganham, em média, 21% a menos do que os homens em cargos semelhantes. 

Em posições de liderança, esse dado fica ainda pior: a diferença salarial aumentou de 25% para 27% no período de dois anos. 

Para Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, ecossistema focado no treinamento, engajamento e aceleração de carreiras e lideranças femininas, essa diferença é perceptível. “Nós vivemos um momento de avanços importantes, mas ainda com uma distância muito relevante entre o que é institucional e o que é realmente mudança de resultados”, afirma. 

Segundo ela, a Lei da Igualdade Salarial, aprovada há três anos, aumentou a visibilidade dos dados e estimulou as empresas a olharem com mais profundidade para os indicadores internos, o que é muito importante. Mas, ao mesmo tempo, os números mostram que ainda há um caminho muito longo pela frente.

De acordo com a pesquisa, a média salarial dos homens com carteira assinada é de R$ 5 mil, enquanto a das mulheres não atinge R$ 4 mil. Se levarmos em consideração as mulheres negras, esse número não ultrapassa R$ 3 mil.

O problema, porém, vai muito além do dinheiro. Um levantamento realizado pela Todas Group mostra que as mulheres também enfrentam desafios para ocupar cargos de liderança. 

77% das entrevistadas afirmam já ter enfrentado barreiras de crescimento por serem mulheres, enquanto 69% delas dizem identificar uma hegemonia masculina nos cargos de liderança das empresas em que trabalham. Além disso, 93% acreditam que os homens poderiam ter um papel mais ativo nessa luta por equidade de gênero.

Nesse sentido, a aceleração de carreira, que resulta em remunerações mais vantajosas e competitivas, se torna a principal demanda para as mulheres que buscam seu espaço no mercado corporativo. 

“É preciso entender o que está sendo avaliado, quais são os critérios, quem está sendo promovido, quem recebe projetos com maior exposição e responsabilidade, quem está sendo preparado para esses avanços de carreira… porque isso está completamente alinhado com os critérios de remuneração”, afirma Mendes.

Segundo ela, remuneração, reconhecimento e progressão profissional não são coisas que acontecem de maneira isolada. “As oportunidades e experiências que uma profissional acumula ao longo da carreira ajudam a construir as posições que ela poderá conquistar no futuro. Por isso, além de remuneração, é importante entender quais caminhos estão sendo construídos para que mais mulheres avancem profissionalmente”, diz. 

Para a especialista, para conquistar a tão falada igualdade salarial, é preciso existir avanço em diversas frentes, e uma delas é a visão que se tem das mulheres no mercado de trabalho.

“Durante muitos anos, uma das explicações mais repetidas sobre a diferença salarial girava em torno do fato de a mulher negociar menos o seu salário. E isso é um mito derrubado por pesquisas que mostram que, em alguns casos, as mulheres negociam até mais”, afirma.

O mesmo ocorre com características como ambição, liderança e confiança, que muitas vezes são desconsideradas nas profissionais apenas por serem mulheres.

“A gente precisa, cada vez mais, confrontar essas percepções com dados, porque eu acredito que essa é uma combinação estratégica. Ou seja, mulheres cada vez mais preparadas, com repertório, e organizações prontas para ler dados e compreender como estão sendo feitas essas avaliações de oportunidades e quem está efetivamente sendo valorizado por talento e não por gênero”, complementa Mendes.

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