Um chá de autoestima e amor próprio, por Nuta Vasconcellos

por The Look Stealers

A moda pode ser uma faca de dois gumes na construção da nossa autoestima e de nosso amor próprio. Precisamos viver em paz com nós mesmos e com nosso corpo se quisermos ter nas roupas uma grande aliada, capaz de nos jogar pra cima e nos expressar da forma mais divertida que tem. Sabemos que a jornada do amor próprio não é nada fácil e para alguns pode ser um longo caminho a ser percorrido, principalmente para nós mulheres.

Para conversar um pouco sobre autoestima, autoconhecimento e a importância de ter mulheres em posições de liderança, nós convidamos Nuta Vasconcellos, a co-criadora por trás do Chá de Autoestima, junto com Marie Victorino, uma plataforma com palestras, workshops e conteúdos diários sobre autoaceitação, que tem como intuito ajudar mulheres a colocarem a autoestima e o autoconhecimento em prática. 

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Eu acredito que a moda é uma faca de dois gumes na autoestima. Se você usa ela como bengala ou fuga vai estar sempre tendo crises de choro no provador ou fazendo dívidas no cartão de crédito, ou com um armário lotado de peças que não te representam, ou todas as opções acima! Eu acredito que para termos uma relação saudável com a moda precisamos entender antes de qualquer coisa que a moda é um paliativo da autoestima. Um paliativo delicioso, uma ferramenta de expressão da nossa personalidade, mas um paliativo. Quando a gente coloca as roupas no lugar delas, são apenas roupas, a gente se diverte mais e brinca mais com a moda. Toda relação quando é mais leve é mais gostosa.

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Foto: Nuta Vasconcellos (Reprodução/Instagram)
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Eu diria toda. É impossível falar sobre o verdadeiro amor próprio sem autoconhecimento. Como vamos amar o que não conhecemos? O que não entendemos, o que não respeitamos? Não percebemos, mas passamos anos sendo estranhas para nós mesmas. Apenas reproduzindo o que a sociedade ou a família espera de nós ou em uma luta eterna por aprovação alheia. Isso está tão entranhado em nós que muitas vezes nem percebemos que não somos de fato, quem queríamos ser. Por isso o processo de autoconhecimento é tão importante.

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Existem duas formas de se avaliar isso na minha opinião. A visão que eu defino de “poder sobre” que é o olhar da nossa sociedade construída através do olhar masculino. Nesse ponto de vista, sucesso é dinheiro, fama, dominação. E existe o sucesso pelo olhar feminino, que é o “poder de dentro”, que significa usar suas potências para o seu crescimento e o crescimento de outros, fazer com amor e por significado. Temos dentro de nós ambas as forças, mas o "poder sobre" domina o mundo pela forma que fomos construídos socialmente, através do olhar masculino.

Enquanto a estrutura de poder for a atual, precisamos ter o “poder sobre” para sermos consideradas bem sucedidas. Mas sentiremos um vazio enorme se não preenchermos o nosso “poder de dentro”. Acredito que o papel de toda mulher empreendedora é mostrar cada vez mais o quanto é importante esse poder de dentro.

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Eu escrevo sobre mulheres na internet desde 2008. Tenho orgulho de dizer que o GWS, meu projeto anterior, foi um dos pioneiros na abordagem da autoestima feminina além da estética, feminismo e ter sido o criador de projetos como o #TerçaSemMake em 2014. No mesmo ano, em um evento do GWS eu fiz a minha primeira palestra sobre autoestima chamada “Vista sua Autoestima” e foi ali que percebi que esse era o tema que eu queria me aprofundar cada vez mais. Mas o projeto Chá de Autoestima com palestras, workshops,produtos nasceu em 2017 do desejo de não só falar sobre autoestima mas de fato ajudar mulheres a colocarem a autoestima e o autoconhecimento na prática. 

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Mulheres precisam chegar na liderança conscientes do seu poder, do real poder feminino. Caso ao contrário, mesmo sendo mulheres, vamos continuar perpetuando a forma masculina de liderar porque foi isso que aprendemos sobre liderança. E não estou falando sobre guerra de poderes, muito pelo contrário. Estou dizendo que a mulher consciente das suas potências consegue promover soluções mediadoras, interativas e equilibradas. O mundo, mais do que nunca, precisa dessa energia. Nós, mulheres, precisamos compreender que a questão não é sobre quem está no poder e sim a importância de mudar a natureza do poder que se estabeleceu na nossa sociedade.

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O primeiro passo é trabalhar o autoconhecimento. É deixar vir à tona a mulher que você é, não a que você acha que deve ser, ou as que os outros acreditam que você seja. E trabalhar o autoconhecimento é um conjunto de exercícios para deixar morrer o que tem que morrer, deixar aflorar o que tem que aflorar e trabalhar suas potências. Não existe fórmula mágica, passo a passo. Existe vontade de olhar pra dentro e realmente viver o seu eu verdadeiro. Meu trabalho no Chá de Autoestima é ajudar as mulheres a perceberem que tudo que elas precisam, está dentro delas mesmas.

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Acho que a quarentena pode ser um momento de maior conexão com nosso corpo. Afinal, temos a oportunidade de vivenciar, estar presente com nosso corpo como provavelmente, nunca antes. É um momento que você realmente pode se desconectar do olhar do outro então naturalmente, nosso olhar de julgamento, diminuiu.

Eu tenho usando como uma forma de conexão e ressignificação da relação com meu corpo, tenho praticado muito a Terapia do espelho ou “técnica do espelho”, que é um exercício focado em aumentar a autoestima e encorajar o autoconhecimento. Basicamente, consiste em se olhar em frente ao espelho e direcionar a si mesmfrases de auto afirmação para se lembrar como você quer se sentir e como quer se perceber. É uma delícia fazer esse exercício com uma música relaxante e um hidratante corporal, tocando seu corpo de forma carinhosa, sentindo cada pedacinho dele, repetindo  essas afirmações como um mantra enquanto você se observa, treinando o olhar e o diálogo mais amoroso.

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Praticar o diálogo interno no meu diário! 

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De todas as formas. Eu realmente acredito que só estaremos prontas para viver um relacionamento pleno, quando aprendermos como ser felizes sozinhas, quando aprendermos nosso real valor, o que de fato buscamos e o que projetamos nos outros.

Muitas vezes, o que estamos buscando no outro, precisamos antes, encontrar em nós mesmas. Eu sempre brinco nas palestras: Imagina que louco se todos os enredos dos contos de fadas ou das novelas, ao invés de ser em busca de um alguém, fossem na verdade, nossa trajetória de autodescobrimento? Em todo lugar se fala sobre “encontrar o amor”, não só na mídia, mas também naquele papo de bar com as amigas. Falamos muito pouco sobre nossa jornada de autoamor porque falamos e entendemos pouco sobre autoconhecimento e por tanto, construímos de forma muito superficial nossa autoestima. 

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