Rebranding: afinal, qual a importância do design na identidade da marca?

por Amábile Zióli

Bater o olho em uma logo, cor ou tipografia e imediatamente pensar em uma marca é o sinal de que o branding deu certo. É claro que a gestão estratégica envolve muito mais, mas garantir que a identidade do negócio se conecte ao público é um dos grandes objetivos do processo. Mas e quando o visual não transparece mais o que a marca quer passar? É aí que o rebranding acontece.

mas afinal, o que é o rebranding?

O rebranding é uma estratégia de marketing que altera elementos de uma marca, como nome, logotipo, design ou tom de voz para criar uma nova identidade e mudar a percepção do público e do mercado. No entanto, o processo vai muito além das alterações visuais — ele também muda a essência da marca.

E quando o rebranding se torna necessário? 

Existem várias respostas para essa pergunta: o rebranding pode ser uma alternativa interessante quando o negócio precisa de uma repaginada. Entre os principais motivos, estão: mudança de posicionamento, novo público-alvo, expansão de mercado, marca desatualizada, crise de imagem, fusões ou aquisições, diferenciação da concorrência, baixo desempenho e mudança de propósito ou valores.

a importância do design para marcas

De acordo com dados da Deloitte, empresas que investem em construção consistente de marca têm até 2,5 vezes mais probabilidade de manter crescimento sustentável no longo prazo. O design é parte essencial na formulação de um negócio, afinal, é uma forma de comunicar através de imagens e outros elementos visuais. Esse é, muitas vezes, o primeiro contato entre a marca e o consumidor. 

Já ouviu a frase “uma imagem vale mais que mil palavras”? Pois é, essa afirmação se comprova porque o cérebro humano é extremamente rápido na identificação de imagens. Um estudo do MIT demonstrou que conseguimos identificar conteúdos visuais em 13 milissegundos, 20 vezes mais rápido do que a visão normalmente absorve outras informações. Aqui entra a importância de uma identidade visual forte — muitas vezes, mesmo sem qualquer descrição ou mesmo antes de sabermos o nome das marcas, já as associamos a um símbolo.

Rebranding elegante em rosa e azul-marinho com metalizado cobre, monograma BT e modelo posa com joias; Texto: BRUNA TAVARES

Foto: Bruna Tavares (Reprodução/Instagram)

para a beleza, o caminho é comum

No mês passado, a marca Bruna Tavares passou por uma mudança de identidade visual depois de dez anos. Esse rebranding dividiu opiniões. Enquanto alguns consumidores acharam o design muito minimalista, outros apontaram a mudança como um ponto de virada no amadurecimento da marca.

Esse processo é recorrente nas marcas de beleza, principalmente em casos de mudança de nicho ou desvinculação de uma matriz, como foi o caso da Boca Rosa. A marca de Bianca Andrade passou pelo processo de rebranding após se desassociar da Payot, fabricante que patenteou a marca da influenciadora desde sua criação.

A identidade visual, então, passou do rosa ao cinza e adotou elementos minimalistas e simples, seguindo tendências de comportamento observadas nos últimos tempos. 

Algo parecido aconteceu com a L’occitane En Provence. A perfumaria francesa comemorou 50 anos em 2026 com um grande rebranding global, adotando o conceito de “Maison L’Occitane” e luxo minimalista. A marca reformulou identidades visuais, lojas físicas, SPAs e embalagens, além de relançar coleções com frascos premium e colecionáveis.

e no mercado de luxo?

A mudança de rota é válida até mesmo no mercado de luxo. A Burberry, por exemplo, após anos adotando uma estética minimalista, resgatou sua herança visual com uma fonte moderna e ícones clássicos da grife, como o cavaleiro equestre. A mudança aconteceu em 2022 a pedido de Daniel Lee, diretor criativo, que foi contra o rebranding proposto por seu antecessor, Riccardo Tisci, em 2018.

Na época, o líder colaborou com Peter Saville para a criação de um novo monograma e logotipo para a Burberry. O resultado, mais minimalista, incluia um monograma com as iniciais do fundador da marca, Thomas Burberry, assim como um novo logotipo em uma fonte sem serifa, que substituiria o logotipo do cavaleiro tradicional que a marca vinha utilizando em diferentes variações desde 1901.

O sucessor de Tisci, descontente com a mudança drástica, voltou atrás em menos de 5 anos. Saville afirmou que, no momento da decisão, a logo antiga não havia nem sido distribuida para todas as lojas ao redor do globo. 

A saga da Burberry resultou, inclusive, em uma discussão a respeito da tipografia comumente adotada por grifes. De acordo com John Whelan, do Business of Fashion, casas de moda como YSL, Balenciaga e a própria Burberry têm se esforçado para parecerem uma só, e a fonte não serifada seria uma das principais evidências.

Citando um artigo publicado pela Hypebeast, o designer explica que essa tipografia permite que as marcas sejam uma espécie de folha em branco, prontas para abraçar tendências rápidas que estão definindo o novo cenário do luxo.

nem sempre o rebranding agrada

Um dos cases de rebranding mais conhecidos foi o da Jaguar —  e não por um motivo muito bom. Em 2024, a montadora de carros exibiu um novo conceito para a marca: a identidade abandonava o felino tradicional e passava a adotar uma tipografia simples e moderna. De acordo com a Jaguar, a mudança refletiu a modernização da imagem e o desejo de atrair uma nova geração de consumidores, conversando com o futuro de veículos elétricos e inovações tecnológicas.

No vídeo de anúncio da campanha veículado no Youtube, é possível ver, por meio da sessão de comentários, que as modificações não foram bem recepcionadas pelo público. Apesar das críticas a nova identidade visual e aos veículos da marca, a Jaguar manteve a decisão e não voltou atrás. 

Agora conta pra gente, qual foi o rebranding que mais fez sentido para você?