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Girls Against Girls: Até Quando Veremos Mulheres Oprimindo Umas as Outras?

por Carol Carlovich

Jornalista renomada e ex editora chefe da edição britânica da revista Vogue, Alexandra Shulman escreve periodicamente para o Daily Mail, um dos maiores veículos jornalísticos da Grâ-Bretanha. No último domingo (28), no entanto, a jornalista decidiu utilizar sua coluna, a "Alexandra Shulman's Notebook", para tratar de um assunto um tanto quanto desnecessário e muito ofensivo. Com o título "Me desculpe, Helena Christensen, você É muito velha para usar isso", percebemos que o artigo se encaminha para um lugar ao qual tanto queremos, como mulheres e feministas, nos afastar. 

A matéria se inicia com um daqueles elogios que, sabemos, trará alguns poréns. A jornalista comenta como Helena Christensen, a modelo dinamarquesa de 50 anos e alvo de sua crítica, é "a mais estilosa e pouco estimada entre as supermodelos. No auge de sua carreira, ela sempre aparecia esplêndida em um vestido simples e sapatos baixos, não usava maquiagem e gostava de sair com suas amigas. Então, por que na semana passada, aos 50 anos, ela decidiu se apresentar na festa de aniversário de 24 anos de Gigi Hadid em um top brega de renda preta?

 

A pergunta parece um tanto quanto absurda ao pararmos para considerar seu contexto: o século XXI, mais precisamente 2019, um solo extremamente fértil para o feminismo e para a sororidade que, nas redes sociais, encontrou eco e ressoa entre mulheres de todas as idades, classes e raças. Muitas críticas já foram corretamente direcionadas a Alexandra e ao seu comportamento - tão retrógrado e ofensivo - inclusive por quem foi seu alvo, a própria modelo. Mas afinal, o que esse comportamento diz sobre o feminismo atual? Por que achamos que estamos caminhando para um lugar melhor e, de repente, sentimos algo como que um tranco, uma corda que ainda nos prende a concepções antiquadas e - surpresa: quem a manuseia é uma mulher?

A verdade é que o feminismo é, e sempre será, feito para as mulheres. Não importa o quão abrangente, instagramável, comercial e atrativo ele se torne, sua essência é a liberdade feminina. A escolha de poder ser, falar, usar o que quisermos, sem medo de sermos diminuídas, oprimidas ou odiadas por isso. E quando uma mulher se utiliza dessa liberdade para puxar a corda de outra mulher, a visão é no mínimo triste e preocupante. Até quando viveremos em um mundo em que frases como "Mulheres Apoiam Mulheres" são postadas, mas não são colocadas em prática? O feminismo é feito por mulheres e para mulheres. Que aprendamos a educar nosso olhar ao olharmos umas para as outras. Afinal, nessa jornada, o respeito e apoio que tanto lutamos para conseguir na sociedade, no mercado de trabalho e em nossas famílias nasce - só pode nascer - primeiro em nós mesmas. 

Abaixo, Helena nos ensina uma grande lição: respondeu, com muita classe, à uma publicação da ex editora da Vogue em seu instagram pessoal, deletada minutos depois:

Helena Christensen - feminismo - feminismo - feminismo - resposta
Foto: Instagram

Tradução livre:

"Estou muito desapontada com a sua escolha de escrever esse artigo. Ele SÓ reitera e perpetua essas opiniões antiquadas. Eu não comento sobre o seu estilo pessoal, porque NÃO é assim que mulheres deveriam tratar outras mulheres. Também não é como eu costumo agir. Eu NUNCA esperaria isso vindo de você. Eu não poderia ligar menos para a sua opinião sobre o meu top vintage, mas eu sinto que sua opinião comprida e mal-orientada do que você considera "apropriado para minha idade" é basicamente uma forma de me colocar pra baixo e depois reclamar sobre o machismo relacionado a idade no resto do seu artigo."

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