ESPECIAL LGBTQIA+: 5 pessoas dividem a importância do orgulho para elas

por Inaê Ribeiro

Hoje, dia 28 de junho é Dia Internacional do Orgulho LGBT, data que tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância do combate à homofobia, para que tenhamos uma sociedade cada vez mais justa, igualitária e respeitosa. Este dia é para lembrar que membros da comunidade LGBTQIA+ não precisam, ou não deveriam precisar, esconder a sua sexualidade e ter vergonha de sua orientação sexual. 

Nós, somos defensoras que as pessoas devem possuir espaço para serem quem desejam, que suas vozes devem ser ouvidas e celebradas, então, hoje reunimos cinco pessoas da comunidade LGBTQIA+ para falar sobre o orgulho de serem elas mesmas e dividirem todo o seu processo. 

Camila Pegorer - CONJUNTO XADREZ - LGBTQIA+ - inverno - brasil - https://stealthelook.com.br
Foto: Camila Pegorer (Reprodução/Instagram)

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Camila Pegorer, é uma mulher lésbica de 26 anos e seu relato inicia com ela contando que por muito tempo foi difícil dizer em voz alta que ela era lésbica. Foi com treze anos que ela se viu pela primeira vez pensando em uma mulher de uma maneira amorosa e para ela e seus amigos de infância sempre foi muito leve, até mudar de colégio e os preconceitos iniciarem e a mãe de uma antiga namorada descobrir o relacionamento. "A mãe da minha primeira namorada descobriu, e de forma muito traumática, contou para os meus pais e eu fui percebendo o quanto era difícil ser quem eu era e que aquela rede de apoio, que eram meus amigos de infância, não representava como era o mundo lá fora", relata. 

A partir desse episódio, Camila começou a sentir vergonha de si mesma, então, ao entrar na faculdade, decidiu que era a chance de se esconder para fugir dos comentários tão dolorosos, até se apaixonar por uma mulher. "Tive que contar para as minhas amigas de faculdade, tive que mostrar quem eu era de verdade e fui me aproximando, participando de reuniões das frentes LGBT, recebendo o apoio dessa namorada que me deu coragem para mostrar para o mundo quem eu era", relata ela sobre esse momento. 

Com o passar dos anos e amadurecimento, Camila se abriu com seus pais e confessa que no início não foi fácil para eles, com muito sofrimento da mãe, que hoje a aceita e ama exatamente como ela é, "somos muito próximas e temos uma relação de muito respeito", divide. 

Hoje, Camila vive um relacionamento feliz e está casada. "Hoje eu sou casada, fizemos questão de registrar nosso amor no dia internacional contra a LGBTfobia e meu sonho é que minha história possa inspirar outras pessoas. A gente tem medo de sofrer na rua, porque o mundo é muito cruel, mas não há nada melhor do que ser amado, ser livre e ser quem você é", compartilha. 

Leo Machado - boz braids, terno - LGBTQIA+ - inverno - brasil - https://stealthelook.com.br
Foto: Leo Machado (Reprodução/Instagram)

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Leo Machado compartilha que "sair do armário" é um processo que ele vive todos os dias, a cada nova pessoa que conhece e ele precisa de apresentar ,e isso sempre faz o seu orgulho de ser ele mesmo e se membro da comunidade LGBTQIA+ crescer. "Meu orgulho cresce a medida que eu saio do armário, sim, sair do armário é um processo que vai muito além de tornar pública uma sexualidade, todos os dias eu saio de um armário diferente onde foram trancadas as possibilidades de poder ser alguém sensível que olha e conversa com as minhas vulnerabilidades", relata.

Isabella Trad - short jeans e camisa branca - LGBTQIA+ - inverno - brasil - https://stealthelook.com.br
Foto: Isabella Trad (Reprodução/Instagram)

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Isabella Trad, dividiu com a gente que para ela, foi mais fácil se entender como uma mulher bissexual do que realmente colocar a bissexualidade em prática, por muito tempo ela esteve confusa tentando entender todos aqueles sentimentos que haviam dentro dela. "Antes, nada tinha nome, e quando teve, eu não tinha certeza se era realmente bissexual ou se aquilo era só uma fase, como todos falam, então simplesmente incorporei da forma mais fluida que pude", divide.

As primeiras vezes que Isabella beijou uma mulher foi em uma balada até perceber que ela realmente gostava e parou de contar. "Minha orientação romântica sempre foi heteronormativa. Eu sempre olhei para homens romanticamente, de forma capaz de se construir um relacionamento. Afinal, foi o que eu aprendi desde sempre. Com mulheres, demorei um pouco mais por que minha homofobia interiorizada não me deixava perceber o quão envolvida eu ficava", divide sobre seus processos. 

A mudança ocorreu quando ela se apaixonou por uma mulher pela primeira vez, aos 25 anos, e mesmo que o relacionamento tenha durado pouco, ela relata que foi o momento que ela mais se sentiu viva. "Levei 25 anos e quando apareci com uma mulher em casa mamãe falou: minha fia no meu tempo essas coisas não existia não, mas se você tá feliz, eu também estou. Tenho muita sorte de ter uma família que me apoia. Hoje, com 27 anos reconheço que não só me interesso por homens e mulheres, sigo sendo fluida, da forma que sempre fui", compartilha. 

Kylie Mantovaninni - short jeans - LGBTQIA+ - inverno - brasil - https://stealthelook.com.br
Foto: Kylie Mantovaninni (Reprodução/Instagram)

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Kylie Mantovaninni, sempre teve identificação com o universo feminino, mas ainda sim tinha medo de ser ela abertamente por conta dos julgamentos e opressões, "com o passar do tempo fui me libertando sem me preocupar com as opiniões alheias. Depois de muito sofrimento interno, fez com que me fortalecesse diante aos preconceitos", relata. 

Hoje Kylie conta com o apoio de seus pais, que estão presentes em qualquer situação, a oferecendo apoio, respeito, a defendendo e amando ela incondicionalmente. E tudo isso dá a ela ainda mais força para viver verdadeiramente, "passar por todo o processo de transição tem um valor muito grande, significa que ninguém mais vai me derrubar. A visibilidade é importante para construirmos na sociedade a cultura de que nós existimos dentro da população e somos cidadãos assim como qualquer ser humano", divide.

Kylie sente orgulho da mulher que ela é, sempre tendo em mente a sua força. "Tenho muito orgulho da mulher que me tornei, nunca deixo ninguém tirar a luz que existe dentro de mim. Não precisamos ter medo de ser quem somos, temos que ser felizes, se libertar, viver e extravasar. O nosso mundo é colorido, e são com muitos obstáculos, lutas e vitórias que estarei sempre existindo e resistindo frente aos desafios. Conviver transforma", ela afirma.

Kakau - calça jeans - LGBTQIA+ - inverno  - brasil - https://stealthelook.com.br
Foto: Kakau (Reprodução/Instagram)

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Caroline Souza, ou Kakau, possui 30 anos e recentemente se descobriu como pansexual, "eu fui me descobrindo aos poucos, da adolescência até meus 22 anos eu era heterossexual, perdi a virgindade com um homem depois fui casada 3 anos. Quando terminei meu relacionamento, eu me sentia muito atraída por mulheres, na adolescência já tinha dado um beijinho aqui outro ali em garotas, mas apenas isso", relata ela sobre seus processos. 

Até que Kakau começou a se envolver com mulheres, teve relacionamentos, e então se descobriu bissexual, o que também foi um processo de conhecimento e de aprender a se relacionar com homens e mulheres. "Hoje eu me entendo como uma mulher pansexual, eu amo pessoas independente da orientação sexual que ela tenha, eu me envolvo me apaixono e amo o que a pessoa é por dentro. É muito importante você se respeita, respeitar seu tempo e processo de amadurecimento", relata a influenciadora acrescentando que o importante é se assumir para você mesmo.

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