Planejamento financeiro: quanto ter e como investir pensando na aposentadoria

por Vitória Fernandes

A expectativa de vida das mulheres brasileiras vem avançando de forma significativa com o passar dos anos. Segundo os dados mais recentes do IBGE, de 2024, nós viveremos, em média, até os 79,9 anos, o que representa um aumento de 31% em relação aos dados de 1940, quando o órgão deu início às medições. 

As perspectivas são positivas. Mas, como chegar lá com saúde e segurança financeira? Para Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, existem alguns passos a se seguir. 

O primeiro é entender que nosso ciclo de vida é muito semelhante a um ciclo econômico e financeiro: existem momentos de acúmulo de dinheiro, como a fase entre os 30 e os 60 anos, e momentos que exigem mais gastos, como a terceira idade. 

“É claro que essa fase de acumulação acaba se estendendo neste momento em que as pessoas vivem muito mais, têm mais saúde e acabam trabalhando por mais tempo ao longo da vida”, explica Rachel. “Mas também é importante entender que vai chegar um momento em que a gente vai gastar mais do que arrecada do ponto de vista da renda que vem do trabalho. Como estar preparada para isso?”

Para responder essa pergunta, ela afirma que é preciso levar alguns fatores em consideração:

  • Você vai querer deixar uma parte do seu patrimônio como herança ou gastará tudo em vida? 
  • Qual é o seu custo de vida hoje? (Aluguel, plano de saúde…) 

Com esses números em mente, faça um planejamento incluindo uma média de 5% de inflação ao ano, para que, daqui há 20 anos, esse valor não esteja defasado. 

“Lembre-se de considerar que, na aposentadoria, você gasta mais com algumas coisas, como plano de saúde, e menos com outras, como filhos. Então, de novo, isso vai ser muito pessoal. Mas é importante sentar, fazer essa conta na ponta do lápis ou no Excel e não esquecer de considerar a inflação”, diz Rachel. 

Com esse cálculo feito, é hora de construir a sua reserva de emergência. Esse valor deve representar entre seis e 12 meses do seu custo de vida. Com ele, você terá liberdade de mudar de trajeto, sem se prejudicar financeiramente. 

Depois, é hora de organizar os seus objetivos. E um deles deve ser o longo prazo. 

“Quando você olha para esse longo prazo, o importante é deixar investido aquele dinheiro que você não vai mexer. Hoje, ele pode não representar uma grande fatia do seu patrimônio, mas tá tudo bem. O objetivo é ir construindo isso ao longo do tempo”, explica ela. 

“Então eu diria que, depois de construir a reserva de emergência, já vale separar uma parte do dinheiro para a aposentadoria, algo entre 10% e 15% do patrimônio”, complementa. 

E agora, onde investir? 

Segundo a especialista, a previdência é um veículo muito interessante porque tem vantagens tributárias. Mas vale lembrar que ela é uma modalidade, um veículo de investimentos, o que significa que existem diversos fundos de previdência e é preciso escolher entre eles. 

“Hoje, praticamente todos os tipos de investimento podem ser acessados nesse formato, o que é muito bacana. A indústria evoluiu muito. E existe, sim, um incentivo tributário para quem deixa esse dinheiro investido por muito tempo”, conta. “Por isso a Previdência é importante. No longo prazo, ela tende a ter uma menor tributação”. 

Outra opção recomendada é o Tesouro Renda+, produto do Tesouro direto que é corrigido pela inflação. Ele tem várias opções de vencimento e, se você escolher uma data longa, começará a receber pagamentos periódicos após aquela data. 

Existem alguns formatos desse Tesouro Renda+ e, com certeza, algum deles se encaixa nas suas necessidades. 

“Existem vários veículos e produtos para pensar na aposentadoria. E, de novo, vai depender muito da sua realidade. Você tem casa própria? Mora de aluguel? Muitas dessas decisões são muito pessoais. O importante é que tudo isso faça parte de um planejamento financeiro mais amplo”, diz Rachel. 

Para ela, no fim do dia, não é necessariamente sobre ter dinheiro ou não, mas sim sobre tocar no assunto, quanto antes, melhor. E não tem problema delegar essa função para um especialista, desde que você tenha autonomia sobre suas próprias finanças, algo que muitas mulheres perdem ao longo do tempo. 

“Muitas mulheres trabalham, têm o seu dinheiro, mas quem faz a gestão é outra pessoa. Eu sou super a favor de delegar essa função para um profissional, para alguém que efetivamente trabalhe com isso. Mas uma coisa é delegar para um profissional; outra é simplesmente dizer: ‘Ah, eu não quero olhar para isso’”. 

Para ela, é nítido que, se as mulheres não começarem a pensar nesse futuro e investir nele, muitas precisarão depender de relacionamentos e empregos que não gostam ou não querem, por falta de autonomia financeira. 

“E elas acabam nunca conseguindo ter aquele descanso da mente e do corpo tão merecido lá no futuro”, concluiu Rachel.