Precisamos falar sobre: a volta do size 0 para a moda e a obsessão com a magreza

por Giulia Coronato

Desde os anos 60, o corpo magro é considerado o padrão de beleza ideal para mulheres. Com o tempo, isso foi se intensificando, e no início dos anos 2000, o culto à magreza foi tão grande, que se tornou uma preocupação pública mundial. As palavras “size 0”, isto é “tamanho 0” - se referindo aos tamanhos de roupas tão pequenas que não possuem numerações - começaram a aparecer nas manchetes dos jornais, muitas vezes no contexto do crescimento do número de distúrbios alimentares e casos de morte de modelos envolvendo as doenças. 

Se olharmos para os anos 2000, veremos que a estética da moda como em todo, girava em torno da magreza, as tendências Y2K só eram valorizadas e aceitas em corpos magros - pense na cintura super baixa, no cós estreito ou nas saias que mais pareciam um cinto -, e a magreza em si, era a tendência. A “tendência da magreza” foi tão grave no início da década, que modelos estavam adoecendo e até morrendo pela busca incessante e inalcançável do size 0

Alimentada por imagens de modelos perigosamente magras na passarela e em todo lugar, a onda de preocupação que se seguiu foi concreta o suficiente para ter consequências reais, produzindo debates, mudanças e até leis para proteger jovens mulheres desse culto à magreza. Mas, vinte anos depois, parece que todo o furor e a preocupação - necessários! - em torno do size 0, foram por água abaixo, e hoje estamos vivendo um possível e aterrorizante retorno a esses dias sombrios.

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Foto: Bella Hadid (Reprodução)


Passamos por anos de muito progresso e aceitação em relação aos corpos das mulheres na moda, graças a movimentos como o body positive e nomes como Ashley Graham, Paloma Elsesser e Precious Lee. Passados são os dias em que meninas tinham que passar fome para ter uma mínima chance de fazer sucesso ou ser considerada apropriada. A indústria nos fez acreditar que todo mundo tinha uma chance e que a moda era sim para todos os corpos. Porém, apesar de todo o progresso feito quando se trata da inclusão, há sinais reais e preocupantes de que as coisas podem estar regredindo. 

Muitos colocam a culpa no atual renascimento e boom dos anos 2000. É possível que o retorno das maiores tendências Y2K possam estar contribuindo para um desejo incessante pelo tipo de corpo que era valorizado na virada do milênio, o size 0

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Foto: Miu Miu (Reprodução/Vogue Runaway)

Um grande exemplo atual da volta da valorização do corpo magro alinhado com as tendências dos anos 2000, foi a febre do polêmico conjunto da Miu Miu. Composto por uma saia minúscula com cinto e um top que quase deixava o under boob aparente, tudo cortado nas menores proporções possíveis. O conjunto foi usado por todas as fashionistas, de Nicole Kidman até Zendaya, Hailey Bieber, Bella Hadid e Emily Ratajkowski. O modelo é nitidamente feito para chamar a atenção para o corpo, principalmente as pernas e a barriga. É claro que não há necessidade de essas pernas e estômago serem magros e alongados, mas para a grande maioria de modelos, influenciadoras e celebridades, o look da Miu Miu - e muitos outros que se tornaram tendência em 2022 - se tornou uma roupa usada para emoldurar seus corpos magros, até porque, se você possui um corpo maior, é muito provável que você não encontre seu tamanho nas marcas de luxo, o que nos faz pensar: “será mesmo que essa roupa é feita para todo mundo?”.

A modelo plus size, Paloma Elsesser, usou a minissaia da Miu Miu na capa da i-D Magazine, provando que sim, o conjunto pode - e deve - ser usado por corpos maiores, mas, ao mesmo tempo, a marca não oferece a saia no tamanho dela e teve que fazer uma customizada para o ensaio. Então, até que ponto isso é inclusão? 

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Foto: Kim Kardashian (Reprodução)

Outro exemplo recente da preocupante volta ao size 0 e a valorização da magreza extrema, foram as mudanças corporais das Kardashians. A família, que ficou conhecida por seus corpos cheios de curvas - e liderou milhares de mulheres ao redor do mundo que não possuíam aquele padrão size 0 -, apareceu, praticamente da noite para o dia, com os corpos extremamente magros e pequenos. Kim e Khloé estão parecendo cada vez mais magras ultimamente, levando os fãs até a especularem que ambas reverteram seus preenchimentos de bumbum e seios. No Met Gala desde ano, Kim se gabou de sua dieta perigosa, que a fez perder 16 quilos em três semanas para caber no icônico vestido de Marilyn Monroe.

Será que tudo isso é uma coincidência? É claro que não. Infelizmente, estamos vendo um retorno da indústria a um lugar onde a magreza era valorizada e há pouco que podemos fazer a respeito.

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