Harry Styles Eras: tudo por trás da evolução de estilo do príncipe do pop 

por Sophia Cavallaro

O show do nosso divo do pop está chegando e, como uma fã assumida, confesso que essa época sempre me deixa nostálgica, revisitando toda a trajetória do cantor. E, nesse processo, tem um detalhe que é impossível ignorar: a evolução do estilo de Harry Styles.

Desde os 16 anos sob os holofotes, Harry acompanhou — e ajudou a construir — algumas das maiores tendências de moda da última década. Sua influência vai muito além da música e se consolidou também no universo fashion. O mais interessante dessa trajetória é que, em cada fase, ele encontrava uma forma de traduzir sua personalidade nas roupas: dos famosos lenços da frat boy era às botas de cano curto que marcaram a época de “Drag Me Down”.

E tudo isso aconteceu enquanto o cantor ainda lidava com uma imagem cuidadosamente construída pela indústria, marcada por contratos e restrições que o enquadravam como mais um “garoto de catálogo”. Com o passar dos anos, Harry transformou essa narrativa e passou a ser reconhecido como um dos maiores ícones da moda sem gênero da atualidade, usando o estilo como uma extensão da própria identidade.

Ok, eu sei que já deu para perceber que estou completamente obcecada por ele. Mas agora vamos ao que interessa: revisitar cada uma das eras de Harry Styles e entender como elas ajudaram a construir o príncipe do pop — e da moda — que conhecemos hoje.

É impossível falar da evolução de estilo do Harry sem voltar para a One Direction. E não, não estou falando apenas dos blazers coloridos e das gravatas-borboleta que toda boyband dos anos 2010 parecia usar (inclusive, olhando hoje, é quase um surto coletivo da moda daquela época).

No começo, Harry seguia o uniforme do grupo, mas bastava prestar um pouquinho de atenção para perceber que ele sempre dava um jeito de colocar alguma coisa ali que era muito dele. Primeiro vieram as botas Chelsea, depois os anéis de prata, as camisas estampadas cada vez mais abertas e, claro, os lenços e bandanas que acompanhavam aquele cabelo comprido que dividia opiniões na internet inteira. Eu, particularmente, nunca entendi quem era contra, e rezo para um dia voltar. 

O mais interessante é pensar que tudo isso acontecia enquanto ele ainda fazia parte de uma das maiores máquinas do entretenimento pop. A estética precisava funcionar para cinco integrantes ao mesmo tempo, mas Harry encontrava pequenas brechas para mostrar personalidade. Hoje parece óbvio que ele se tornaria um ícone de moda, mas, naquela época, esses detalhes eram quase pequenos sinais do que ainda estava por vir.

Confesso que essa talvez seja uma das minhas eras favoritas. Existe alguma coisa muito bonita em assistir alguém finalmente descobrir quem é, e acho que foi exatamente isso que aconteceu com Harry quando lançou o primeiro álbum solo.

A parceria com Harry Lambert começou praticamente junto dessa nova fase e mudou completamente a forma como o cantor se apresentava ao mundo. Logo depois veio a Gucci de Alessandro Michele, que parecia ter sido criada pensando nele. Sabe quando roupa e pessoa simplesmente fazem sentido juntas? Era exatamente essa sensação.

Os ternos de brocado, os florais, as calças flare, as botas de salto e a alfaiataria inspirada nos anos 70 não pareciam fantasias de palco, muito pelo contrário, Harry conseguia sair de um hotel usando um terno lilás cheio de bordados como se fosse a coisa mais básica do planeta. E talvez esse seja o verdadeiro segredo do estilo dele: ele nunca parece estar interpretando um personagem.

Também foi nessa fase que ele começou a ter como referências Mick Jagger, David Bowie, Elton John e Prince. Mas o mais legal é que, em vez de copiar esses artistas, Harry conseguiu transformar todas essas inspirações em uma identidade que hoje é completamente reconhecível.

Se o primeiro álbum apresentou um novo Harry, Fine Line fez dele um fenômeno da moda. E eu nem estou exagerando.

Foi nessa época que um simples cardigan da JW Anderson virou objeto de desejo no mundo inteiro e acabou reproduzido por milhares de pessoas durante a pandemia. As pérolas deixaram de ser apenas um acessório e viraram praticamente uma assinatura. As unhas coloridas passaram a aparecer em praticamente todos os eventos. E, de repente, um monte de gente começou a perceber que roupas não precisam seguir regras tão rígidas assim.

A capa da Vogue americana merece um capítulo à parte. Harry foi o primeiro homem a aparecer sozinho na capa da revista usando um vestido criado por Harris Reed e, mesmo com toda a discussão que surgiu depois, ele nunca pareceu interessado em responder às críticas. Acho isso muito interessante porque, enquanto muita gente discutia se um homem podia ou não usar vestido, ele simplesmente… vestia.

Talvez seja por isso que essa é uma das eras mais marcantes da carreira dele. Ele mostrou que moda também pode ser uma ferramenta de liberdade. E, convenhamos, poucas pessoas conseguiram influenciar tanto o jeito de vestir de uma geração inteira quanto Harry fez nesse período.

Acho que essa é a era que melhor resume a personalidade dele: completamente imprevisível.

Nos palcos da Love On Tour, Harry entregava um desfile diferente a cada noite. Macacões de paetês, boás de plumas, estampas de morangos, cerejas, listras, losangos… sinceramente, metade da graça da turnê era esperar para descobrir qual seria o look seguinte. E quem foi aos shows sabe que isso virou parte da experiência: os fãs também apareciam produzidos como se estivessem entrando naquele universo.

Agora, fora do palco… parecia outra pessoa. Enquanto todo mundo esperava um visual extravagante, Harry saía para tomar café usando moletom, casacão oversized, boné, óculos vintage e os famosos Adidas Samba ou Gazelle. Inclusive, arrisco dizer que boa parte da febre desses tênis também passa por ele.

E talvez seja exatamente essa dualidade que torne essa fase tão interessante. Harry nunca precisou parecer extravagante o tempo todo para continuar sendo uma referência de estilo, às vezes, bastava um jeans largo, uma camiseta branca e um casaco bem cortado para todo mundo querer copiar o look.

Se eu tivesse que resumir essa era em uma frase, seria: Harry descobriu que também fica incrível usando preto. Quem acompanha a trajetória dele sabe que isso já é uma mudança e tanto.

Depois de um período vivendo entre cidades da Europa, gravando no histórico Hansa Studios, em Berlim, e mergulhando na cena noturna da cidade, o guarda-roupa ficou mais sóbrio, mas nem um pouco sem graça. Os florais deram espaço ao couro, as cores vibrantes abriram caminho para preto, cinza e vinho, e a alfaiataria continua presente, só que muito mais afiada. E, sinceramente? Funciona muito melhor do que parece.

Nos shows dessa nova fase, Harry continua ao lado do stylist Harry Lambert e aposta em marcas como Prada, Celine, Valentino e Charles Jeffrey LOVERBOY, que ajudam a construir essa estética inspirada no universo clubber europeu. Os blazers estruturados aparecem com ombros marcados, as gravatas deixam de ser um acessório formal e passam a ser usadas quase como uma provocação fashion, combinadas com minishorts, couro, botas de boxe e sapatos robustos. É aquele visual que mistura officewear, indie sleaze e disco music, como se o Studio 54 tivesse sido transportado para Berlim em 2026.

A influência das pistas de dança também aparece na escolha dos tecidos. Muito couro, acabamento acetinado, transparências discretas e peças que acompanham o movimento do corpo, afinal, essa era parece ter sido feita para dançar. Não por acaso, o próprio álbum bebe da estética disco e eletrônica, e o figurino acompanha essa narrativa quase como uma continuação da música.

O mais curioso é perceber que, mesmo mudando tanto ao longo dos anos, existe uma coisa que nunca saiu do guarda-roupa dele: a vontade de experimentar. Harry nunca parece seguir tendências porque elas estão em alta, quase sempre acontece o contrário. Ele veste primeiro, a internet estranha por alguns meses… e, quando você percebe, todo mundo também quer usar.

E, no fim, acho que todo fã sempre fica querendo um pequeno “Taste Back”, seja das pérolas de Fine Line, dos macacões brilhantes da Love On Tour ou até das botas Chelsea da época da One Direction. Mas essa talvez seja a melhor parte de acompanhar Harry Styles: quando você acha que já entendeu qual é a estética dele, ele aparece com uma nova era e prova, mais uma vez, que a moda é uma das formas mais interessantes de contar uma história. Afinal, muito mais do que acompanhar tendências, Harry mostra que o jeito como a gente se veste também é uma forma de dizer ao mundo quem queremos ser.