Tudo sobre o Inverno 2026 da Chloé

por Beta Weber

Boho soa quase preguiçoso para descrever o inverno 26 da Chloé apresentado esta semana em Paris. Chemena Kamali redefine os contornos da estética que anda de mãos dadas com a marca desde sua origem, adicionando cores, referências e criando uma versão mais alegre e plural da mulher 70s, que nos últimos tempos vive um caso de amor com os anos 80 também.



Rústico, esportivo, feminino, tudo ao mesmo tempo, tudo redesenhado fora dos estereótipos. O folk guia o caminho, permeando cada look, visível nos bordados manuais, nos materiais como veludo e tricôs, na riqueza de texturas, cada peça imbuída de segredos que só se revelam de perto, como botões em turquesa e fechamentos especiais. Nos acessórios, flores esculturais, azulejos, louças delicadas e motivos equestres, já que cavalos são figuras importantíssimas da casa, complementam as composições. 

Modelos posam abraçadas com vestidos longos de Chloé em xadrez fluido, com babados e gola alta, em tons azul e rosa, clima
Foto: Chloe (Reprodução)

O artesanal se encontra no centro de tudo, informando a profusão de detalhes que passeiam por culturas diferentes e bebem muito da fonte tradicional da marca francesa, aquela vibe livre da mulher Chloé, exercendo tal liberdade na ausência de amarras e se permitindo transitar entre vários mundos. Os anos 60 e a cultura hippie influenciam as variações de quadriculados em combinações vibrantes, os cabelos mega longos enfeitados por joias e os óculos escuros redondos, mas principalmente através de seus valores de idealismo e senso de comunidade. 

O romance que vem crescendo na moda nos últimos tempos é presença forte, mas em interpretação autoral. A leveza dos vestidos que praticamente flutuam, os tules e as rendas de delicadeza etérea se esbarram com casacos e capas pesadas, volumosas, coloridas. Tem um quê de teatral nesse romantismo, evocando imagens de Kate Bush.

E apesar de alguns itens beirando o onírico, fragilidade não faz parte do mix, a começar pela paleta que mescla tonalidades suaves com vermelhos, mostardas e verdes acesos. A alfaiataria chega estruturada, trazendo disciplina aos vestidos ultrafemininos e equilibrando o açúcar das camisas decoradas com pequenos bordados. 

Modelos posam com peças Chloé em tons terrosos e pastel, combinando blazers oversized, camisa bordada e acessórios vintage,
Foto: Chloe (Reprodução)

Nem só de delicadeza se faz a proposta, com calças de couro ajustadas e até peças de pelúcia exageradas. Kamali também faz loungewear, com conjuntinhos de bloomers com botões laterais e calças e abrigos amplos elevados por babados na gola e nos punhos. É um feito e tanto interpretar imagens que poderiam ser demasiadamente lúdicas e torná-las desejáveis e adultas.

Inverno pede cobertura, mas de quais maneiras? Entre as camadas escolhidas, capas, ponchos, casacos de lã xadrez que envolvem o corpo, modelos acolchoados e em matelassê remetem ao universo boudoir, mas o resultado sempre leva para o campestre. Um convite para passar tempo na natureza independentemente das temperaturas.

Nos pés, botas acima do joelho forradas, assim como opções western, em uma leitura mais limpa do modelo cowboy, confirmam o desejo pela vida ao ar livre. Como vestimentas típicas holandesas estavam no moodboard da coleção, clogs não poderiam faltar. 

A convite do Shopping Cidade Jardim, fomos ao re-see da coleção para conferir tudo de perto.