Dessa vez o Steal the Look conversou com a diva sobre sua performance no filme musical O Beijo da Mulher Aranha. O romance de Manuel Puig e virou drama nas telas nos anos 80, ganhou vida nova na década de 90 como musical de Broadway, com trilha assinada pela dupla lendária Kander e Ebb. Depois de mais de trinta anos intocado, coube a Bill Condon transformá-lo, no filme musical. Jennifer Lopez vestiu os saltos de Aurora, seguindo os passos de Chita Rivera nos palcos e de Sonia Braga no cinema.
E colocar duas fãs de musicais uma na frente da outra é dar corda total. Em poucos minutos de conversa por videoconferência, JLo sentada no seu sofa de casa, compartilhou sobre seus sonhos antigos de interpretar Anita, Mama Rose e tantas outras heroínas de Broadway. Confira abaixo nosso papo exclusivo com Jennifer Lopez.

STL entrevista Jennifer Lopez
STL: Este é o primeiro filme musical de O Beijo da Mulher Aranha. O que significa para você trazer esse clássico de Kander e Ebb para um público maior?
JENNIFER LOPEZ: É emocionante, porque nos anos 80 fizeram o drama de O Beijo da Mulher Aranha baseado no romance, só depois, nos anos 90, Kander e Ebb escreveram a música para transformá-lo em musical na Broadway, depois a obra não foi mais adaptada. Até que Bill Condon decidiu fazer o filme do musical. Foi tão especial me colocar no lugar de Sônia Braga e de Chita Rivera, ao mesmo tempo que pude criar a minha própria versão. A forma como o Bill enxergou a personagem, também foi muito importante. Ele decidiu que a Aurora seria uma loira platinada, estilo Hollywood, tipo Lana Turner. Que a Mulher Aranha remeteria ao que a Chita fez na Broadway, com um pouco da Ingrid Luna, que era minha, fui descobrindo ela aos poucos. Essa é a parte da personagem com que mais me identifiquei, por ser artista e também atriz.
STL: A sua abordagem na música e dança como personagem é diferente da sua persona pública, JLO?
JENNIFER LOPEZ: É totalmente diferente. Quem já foi a um dos meus shows sabe, meu estilo no palco é forte, quase agressiva, com uma confiança que vem de anos fazendo aquilo. As minhas referências me levaram a ser alguém que grita no palco, que faz movimentos quase violentos. Minha massagista sempre me pede pra parar de jogar o cabelo e deslizar pelo palco daquele jeito (risos). Já em O Beijo da Mulher Aranha, é o estilo de teatro musical clássico. Tem um requinte, uma elegância diferente. É um jazz mais técnico, mais treinado. Por sorte, eu já tinha um pouco dessa linguagem no corpo desde criança, então foi mais como reencontrar a técnica do que aprender do zero. A primeira coisa que quis fazer na vida era musicais. Foi um processo bem diferente, de voltar para as marcações. Pensar menos em sentir e mais em que imagem estamos construindo em cena. E cada personagem pediu uma abordagem própria: a Aurora é diferente da Ingrid Luna, que é diferente da Mulher Aranha quando ela canta.
STL: A Broadway ainda está nos seus planos? É algo que você ainda gostaria de fazer?
JENNIFER LOPEZ: Consideraria, mas acho que precisaria ser nas condições perfeitas É muito trabalhoso. Talvez eu desse conta de cinco espetáculos por semana, oito eu não sei se aguentaria (risos). Mas sim, digamos que é algo que está na minha lista de desejos.
STL: E quais seriam seus papéis dos sonhos? Afinal, você pode fazer a versão de cinema e de teatro.
JENNIFER LOPEZ: Eu acho que não sou a pessoa certa para o papel, mas adoraria viver a Adelaide, de Guys and Dolls. Sempre quis fazer a Anita, de West Side Story, é claro. Amaria viver a Mama Rose de Gypsy. Tem tantas… Sei que já passei um pouco da idade para algumas, mas dá pra sonhar, né? Deus faz as coisas acontecerem das formas mais inesperadas, você nunca sabe. Só precisa colocar isso pro universo. Mas amo musicais, e tem muitos clássicos. Até a Sally Bowles eu gostaria de fazer. Chicago também.
STL: Acho que todos os Kander & Ebb valem explorar.
JENNIFER LOPEZ: Qualquer Kander & Ebb, todos. Acho que, sempre que a gente puder apoiar esse tipo de arte, é incrível. As pessoas não percebem o quanto amam musical até encontrarem um que se apaixonam de verdade.

