Entre salas generosas, mesas preparadas para receber e casas preenchidas por objetos que carregam histórias, a CASACOR 2026 apresenta uma visão de morar que valoriza a convivência, a memória e o tempo compartilhado.
Ao percorrer os ambientes da CASACOR São Paulo 2026, uma sensação se repete em diferentes projetos: a vontade de ficar. Os espaços parecem pensados para acolher o cotidiano, incentivar encontros e transformar a casa em um lugar de permanência.
Em uma edição guiada pelo tema “Mente e Coração”, a arquitetura surge como reflexo de uma mudança de comportamento cada vez mais evidente. Em meio à aceleração do cotidiano, a casa volta a ocupar um lugar central como espaço de pausa, conexão e presença.

a principal tendência da CASACOR 2026 é comportamental
Se as tendências costumam ser associadas a cores, materiais ou peças de design, a principal leitura desta edição passa por outro lugar. O que mais chamou nossa atenção foi a forma como os ambientes refletem uma mudança na relação que temos com a casa.
Ao longo da mostra, os projetos revelam uma valorização crescente dos espaços de convivência. Salas amplas, mesas generosas, cozinhas integradas e ambientes voltados para o encontro aparecem como protagonistas, reforçando a ideia da casa como um lugar para compartilhar experiências e construir memórias.
Em muitos projetos, o lar deixa de ser apenas um espaço funcional para assumir um papel mais afetivo. É o lugar onde recebemos amigos, cultivamos rituais cotidianos, reunimos objetos que contam histórias e criamos uma sensação de pertencimento.

casas com história (e não apenas decoradas)
Se a desaceleração aparece como a principal tendência comportamental da CASACOR 2026, ela também se reflete na forma como os ambientes são construídos. Entre os projetos que mais nos chamaram atenção, havia uma característica em comum: a sensação de que aquelas casas tinham sido vividas.
Livros, obras de arte, fotografias, coleções, objetos afetivos e peças garimpadas ocupavam os espaços de forma natural, criando interiores cheios de camadas e personalidade. Os ambientes pareciam contar histórias sobre quem os habita.
É interessante observar como o maximalismo surge nesta edição sob uma nova perspectiva. Em vez do excesso pelo excesso, os projetos apontam para uma valorização crescente dos objetos que carregam significado. São peças escolhidas por memória, vínculo, curiosidade ou identidade, elementos que ajudam a construir uma narrativa pessoal dentro de casa.
Essa leitura também aparece no uso das cores, das texturas e do mobiliário. Sofás generosos, formas orgânicas, materiais táteis e ambientes visualmente ricos reforçam uma busca por conforto emocional tanto quanto estético. Mais do que impressionar, os espaços procuram acolher.
Talvez seja por isso que muitos dos ambientes mais marcantes da mostra pareçam menos cenários e mais lares. Em um momento em que buscamos transformar a casa em um refúgio, a personalidade volta a ocupar um papel central. Afinal, uma casa com memória dificilmente é uma casa genérica.
os elementos que reforçam essa nova forma de morar
Se a convivência, a memória e a permanência aparecem como os grandes temas da edição, alguns elementos surgem repetidamente nos ambientes para ajudar a construir essa atmosfera.

madeira e materiais naturais
A madeira foi, sem dúvida, um dos materiais mais presentes nos projetos que visitamos. Em diferentes tonalidades e aplicações, ela aparece em painéis, mobiliário, revestimentos e detalhes arquitetônicos, trazendo uma sensação imediata de acolhimento.
Ao lado de pedras naturais, tecidos texturizados e acabamentos mais orgânicos, o material ajuda a criar interiores menos rígidos e mais conectados ao conforto cotidiano. Não por acaso, muitos dos ambientes mais convidativos da mostra apostavam nessa combinação.

a luz como linguagem
Outro aspecto que chamou nossa atenção foi o papel da iluminação. A luz aparece como um recurso capaz de construir atmosferas e transformar a experiência dos ambientes. Em vez de uma iluminação uniforme, os projetos apostam em pontos de luz distribuídos pelo espaço, luminárias esculturais e fontes indiretas que criam profundidade e valorizam detalhes específicos.
O resultado são ambientes que mudam de acordo com o horário e revelam diferentes camadas ao longo do dia. A iluminação deixa de apenas mostrar o espaço para participar ativamente da narrativa proposta por ele.

a força dos tons quentes
Entre as cores que dominaram a edição, os tons quentes se destacaram. Terracota, caramelo, ferrugem, vinho, mostarda e diferentes nuances de marrom apareceram em revestimentos, tecidos e mobiliário, contribuindo para a construção de ambientes mais envolventes e acolhedores.
Em muitos projetos, essas tonalidades substituem a neutralidade fria que dominou os interiores nos últimos anos e reforçam uma busca por espaços mais pessoais, afetivos e cheios de presença.
quando a casa volta a ser refúgio
Se os mais de 60 ambientes da mostra servem como indicativo do que vem pela frente, parece que estamos caminhando para casas mais afetivas, mais pessoais e mais voltadas para aquilo que acontece dentro delas: os encontros, as histórias e o tempo compartilhado.
Para quem quiser explorar essa leitura de perto, a CASACOR São Paulo 2026 acontece de 2 de junho a 9 de agosto, no Parque da Água Branca.
