Vozes femininas no 79º Festival de Cannes: o que mudou na seleção de filmes dirigidos por mulheres
O Festival de Cannes de 2026 já está acontecendo e o evento vai até o dia 23 de Maio. Desde que a programação da 79ª edição do festival foi anunciada muito foi falado sobre a seleção dos 21 filmes que disputarão a tão famosa Palma de Ouro.
O primeiro comentário foi a ausência de filmes latinos na lista bem como um menor filmes estadunidense na competição principal. O número de obras dirigidas por mulheres foi ainda menor que no ano passado, este ano são apenas cinco filmes.

Da Austria, “Gentle Monster” de Marie Kreutzer (Austria). Da Alemanha, “The Dreamed Adventure de Valeska Grisebach” (Alemanha). E da França, “Garance” de Jeanne Herry, “Histoire de la Nuit de Léa Mysius, La Vie d’une Femme” de Charline Bourgeois-Tacquet.
Apesar de nomes conhecidos no circuito de festivais, essa é a primeira vez que as cinco diretoras participam da competição oficial do Festival de Cannes, e isso é um passo simbólico relevante. Por anos, o festival sobre críticas pela falta de espaço para vozes femininas, seja nas produções selecionadas como também no júri. Desde sua primeira edição, em 1946, apenas 82 diretoras foram selecionadas para competir pela Palma de Ouro, em comparação a mais de 1600 homens. Apenas três filmes dirigidos por mulheres venceram a Palma de Ouro em toda a história do festival: O Piano, de Jane Campion (1993), Titane, de Julia Ducournau (2021), e Anatomia de uma Queda, de Justine Triet (2023). E nestes quase 80 anos, o cargo de presidente do júri foi de uma mulher apenas 14 vezes.
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No entanto, de 2018 para cá, de fato, o festival tem ativamente buscado se atualizar e, aos poucos, tem respondido às demandas por maior diversidade e representatividade. Além da competição principal, as mostrar paralelas sempre contam com a presença feminina, também dando oportunidade à produções de diferentes países e gerações.

A mostra Un Certain Regard, conhecida pelas produções mais ousadas e vozes emergentes, este ano traz filmes por mulheres de quatro continentes, entre eles, “Teenage Sex and Death at Camp Miasma” de Jane Schoenbrun (EUA), “All the Lovers in the Night” de Yukiko Sode (Japão), “Strawberries de Laila Marrakchi” (Marrocos) e “I am Always Your Maternal Animal” de Valentina Maurel (Costa Rica).
A Semaine de la Critique e a Quinzaine des Cinéastes são duas mostras paralelas que costumam reconhecer talentos emergentes que se consagram na indústria, como por exemplo, o filme Sorry Baby de Eva Victor. A Semaine de la Critique, este ano merece destaque por ter presença majoritária de mulheres na competição, cinco dos sete filmes selecionados são dirigidos por mulheres. E por enquanto, dos filmes anunciados para participar da Quinzaine des Cinéastes, três são de diretoras, incluindo o filme La Perra da diretora chilena Dominga Sotomayor, com participação de Selton Mello.
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Aguardamos para ver quais serão os próximos títulos a serem selecionados.
