Doenças psicossomáticas e a quarentena

por Giovana Marcon

Muitas pessoas reviram os olhos quando alguém diz que está mal, triste ou estressado. Isso parece ser um problema pequeno perto de tudo o que está acontecendo no mundo, né? Já até me perguntaram “tem gente morrendo e você está preocupada com a sua carência?”. Não com a minha carência em si, mas sim com os outros sentimentos que a quarentena tem acarretado, não só em mim, mas na maioria - e entre eles, a carência.

O negócio é que, sim, está todo mundo mais estressado e está todo mundo tentando lidar da melhor maneira possível. Mas enquanto para alguns o estresse se resolve dormindo, ouvindo música ou fazendo algum ritual pessoal, outras somatizam o sentimento - ou seja, transformam o estresse, a raiva e a ansiedade em doenças físicas. As famosas doenças psicossomáticas.

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Além de já ser diagnosticada e fazer tratamento para Transtorno de Ansiedade Generalizada, o meu corpo faz questão de transformar essa confusão de sentimentos em desconforto físico. Nada com que eu já não tenha lidado antes, mas se eu já estava em pânico por toda a situação, imagina quando isso virou crises alérgicas, sinusite, rinite, candidíase, psoríase, enxaqueca e gastrite. Não tudo de uma vez, claro, mas o bastante para me derrubar por grande parte do isolamento social - para somar aos picos de ansiedade, à hipocondria e medo de sair de casa, adquiridos graças à pandemia. “Isso aqui que eu estou sentindo é um sintoma da COVID-19 ou é só um ataque de pânico?”

O estresse bate, a imunidade cai e todas as doenças crônicas resolvem dar as caras. E não é porque eu não sou saudável, viu? Eu conheço bem meu sistema imunológico, por isso tomo muito cuidado com ele. Mas, infelizmente, eu não tenho total controle da minha cabeça, e ela tem um papel gigante na minha - e na nossa - saúde. Às vezes é porque eu vou ter uma reunião importante, mas nem sempre eu sei porquê estou com taquicardia naquele dia. Tem dias em que, depois de várias horas na frente do computador, a dor de cabeça é esperada. Mas às vezes ela vem no sábado, mesmo depois de eu ter descansado. A última vez que tive uma crise de psoríase eu tinha 13 anos! Gastrite eu não tinha desde a época da faculdade. Então, o que eu quero dizer é: acho que é inevitável que essa situação tire as coisas do controle e interfira na sua saúde. E não há antibiótico no mundo que cure uma cabeça instável. 

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Bom, eu tenho uma irmã médica e sempre conto sobre os meus sintomas para ela. A solução para a enxurrada de crises de doenças crônicas foi aumentar minha ingestão de vitaminas, então comecei a tomar um suplemento regularmente que tem ajudado - (se você estiver na mesma situação, claro, procure o seu médico antes de sair comprando várias vitaminas! Cada corpo é um corpo). Filtrar o conteúdo que eu consumo também fez efeito - percebi que no começo, quando eu assistia mais jornais e procurava saber mais sobre o coronavírus, as doenças se manifestavam mais e com maior frequência. Pode parecer drama, mas são reações reais e sintomas reais de um corpo que não lida com estresse de um jeito comum. E é por isso que é importante sim o autocuidado na quarentena e não se deixar largar em consequência da situação, porque agora, mais do que nunca, estar saudável é essencial. Então enquanto eu estou tentando, ironicamente, não deixar essa doença me deixar doente, lembre de cuidar da sua mente e do seu corpo. Pode comer besteira, mas pode também fazer um exercício todo dia. Pode chorar por horas - afinal, quem está verdadeiramente entendendo o que está acontecendo? - mas pode também conversar com alguém de confiança e deixá-la te ajudar. Internalizar sentimentos só é uma boa ideia até a primeira doença psicossomática se manifestar.

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