Moda e inclusão: tudo sobre o estilo da fotógrafa e ativista Maria Paula Vieira

por The Look Stealers

A moda sempre foi conhecida como uma janela de identificação de grupos, criando inclusão naquelas pessoas ali pertencentes, mas o que inclui muitas vezes pode também excluir. Procurar por peças de roupas que facilitam o dia a dia, mas que ainda esteja de acordo com as tendências, é um desafio para as pessoas com deficiência (PCD), e na verdade o maior desafio dessas pessoas é lidar com o preconceito, mas a Maria Paula Vieira quebra todos os tabus relacionados à causa e com muito estilo de sobra. 

A fotógrafa, influenciadora e jornalista de 28 anos utiliza suas redes sociais para falar sobre anticapacitismo, trazendo assuntos sobre sexualidade, vida profissional e claro, moda. Conversamos com Maria Paula Vieira, e ela compartilhou todas as dicas de beleza, moda e aspirações para o futuro e você confere tudo neste post.

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Foto: Maria Paula Vieira (Reprodução/Instagram)

Maria Paula iniciou como influenciadora há pouco mais de um ano, por ver a necessidade de falar mais sobre a sua vida e suas vivências, ela sabia que havia algo para compartilhar com as pessoas e tudo o que ela poderia acrescentar na vida delas e na de outras pessoas PCD. Com isso, entendeu que as redes sociais seria o melhor caminho, conta: “É através das redes sociais que eu me conecto com mais pessoas, levo adiante informações, falo sobre capacitismo. Faz um pouco mais de um ano que eu levei isso mais a sério, não confiava que eu poderia de fato influenciar as pessoas de alguma forma”.

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Foto: Maria Paula Vieira (Reprodução/Instagram)

Maria Paula Vieira viu também nas redes sociais uma maneira de mostrar o seu trabalho como fotógrafa, algo que ela ama e é uma ótima profissional, mas que muitas vezes as pessoas não acreditam em seu potencial por ser uma mulher cadeirante. Nas suas redes sociais ela divide o quão constante são os questionamentos das pessoas com relação a isso. Os preconceitos inseridos em nossa sociedade fazem com que as pessoas duvidem do talento dela, influenciando até mesmo na sua autoconfiança, revela: “A sociedade capacitista criou tanto a ideia de que pessoas com deficiências são incapazes ou inferiores que muitas vezes nós, de fato, acreditamos nisso. Quando eu quis ser fotógrafa, eu não me achava capaz justamente por ser cadeirante, por ter uma deficiência! Essa dúvida da sociedade ao me ver e a falta de representatividade no mercado, me fizeram acreditar que não seria possível. Mas estou aqui agora”.

A influenciadora e fotógrafa reforça a ideia de que ela não é um exemplo de superação, ela apenas ressignificou tudo que ouviu durante tanto tempo e não se deixou acreditar de que não era capaz, mas para isso é necessário uma rede de apoio. Maria Paula consegue realizar o seu trabalho graças aos locais acessíveis, com tecnologia de equipamentos que fornecem um alcance maior a ela e com ajuda de um assistente para facilitar a sua locomoção. “O mercado é vasto e há inúmeras formas de estarmos onde quisermos, mas precisamos de acesso e oportunidades”, enfatiza.

as mulheres da minha vida me inspiram muito também, como a minha mãe, irmã, amigas e até outras que já passaram por mim

Perguntamos à Maria Paula Vieira o que a inspira em seu trabalho e a sua primeira resposta foi que a procura pela sua inspiração fez parte do seu processo de empoderamento. Hoje, ela se inspira nela mesma, na sua história, alegrias e dores que viveu, no que queria ter visto quando mais nova e no que deseja para o futuro, além das mulheres que a rodeiam: “As mulheres da minha vida me inspiram muito também, como a minha mãe, irmã, amigas e até outras que já passaram por mim. Inclusive a exposição que criei "mães invisíveis", nasceu quando eu estava observando amigas com deficiência que são mães e o que elas vivenciam no dia a dia, o apagamento delas”, divide. 

E já que as mulheres a inspiram, perguntamos qual a maior dificuldade que ela encontra sendo mulher e PCD e uma das principais é uma que todas nós encontramos, a pressão que a sociedade impõe em seguir os padrões de beleza, normas de feminilidade e as regras sobre o que é ser ou não mulher, mas que sendo PCD isso aumenta ainda mais.  “A gente entra num padrão ainda maior, porque não conseguem ver beleza em mulheres com deficiência, não acreditam que mulheres com deficiência são bonitas, sensuais, tanto que muitas vezes o que mais ouvimos são preconceitos disfarçados de elogios como “nossa você é tão bonita, nem parece deficiente”. 

A partir disso, aumentam as ciladas em tentar encaixar em um padrão cada vez mais inalcançável, relata: “ A minha maior dificuldade como mulher com deficiência é mostrar que eu existo, que eu tenho a minha beleza, que eu sou capaz de conquistar o meu espaço ao mesmo tempo em que luto para que os nossos direitos sejam garantidos. E quando a gente fala em direitos a gente fala desde estar no mercado da moda, representadas em revistas, até direitos garantidos pela lei de ser protegida, de ser amparada, de ter direitos no mercado de trabalho, direitos esses que faltam muito pra gente conquistar e fazer valer”.

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O Instagram da Maria é repleto de fotos de looks lindos e, claro, perguntamos como ela define o seu estilo. Em respostas ela diz que hoje, após vários processos de autoconhecimento e passar por tantas fases à procura de seu estilo pessoal, Maria o classifica como casual e livre, exatamente como gosta de se sentir. Na hora de comprar sua roupas ela sempre segue o critério de escolha por peças que a ofereçam autonomia ao vestir, que não atrapalhem quando ela precisa fazer uma transferência da cadeira para outro local e, por ficar muito tempo sentada, ela prefere roupas que não a apertem e não possuam zíper, já que é difícil de vestir. Além disso, ela reforça a importância de lojas com acessibilidade: “se vou comprar uma roupa em uma loja física, eu sempre procuro por aquelas que se preocupam em ter um provador acessível para eu provar a roupa antes de comprar”.  

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Foto: Maria Paula Vieira (Reprodução/Instagram)

Além da necessidade de lojas acessíveis, Maria Paula Vieira sente falta de que as influenciadoras mostrem os seus looks sentadas, para que ela tenha noção de como eles ficarão nela. É essa falta de representatividade que faz Maria desejar a presença de influenciadoras, artistas e marcas PCD. 

Ao construir os seus looks, a prioridade sempre é o conforto: "Para construir os meus looks eu sempre penso no meu conforto e praticidade no meu dia a dia, por ser cadeirante essa é minha prioridade. Mas também penso na minha cadeira como uma extensão do meu corpo, e ela faz parte da construção dos meus looks, paleta de cores e estampas”, relata. Uma peça que ela ama e sempre usa, são vestidos longos: “tenho uma coleção de vestidos longos, são práticos, leves e lindos. Sou apaixonada! Tenho amigos que até estranham quando me veem de calça”, relata aos risos.

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Maria Paula Vieira amo fazer a sua rotina de skincare e, por ter uma pele seca, ela preza sempre pela hidratação, junto com uma massagem facial. E a regra é clara: nunca dormir de maquiagem. “Quando uso maquiagem não durmo sem antes retirar bem. Eu utilizo o sabonete da Johnson líquido de glicerina e água micelar da La Roche Posay. Gosto muito de usar água termal, também da La Roche Posay, é um produto que sempre uso. E para hidratar a pele eu uso o creme nutritivo da Nivea ou da Eucerin". 

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Foto: Maria Paula Vieira (Reprodução/Instagram)

Já que falamos sobre maquiagem, a Maria relata que possui uma relação de amor com produtos de beleza desde a adolescência. Para ela, a maquiagem é uma ferramenta de realçar os seus traços naturais, assim como sua mãe a ensinou, conta: “hoje em dia o que não pode faltar é rímel, lápis marrom, que sinto que realça meus olhos, blush e batom. Um dos produtos que mais amo também é o batom vermelho, me sinto extremamente poderosa”. 

Nós amamos roubar as dicas de produtos e desejos das pessoas, e quando perguntamos à Maria qual o item de beleza que está em sua wishlist, ela conta: “estou louca para comprar os produtos da linha Rare Beauty da Selena Gomez, além de lindas, as embalagens foram pensadas para pessoas com menor força muscular.”

A Maria nos inspirou em vários sentidos e somos gratas que ela está nas redes sociais falando sobre assuntos tão importantes. Se você também gostou e já está doida para seguir ela no Instagram, é só correr no perfil @maaria_vieira.

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