O que é menopausa precoce? Entenda os sintomas, riscos e cuidados necessários

por Karen Merilyn

A menopausa precoce atinge cerca de 1% das mulheres. No entanto, apesar de rara, ela exige cuidados especiais e muita atenção ao corpo para um diagnóstico precoce e um tratamento adequado, já que ambos fazem total diferença na saúde física e mental da mulher. 

Para esclarecer mais sobre o assunto, conversamos com a Dra. Carla Iaconelli, ginecologista e obstetra, que compartilhou algumas informações importantes sobre a menopausa precoce.

Mulher de blusa preta justa com textura plissada cobre o rosto com a mão, transmitindo introspecção e delicadeza
Foto: Claire Most (Reprodução/Instagram)


tudo sobre a menopausa precoce

o que é a menopausa precoce

Segundo a Dra. Carla, a menopausa precoce acontece quando a mulher para de menstruar antes dos 40 anos por falência ovariana, com muitos casos identificados entre os 35 e 39 anos. “O diagnóstico é feito após 12 meses consecutivos sem menstruação, associado a exames que mostram elevação persistente do FSH e queda dos níveis de estrogênio. Não é apenas um atraso menstrual é uma perda da função ovariana antes do tempo esperado", explica.

principais causas

As causas podem ser:

  • Genéticas
  • Autoimunes
  • Tratamentos como quimioterapia e radioterapia
  • Cirurgias ovarianas
  • Doenças metabólicas

“Em muitos casos, infelizmente, não encontramos uma causa definida”, esclarece a médica.

sintomas

Os sintomas são muito semelhantes aos da menopausa tradicional: ondas de calor, alterações de humor, insônia, ressecamento vaginal e queda da libido. “O que costuma ser ignorado é a irregularidade menstrual persistente em mulheres jovens. Muitas acreditam que é ‘estresse’ ou algo passageiro", diz a ginecologista.

Mesa clara com copo de vidro texturizado contendo água e rodelas de limão ao lado de prato branco com comprimidos coloridos
Foto: Menopausa precoce (Pinterest)

principais riscos à saúde a longo prazo 

A falta precoce de estrogênio aumenta o risco de:

  • Osteoporose
  • Doença cardiovascular
  • Alterações cognitivas
  • Impactos emocionais importantes

“Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado fazem toda diferença", conta a Dra. Carla Iaconelli. 

como é o acompanhamento para a menopausa precoce

O acompanhamento é diferente da menopausa em idade normal. “Como essas mulheres ainda estariam, biologicamente, em idade reprodutiva, o foco é proteger ossos, coração e saúde mental por mais tempo. Muitas vezes indicamos terapia hormonal até a idade média da menopausa natural (em torno de 50 anos), salvo contraindicações", explica.

Para lidar com a condição, na maioria dos casos, é indicada a terapia hormonal, especialmente quando não há contraindicações. “Hoje trabalhamos com protocolos individualizados, doses personalizadas e diferentes vias de administração (gel, adesivo, oral). O tratamento precisa ser feito com acompanhamento médico rigoroso". 

menopausa precoce x infertilidade 

De acordo com a médica, ter menopausa precoce não significa infertilidade absoluta, mas a fertilidade fica bastante comprometida. Em alguns casos raros pode haver ovulação esporádica.

Cada caso precisa ser avaliado com muito cuidado, mas há algumas opções para quem deseja engravidar, sendo elas:

  • Tentativa com óvulos próprios, se ainda houver reserva
  • Fertilização in vitro
  • Ovodoação (quando não há mais óvulos viáveis)
Corpo feminino veste top e legging branca em tecido liso, mãos seguram meio fruto vermelho simbolizando menopausa precoce
Foto: Sanne Vloet (Reprodução/Instagram)

prevenção 

Quando a causa é genética ou autoimune, não há prevenção. No entanto, é possível preservar fertilidade antes de tratamentos oncológicos, por exemplo, com congelamento de óvulos ou embriões. “O acompanhamento ginecológico regular também ajuda a identificar alterações precocemente", conta a Dra. Carla.

 

Por fim, o mais importante é estar atenta aos sinais do corpo e ao ciclo menstrual, já que o tratamento precoce é essencial. "Menopausa precoce não é apenas sobre fertilidade, é sobre saúde global. E informação é poder: quanto antes buscamos orientação, mais qualidade de vida conseguimos preservar", finaliza a ginecologista.