Você precisa conhecer designer de crochê que está por trás dos looks de Zara Larsson
Crochê, miçangas, cristais e muita, mas muita paciência. Essa é a combinação por trás de alguns dos looks mais marcantes usados recentemente por Zara Larsson e Hilary Duff. O responsável por eles é Paul Aaron, designer britânico que vem chamando a atenção de stylists com uma técnica bastante particular de knitwear feito à mão.
Seu trabalho já apareceu em looks de Shakira, Christina Aguilera, Shenseea, Lisa, do BLACKPINK, Kylie Jenner e Rita Ora, mas foram duas popstars, em momentos diferentes, que ajudaram a colocar seu nome no radar: Zara, com uma minissaia de hibiscos que acabou ajudando a definir sua estética Y2K, e Hilary, com um vestido de mais de 500 horas de trabalho.
quem é Paul Aaron?
Antes de criar peças para grandes nomes da música, Paul começou brincando de moda com suas Barbies. Ele costumava criar roupas para as bonecas usando peças antigas da mãe e, anos depois, acabou entrando em um curso de Fashion Design and Textiles quase por acaso.
Nada para vestir?
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A formação veio na Central Saint Martins, uma das escolas de moda mais conhecidas do mundo. A experiência, porém, não foi tão glamourosa quanto o nome da instituição pode sugerir. Paul conta que enfrentou dificuldades financeiras e que não tinha os mesmos recursos que muitos de seus colegas para desenvolver os projetos. Por isso, acabou passando boa parte do tempo aprimorando suas habilidades em casa.
Depois de se formar, em 2020, encontrou no knitwear com miçangas a técnica que queria explorar. A partir daí, passou a construir as próprias superfícies das roupas fio por fio, misturando crochê, tricô e aplicações.
a saia de Zara Larsson que virou referência
Em agosto de 2025, Zara Larsson abriu a turnê Miss Possessive, de Tate McRae, usando uma minissaia criada por Paul. A peça era toda trabalhada com miçangas e flores de hibisco feitas à mão.
O que poderia ser apenas mais um figurino de show acabou tendo uma vida maior. As flores de hibisco passaram a aparecer em outros looks de Zara e se tornaram um dos elementos reconhecíveis da estética de sua era Midnight Sun. Paul foi o primeiro designer a criar as flores para a cantora e, depois disso, outros profissionais passaram a reproduzir a ideia em novas peças.
É um bom exemplo de como um figurino de palco pode ultrapassar o momento da apresentação. A peça ajudou a estabelecer uma linguagem visual que continuou aparecendo na divulgação e nas performances da cantora.
Hilary Duff e Paul Aaron
Se Zara mostrou o potencial de Paul para criar uma peça que vira assinatura visual, Hilary Duff levou seu trabalho para outro nível de elaboração.
Para a Lucky Me Tour, o stylist Neelo Noory convidou o designer para criar um vestido prateado de franjas e miçangas. A inspiração veio dos vestidos de festa do início dos anos 2000, com os primeiros trabalhos de Gianni Versace servindo como referência.
A parte mais impressionante está no processo: são mais de 20 mil contas de vidro trançadas à mão, além de milhares de cristais e centenas de metros de correntes de cristal. A construção levou mais de três meses e aproximadamente 500 horas de trabalho.
Paul criou a superfície do vestido trançando as contas entre motivos de estrelas feitos em crochê. Depois, vieram os cristais e as correntes, que ajudam a criar movimento quando Hilary está no palco.
E existe ainda um detalhe pessoal nessa história: Paul cresceu assistindo a Lizzie McGuire. Anos depois, acabou criando uma roupa para a atriz e cantora que interpretava a personagem. Um daqueles encontros entre cultura pop e vida real que se te contassem, você não acreditaria.
o que Zara e Hilary têm em comum?
Apesar de serem looks bastante diferentes, as duas peças mostram a principal característica do trabalho de Paul: ele usa o crochê com as miçangas, que entram na construção ajudando a criar textura e as franjas, que acrescentam movimento. Tudo é pensado para que a técnica apareça no resultado final.
No caso de Zara, isso ajudou a construir uma estética divertida e nostálgica, cheia de referências Y2K. Em Hilary, a mesma linguagem ganhou uma versão mais glamourosa, com brilho e referências aos vestidos de festa dos anos 2000.
É aí que o trabalho de Paul fica interessante, já que a técnica permanece artesanal, mas o resultado muda completamente dependendo de quem veste.
por que o trabalho dele chama tanta atenção?
Existe uma diferença importante entre trabalhar com uma peça de crochê e construir uma roupa inteira a partir do fio.
No processo tradicional de confecção, o designer parte de um tecido e trabalha corte, modelagem e acabamento. No knitwear, Paul começa muito antes, pelo próprio fio. Ele vai criando a superfície e a estrutura da peça ao mesmo tempo.
O resultado exige mais tempo, mas também permite uma liberdade diferente para trabalhar textura e volume. E, no caso das suas criações, essa construção ganha ainda mais detalhes com miçangas, cristais e outros materiais.
trabalho artesanal X velocidade da moda
Paul ainda trabalha praticamente sozinho, cuidando de etapas que vão da pesquisa dos materiais aos desenhos, costura, aplicação de cristais e provas. Ele também fala abertamente sobre uma dificuldade comum para designers independentes: conseguir reconhecimento e investimento suficientes para transformar um trabalho autoral em uma marca estruturada.
Hoje, Paul continua focado em peças sob medida enquanto procura investidores para montar uma equipe e desenvolver sua própria marca. E, mesmo com uma lista de clientes que inclui algumas das maiores estrelas da música pop, ele ainda brinca que está esperando pelo seu grande momento.
qual será o destino do crochê?
O trabalho de Paul chega em um momento interessante para o artesanal na moda. Crochê, tricô e técnicas manuais deixaram de aparecer apenas em propostas boho ou casuais e passaram a ocupar também looks de festa, red carpets e figurinos de palco.
Zara Larsson e Hilary Duff são dois bons exemplos de como a mesma técnica pode ganhar leituras completamente diferentes: de uma minissaia de hibiscos com clima Y2K a um vestido prateado construído com milhares de contas e cristais.
O trabalho de Paul se diferencia por fazer a gente olhar de novo para algo tão conhecido quanto o crochê. Só que, desta vez, com um pouco mais de brilho e algumas milhares de miçangas.

