Um papo sobre design e processo criativo com Marcela Scheid

por The Look Stealers

Artista, design gráfica e diretora de arte, Marcela Scheid é a nossa convidada de honra para bater um papo sobre processo criativo e o seu caminho até as collabs - afinal, que designer não gostaria de monetizar seu trabalho e identidade visual?

Você já deve ter visto alguma ilustração de Marcela pelo Instagram, ou até em algum produto colaborativo por aí, e é exatamente por isso que convidamos a artista para uma entrevista. Focada em narrativas femininas e de vulnerabilidade, ela tem um traço singular e marcante, daqueles que você vê em qualquer lugar e já sabe quem é o profissional por trás daquilo, sabe? E apesar de que ter um estilo tão específico possa parecer muitas vezes um fator limitante, Marcela prova o contrário e conta um pouquinho sobre como levou seu trabalho à diferentes marcas:

Primeiro, quem é a Marcela? Como você chegou nessa identidade tão marcante?

Nossa como é difícil dizer quem a gente é, né? Mas sempre gosto de dizer que na verdade sou uma mistura de muitos eus que habitam um corpo com uma grande sensibilidade. Chegar nessa identidade foi um processo longo, mas pra mim o processo é sempre mais importante que o resultado final. Mas a história é que eu nunca soube desenhar, ainda não sei. Digo desenhar dentro dos padrões mesmo, vivi anos fazendo muitas aulas de desenho de observação e terrivelmente frustrada de não ser uma “ilustradora”.
 
Comecei com a colagem em 2011 e depois de um workshop de processo criativo e muita terapia aderi o uso do sketchbook. A ideia era desenhar, do jeito que eu sei mesmo. Mas além disso a ideia era errar e viver com aquele erro pra sempre desenhado. Foi horrível, queria rasgar todas as páginas, mas depois de alguns anos fui exercitando o meu próprio traço e me descobrindo nele. Foi um processo bem mais profundo de autoaceitação do que de uma criação de uma identidade. A identidade já existia em mim, eu só precisava aceitá-la. E treinar, é preciso treinar, estudar, errar e começar de novo. 

Como funciona o seu processo criativo?

Complemente não-linear, na verdade a minha metodologia é sentir e depois colocar no papel. Parece muito abstrato mas pra mim é quase um processo inconsciente, sou muito do sentir e é isso que me move. 

Na sua primeira collab, você foi atrás da marca ou ao contrário?

Em todas as collabs que fiz as marcas que entraram em contato comigo. Sempre me sinto muito lisonjeada de ver marcas tão incríveis me dando esse espaço criativo de cocriação. 
 

Como fazer com que a marca respeite as suas criações e deixe tudo o mais sua identidade possível?

Acho que isso sempre precisa ser acordado desde o início, é muito importante entender os motivos da colaboração e qual a sua liberdade dentro do projeto. Se atentar à estética da marca e se vai de encontro com a sua, assim como os propósitos da mesma. 

Quais são os seus "não negociáveis" numa collab?

Esse ano aprendi melhor essa flexibilidade de até onde eu posso ir sem mudar a minha estética. Mas o meu não negociável está muito mais relacionado com o propósito da marca e da colaboração em si do que com a estética. Mas confesso que tive muita sorte até então, a grande maioria das marcas me procuram exatamente por causa da minha identidade artística e da temática feminina. 

Onde você busca inspiração/referências na hora de começar um novo projeto?

Gosto de me inspirar no trabalho de outras mulheres, nas cineastas, nas escritoras, nas artistas e também nas amigas.

Qual a sua técnica de desenho favorita?

Eu gosto bastante de intercalar técnicas e aprender novas. No momento estou obcecada pelo gouache. 

Em momento de falta de criatividade, o que você faz pra retomar suas ideias e inspirações?

Eu deixo um pouco de lado, vou fazer outra coisa e retornar quando tiver com a cabeça mais limpa. Acho muito importante esse momento de afastamento, pra mim não funciona ficar estressando demais as possibilidades. 

Quais outras artistas você admira?

Mulheres maravilhosas como: Louise Bourgeois, Wasted Rita, Betty Tompkins, Bell Hooks e Rosana Paulino.

Qual a sua collab dos sonhos?

Acho que a minha collab dos sonhos nesse momento é com uma editora e escrever meu próprio livro. 

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