TBT: Battle of Versailles

por Arthur Chini

Os rumos da moda em 1973 pareciam incertos. Ao mesmo tempo em que os designers franceses estavam no auge de sua fama e certamente dominavam a cena da moda mundial, havia uma certa inquietude, um desejo de mudança. Já se iniciavam os debates sobre o futuro e sobre a relevância da alta-costura, pois a mudança nos tempos pedia roupas mais práticas, feitas para o dia-a-dia. Hoje nós sabemos que a haute-couture segue firme e forte, e assim será enquanto houver pessoas absurdamente ricas que podem pagar por ela. Mas na época percebeu-se que havia espaço para uma revolução. 

Battle of Versailles 1

Um dos momentos cruciais nessa revolução, que colocou os designers americanos e seu sportswear no centro da indústria da moda, ficou conhecido mais tarde como a Batalha de Versailles. Esse momento icônico na história da moda voltou a chamar atenção nessa semana, quando a diretora Ava DuVernay anunciou que irá dirigir um filme recriando a Batalha. O tema faz todo sentido para Ava, pois o desfile em Versailles foi um dos primeiros na história a ter modelos negras (das 36 modelos americanas, 10 eram negras, numa proporção sem precedentes). 

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Tudo começou com a ideia de fazer um fashion show no Palácio de Versailles para arrecadar fundos, que seriam usados na revitalização do próprio Palácio. Foram selecionados os cinco maiores designers franceses - que também eram considerados os maiores do mundo: Yves Saint Laurent, Hubert de Givenchy, Pierre Cardin, Emanuel Ungaro e Marc Bohan da Christian Dior. E como o mercado americano na época já se consolidava como o maior consumidor de luxo no mundo, foram selecionados 5 designers americanos para apresentarem suas coleções junto aos franceses: Oscar de la Renta, Bill Blass, Anne Klein, Halston e Stephen Burrows. Na platéia, todo mundo importante da época: de Andy Warhol a Elizabeth Taylor e a princesa Grace de Mônaco.

Battle of Versailles 2

Quem estava presente é categórico: foi uma noite que mudou a moda. Os franceses vieram com seus sets elaborados, culminando numa caravana gipsy conduzida por rinocerontes no set da Ungaro, e com a performance sensual de Josephine Baker, na qual ela ficou quase nua. Até o momento, os fashion shows na França eram extremamente sérios, mesmo com sets extravagantes e over the top, pois eles aconteciam em silêncio, sem música. A revolução em 1973 veio com os americanos: eles apresentaram um show rápido, conciso, com abertura e fechamento feitos por Liza Minelli, que trouxe uma energia completamente nova. Enquanto os franceses estavam mirando em algo Marie Antoinette, os americanos criaram uma apresentação contemporânea, sem set design e que confiava bastante na performance das próprias modelos. 

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É considerado, atualmente, que os designers americanos venceram a noite, num momento de total ruptura: antes, designers como Oscar de la Renta e Bill Blass passavam anos tentando se mostrar dignos de Paris, já hoje os jovens designers americanos nem pensam mais nisso. O sportswear e o ready-to-wear americanos também ganharam a cena e entraram definitivamente no circuito da indústria, tanto que mais tarde até as semanas de moda foram divididas entre haute couture e ready-to-wear

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