O que Alexa Chung, Zoë Kravitz e Kate Moss têm em comum? Além do status de ícones de estilo, o trio também compartilha o gosto por um modelo de casaco que é aposta para 2026.
Estamos falando do opera coat, ou casaco de ópera, tradicionalmente feito em tecidos nobres como cetim, seda ou tafetá, trabalhados com bordados delicados ou em brocado e arrematados por detalhes de pelúcia na gola e nos punhos.
Apesar de lembrar os casacos afegãos de espírito folk, típicos dos anos 70, a proposta aqui é mais antiga e refinada, datando do fim do século XIX. Sua popularidade cresceu no início do século passado pelas mãos de couturiers como Paul Poiret, mantendo-se em evidência nas décadas de 20 e 30, em sintonia com o movimento art déco e com aquele clima levemente decadente do período entre guerras.
Também chamado de robe, por carregar uma aura meio boudoir, ele vem em formatos distintos, podendo ser longo, cropped, com caimento amplo e shape às vezes circular ou em formato de capa. O nome não vem apenas do toque teatral que empresta aos looks, mas sim de suas origens e função inicial: concebido para ser usado como cobertura de looks formais para frequentar concertos de ópera ou balé.
Ao longo dos anos, diversos designers criaram suas interpretações do opera coat, como Christian Lacroix, Romeo Gigli, Anna Sui e, mais notavelmente, John Galliano, que apresentou diversas versões durante os anos 90.
O timing atual é resultado de um pot-pourri de influências: do crescente fascínio por releituras de época nas passarelas, ao resgate do romantismo de outrora, passando pelo olhar cada vez mais forte para a Ásia, a busca por individualidade e a nostalgia inescapável que parece não ter fim. A tendência é uma evolução da vibe maximalista e da opulência moderna que vêm tomando conta, no embalo das jaquetas militares e de designs adornados por nós chineses e referências ornamentais de matriz oriental e histórica.
Também dá para perceber no ar uma vontade de se arrumar novamente e cultivar um senso de ocasião. Não é por acaso que acessórios tipo chapéu pillbox, luvas e broches têm viralizado. Tudo indica que cada vez mais elementos decorativos, considerados “old school” ou antiquados, voltem aos holofotes, fomentando o mercado vintage e agradando um público ainda nichado, mas fiel e em constante crescimento.
Nas passarelas, marcas consagradas como Valentino, Chloé e Erdem vêm apostando na peça, assim como nomes mais novos na cena, como Conner Ives, um dos principais entusiastas. Seu modelo, usado por Kate Moss e Zoë Kravitz, é best-seller. Ives reaproveita tecidos e bordados para criar suas peças, apostando no upcycling, muitas com referências à dinastia Qing (1644–1911).
Fãs das irmãs Olsen pré-supremacia da The Row vão lembrar da época em que Mary-Kate Olsen era adepta de um indie sleaze de luxo que incluía bastante vintage histórico. Nível peça de museu mesmo. No Met Gala de 2013, ela surgiu usando um opera coat da Balmain por cima de um vestido Chanel, que até hoje é um de seus looks mais lembrados.
Margot Robbie usou um modelo vintage de Galliano do início dos anos 90 durante a turnê de divulgação de “O Morro dos Ventos Uivantes”.
Zoë Kravitz optou por combinar o seu com um slip dress bem leve, mesclando a exuberância da peça com algo mais delicado.
À primeira vista, pode parecer um item desafiador de usar, mas na verdade é daquelas compras statement que são surpreendentemente versáteis e permitem inúmeras combinações. Ajuda a elevar uma composição básica, assim como é absolutamente apropriado para momentos formais. O modelo também circula bem entre estações: se adequando a temperaturas amenas, momentos noturnos ou períodos de transição entre verão e outono ou inverno e primavera, justamente pela variedade de tecidos em que pode ser confeccionado.
Alexa Chung elegeu uma versão mais volumosa, adicionando drama.
Com jeans, é ingrediente certeiro para transformar a produção de básica em algo especial.
Kate Moss também é adepta de usar o seu exemplar preto com jeans, super cool.
O clima opulente inerente à peça faz com que fique ainda mais elegante quando aliada a comprimentos maxi.
No tapete vermelho, Jennifer Lawrence usou um modelo caído no ombro por cima de um vestido preto clean.
No black tie, ele cai bem com complementos igualmente luxuosos.
Bateu vontade de ter um? Além de ser daqueles itens ideais para garimpar em brechós, também dá para recriar o efeito com uma gola de pelo removível por cima de um casaco ou xale de material mais elaborado.
