Em 2026, voltamos para o analógico — e a arquitetura já entendeu isso

por ArqExpress

Todo mundo já falou e a gente vai falar de novo: 2026 é o ano em que a gente volta para o analógico. E a arquitetura? Já entendeu perfeitamente esse movimento.

Vivemos um momento em que nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão desconectados uns dos outros. A vida digital ocupa cada vez mais espaço do nosso tempo, da nossa atenção e da nossa casa. A pausa, a intenção no fazer, o estar presente… tudo isso vai ficando para depois.
O resultado é um cansaço absurdo de tudo isso. E a sensação coletiva de que algo não está funcionando como deveria.

É justamente por isso que uma tendência comportamental forte vem ganhando espaço e já está sendo apontada como uma das grandes viradas do próximo ano: a volta ao analógico. O motivo talvez não seja dos mais românticos, mas a intenção é clara: recuperar conexão real, afeto, ritual e presença no dia a dia. 

Se engana quem acha que essa tendência é vazia, passageira ou só uma “estética cool” de ouvir vinil e tirar foto com cybershot. A questão aqui é mais profunda. O analógico deixou de ser nostalgia e virou necessidade contemporânea e a arquitetura já está traduzindo isso em espaço, materialidade e experiência.

Hoje a gente te explica por que o analógico volta, o que ele significa na decoração e como isso aparece nos novos ambientes.

Mão feminina com acessórios dourados segura telefone analógico azul com fio espiral preto, em fundo branco minimalista.
Foto: Tudo sobre a volta do analógico (Banco de imagens)


tudo sobre a volta do analógico

Quando o presente não acolhe, o passado reaparece

Existe um comportamento que se repete ao longo da história: quando o presente não acolhe, o passado reaparece. Ele é revisitado, reinterpretado e ressignificado como resposta a um tempo difícil.

É exatamente isso que está acontecendo agora. Com o cansaço da vida hiperconectada, buscamos conforto em algo que foi colocado em desuso pela velocidade da tecnologia, mas que carrega memória, presença e uma sensação de tempo mais humana.

O analógico aparece de várias formas em 2026. Algumas pessoas tentam se desconectar completamente (o que a gente sabe que é quase impossível). Outras passam a enxergar o offline como tempo de descanso, tempo de intenção, tempo de reconexão consigo e com quem está por perto. E outras até como luxo.

E aqui está o ponto-chave: o passado nunca se repete mas ele pode ser reinterpretado.

Na criação dos filhos, vemos famílias tentando reproduzir dinâmicas dos anos 90. Na fotografia, a Gen Z lidera o resgate de câmeras analógicas e cybershots dos anos 2000. Na música, o vinil vira quase um manifesto visual e sensorial. E na arquitetura? Tudo muda, mas não porque voltamos a viver como antes, e sim porque os valores mudaram.

Analógico
Foto: Tudo sobre a volta do analógico (Banco de imagens)

Voltar ao analógico hoje não é rejeitar a tecnologia

Voltar ao analógico não significa rejeitar o digital. Até porque existe uma grande contradição aqui: esse movimento se populariza… pelas redes sociais. Sim, pelo TikTok.

Ter uma câmera analógica hoje também significa postar a foto perfeitamente editada depois. Ouvir vinil também vira performance. E tudo bem, isso faz parte do nosso tempo.

O que importa de verdade é outra coisa: redefinir a nossa relação com a tecnologia. Retomar o poder de escolha, o ritmo, a presença.

Pensa nisso: se hoje as plataformas de streaming simplesmente deixassem de existir, você teria acesso às suas músicas favoritas? Esse questionamento diz muito sobre posse, permanência e memória, e tem tudo a ver com a forma como habitamos a nossa casa.

E é exatamente aqui que arquitetura e comportamento se encontram.

Estante branca com livros analógicos de capas variadas em tons neutros e amarelos, criando ambiente acolhedor e intelectual.
Foto: Tudo sobre a volta do analógico (Banco de imagens)

como o analógico aparece na arquitetura e na decoração

O analógico caminha junto com outros movimentos fortes que já vínhamos observando: conforto, busca por refúgio, bem-estar e casas com mais personalidade.

Isso se traduz em ambientes mais sensoriais, com atenção à ambiência e menos preocupação com performance estética. Não é só sobre ser bonito, é sobre como o espaço te faz sentir.

Criar ambiência vira estratégia central: Luz difusa e quente, tapetes, cores suaves, texturas que convidam ao toque. Um espaço que acolhe o momento e ativa os sentidos.

Claro que referências retrô aparecem: anos 70, 80 e 90 voltam com força. Mas não como réplica literal. Elas surgem filtradas, atualizadas, misturadas ao contemporâneo.

A grande virada está na arquitetura sensorial, que apresenta materiais naturais, imperfeições visíveis, acabamentos honestos, processos aparentes. Tudo isso comunica intenção, tempo e cuidado. É a casa voltando a ter cara de casa.

os elementos analógicos que estão voltando para dentro de casa

Quando falamos de analógico, alguns elementos se tornam protagonistas. Os Hi-Fi bars (bares ou espaços focados em experiência sonora de alta qualidade), por exemplo, já conquistaram as cidades e agora começam a invadir as casas novamente. O set de vinil vira item de desejo não só pelo som, mas pela experiência completa que ele propõe.

Estantes voltam a guardar livros de verdade. Fotografias são expostas. Os ambientes deixam de parecer estúdios e voltam a carregar memória. Junto disso, cresce o valor do feito à mão. Cerâmicas, têxteis, peças artesanais, materiais naturais. Tudo que carrega processo, tempo e imperfeição ganha protagonismo. O analógico não é só objeto. É linguagem.

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Foto: Tudo sobre a volta do analógico (Banco de imagens)

anemoia: a nostalgia por um tempo que não vivemos

Existe uma palavra que ajuda a explicar tudo isso: anemoia. A famosa “saudade de um tempo que não vivemos”. Esse sentimento é especialmente forte na Geração Z, uma geração que viveu a transição entre o analógico e o digital. Cresceu vendo filmes, séries e narrativas onde o tempo tinha outro ritmo, outra lógica, outro suspense.

Por isso há uma romantização, sim. Mas também há um desejo legítimo de pertencimento, pausa e sentido. O retrô não aparece como moda passageira. Ele surge como linguagem afetiva e como questionamento sobre o rumo que estamos tomando enquanto sociedade.

o que essa tendência diz sobre o futuro

O futuro não é só tecnologia. No fim das contas, ele é profundamente humano e temos que nos lembrar disso.

O analógico não surge como retrocesso, mas como equilíbrio. Um contraponto necessário ao excesso digital. Um convite à presença, ao corpo, às relações... e à casa.

Na arquitetura, esse movimento entra diretamente no guarda-chuva do bem-estar. Nos faz repensar espaços, materiais e, principalmente, a forma como queremos viver dentro da nossa própria casa, e isso, claro, também aparece de forma estética. Avançar com consciência talvez seja o verdadeiro luxo do futuro (e nós estamos amando a cara de tudo isso).

E você? Como quer se sentir dentro da sua casa em 2026? Mais conectado ou mais presente?