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Fashion at Work: Ale Garattoni

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Se você passou a se interessar por moda ou blogs de moda apenas no período recente, muito provavelmente não fará a conexão entre o nome de Ale Garattoni a algum site ou veículo. No entanto, Ale foi um das primeiras blogueiras de moda do Brasil, com o seu It Girls, nome também do seu primeiro livro, publicado em 2010. Bacana, né?

Pode até parecer pouco, mas seis anos atrás todo esse universo ainda era muito novo e até mesmo as grandes blogueiras ainda estavam começando: o mercado estruturado (e também muito lucrativo) dos blogs de moda como conhecemos hoje estava apenas surgindo. Mas, na contramão da maré, Ale investiu em uma trajetória quase fora dos holofotes e mudou o rumo de sua carreira, terminando o blog e dando início a uma nova fase. Cheia de bons conselhos e uma história nem tão tradicional, Ale é alguém a ser ouvida quando o assunto é trabalhar com moda. Então, concentra e olha só o bate papo completo que tivemos com ela:

entrevista ale Garattoni
O ItGirls, que nasceu em uma insônia em dezembro de 2007 e foi meu blog que mais gente conheceu, era, na verdade, meu terceiro blog! Como sempre amei escrever, essa ferramenta se tornou um hobby desde que a conheci. Antes do It, tive um blog de notícias de moda (2004/2005) e outro de crônicas de comportamento feminino (2005/2007). Todos os três foram criados basicamente para mim mesma, sem ter nenhuma pretensão nem a menor ideia de que seriam lidos por mais de 12 pessoas. Sempre escrevi o que eu gostava de ler basicamente.

entrevista ale Garattoni
Embora minha formação seja em Administração, sempre amei moda e revistas. Estes dois universos acabaram me levando à minha carreira na época do nascimento do It. Trabalhava no que era na época o maior site de lifestyle do Brasil e sentia vontade de ter um canal à parte da minha carreira oficial, no qual eu pudesse publicar apenas o que eu queria. Livre de amarras comerciais e editoriais. Nesta época, as it girls – meninas carismáticas que serviam de influência e inspiração para várias outras – começavam a aparecer muito em revistas americanas e ainda não se falava disso aqui. Criei, assim, o blog que eu queria ler!
entrevista ale Garattoni
Quase três anos, entre dezembro de 2007 e agosto de 2010.

entrevista ale Garattoni
Essa fase do ItGirls marcou uma mudança radical no perfil da ferramenta blog. Quando comecei, era apenas uma chance de expressão, algo que as pessoas faziam muito mais por paixão do que pela perspectiva de algum retorno. Ainda era uma mídia muito de nicho, nem de longe se esperava os alcances que começaram a existir anos depois. Vivi bem essa fase de transição, quando o mercado começou a prestar atenção no efeito do conteúdo produzido por esses profissionais independentes. Foi quando as blogueiras começaram a se tornar também personagens, não apenas produtoras de conteúdo. Eu deixei de me identificar com a ferramenta, pois não queria comercializar nem queria fazer um trabalho de estilo pessoal – o foco do It era bem jornalístico, sempre em terceira pessoa, nunca foi sobre mim. Encerrei-o da mesma forma que comecei, por acaso, num impulso e sem pensar muito. Mas foi um reflexo de não estar mais me identificando com o formato (e também pelo boom do termo “it”, tudo era “it” nessa época, eu não aguentava mais nem ler essa palavra!).
entrevista ale Garattoni
Publicar um livro sempre tinha sido um dos meus grandes sonhos. Quando encerrei o It, ele tinha um alcance significativo e, talvez por isso, consciente ou inconscientemente, senti uma necessidade de “anunciar” um novo foco que justificasse minha saída do online. Quando fechei o blog, coloquei uma imagem de home para ele que dizia algo como “em breve, os melhores posts do It estarão em um livro”, como se já estivesse tudo certo e programado. O que muita gente não sabia é que eu não tinha a menor ideia de como realizaria esse desejo nem mesmo alguma perspectiva concreta para isso. Mas dizem que a gente acaba formando a energia com nossas palavras e menos de um mês depois fui procurada por uma editora interessada em publicar o tal livro! Exatos quatro meses depois do encerramento do blog, eu fazia a primeira noite de autógrafos, em dezembro de 2010.

entrevista ale Garattoni

Na verdade, eu já fazia! Entre 2010 e 2011 eu trabalhei como editora de texto da (extinta) revista RG Vogue. Continuei lá por uns seis meses e depois trabalhei um tempo dirigindo o marketing de um e-commerce de moda. Em 2012, tirei uma espécie de período sabático, engravidei e só voltei a trabalhar quando minha filha tinha um ano.

entrevista ale Garattoni
Mesmo na época em que eu não tinha blog, mantive-me sempre ativa em redes sociais. No fim de 2013 comecei um blog (mais uma vez, por puro hobby!) com meu nome, para escrever sobre tudo que me desse vontade. Ali comecei a escrever sobre branding de uma maneira didática, prática, democrática – tirando aquele “tecniquês” chato que normalmente dá o tom do conteúdo sobre o tema. Eu sempre havia usado, direta ou indiretamente, de forma pensada ou instintiva, as estratégias de branding (algo que era minha paixão desde os tempos de faculdade, ainda no fim dos anos 90) a favor da minha carreira e a favor dos projetos que desenvolvi. O ItGirls, por exemplo, foi possivelmente o primeiro blog a ter linhas de produtos comercializadas com sua marca (os colares ItGirls foram lançados em 2009). Senti que mais pessoas se interessavam pelo tema da maneira que eu o colocava e daí nasceu a ideia de levar o assunto para pequenos empreendedores e pessoas físicas, que estavam distantes deste universo. Lancei um projeto-piloto de workshop e a primeira turma, em agosto de 2014, teve vagas esgotadas em meia hora. Ali percebi que havia mesmo esse gap no mercado e resolvi mergulhar nele!

entrevista ale Garattoni
Sou 100% ciente de que o It me abriu muitas portas e fez com que muita gente conhecesse meu trabalho. Ele foi um exercício em vários aspectos para mim – lidar com público, trabalhar minha marca pessoal e, claro, conseguir um alcance para meu conteúdo. Hoje, já há participantes que conhecem a AG Branding sem ter a menor ideia do meu passado-blogueira de moda, mas o início do alcance – e origem do boca a boca – eu devo unicamente a pessoas que já me acompanhavam por causa do It. E ter criado a marca ItGirls também acaba sendo, de certa forma, um aval para o que me proponho a ensinar hoje!
entrevista ale Garattoni
Quando o projeto foi rascunhado, no fim de 2013, a ideia era democratizar o formato de consultoria, ajudando pequenas marcas a se posicionarem e se comunicarem – principalmente no digital. No meio do caminho (quando já escrevia sobre o assunto), fui convidada para dar uma palestra, depois mais uma…. e aí lancei a ideia do workshop, que me permitia alcançar mais pessoas e tornar o universo ainda mais democrático. Os workshops são a fonte oficial de faturamento da empresa hoje, mas, dois anos depois do início, já começo a finalmente desenvolver novos formatos. O foco de tudo será sempre trazer mais pessoas para dentro desse universo e fazer com que elas tenham, com estas ações estratégicas, mais resultado em seus negócios e em suas carreiras.

entrevista ale Garattoni

A AG Branding hoje já se tornou uma marca independente da minha marca pessoal e, por isso, neste mês lanço um novo site que vai levar para dentro dele todo o conteúdo relacionado a branding e empreendedorismo. Isso vai me permitir dar mais foco e direcionamento também a minha segunda marca (que, casa de ferreiro espeto de pau, andava negligenciando o posicionamento focado!), a que leva meu nome e hoje está em forma de blog, redes sociais e licenciamento de produtos (depois de um intervalo, lancei minha primeira linha pós-ItGirls, uma coleção de organizadores de escritório em parceria com a Hubby). Divido meu tempo de trabalho entre a produção de conteúdo e a organização de workshops e palestras.

entrevista ale Garattoni

Porque é o que torna único mesmo o que todo mundo já faz! Em um mundo no qual todas as áreas têm tanta concorrência, se diferenciar é a única possibilidade de ter retorno. Não importa se você é uma pessoa física em carreira corporativa ou se tem uma empresa de produtos, é preciso fazer com que o mercado queira a SUA marca, não apenas a funcionalidade que você oferece como serviço ou produto.

entrevista ale Garattoni

Acredito que seja uma mesma fórmula que se aplica a todas as áreas: seja curioso, absorva o máximo de repertório e comece a produzir de alguma maneira!

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