A semana mais longa da temporada é também a que reúne o maior número de maisons relevantes, portanto, o que não falta são tendências: seria possível enumerar no mínimo vinte movimentos interessantes para discutir aqui. Dito isso, dá sim para fazer um desenho do que vem por aí: a feminilidade é examinada por ângulos diversos, no embalo das outras capitais, a saia ainda é a protagonista, mas em Paris fica a gosto da freguesa, oferecendo um leque maior de comprimentos, acabamentos e toques interessantes. Tops que remetem a sutiãs e busties, idem, frequentemente substituindo blusas. As camadas se multiplicam, mas o resultado é quase onírico, pois carregam movimento e leveza.
Você definitivamente vai desejar um cinto, ou vários. Aliás, a ordem é se decorar: barras, bolsas, sapatos, botões, pescoço, a moda celebra o maximalismo em todas as suas vertentes. Não precisa de ocasião nem de festa para se arrumar, o cotidiano encontra glamour e até os itens mais simples, ou funcionais, são elevados por um olhar distinto. A camisa branca é o clássico revisitado da vez. Se chover, não tem problema, trench coats e capas de chuva estão disponíveis em profusão. Versatilidade é mais que promessa: looks chegam modulares e a mesma peça traz diferentes formas de ser usada.
O trabalho artesanal é central, com broderie ganhando destaque. Texturas como um todo pontuam as coleções, indo da opulência de brocados e brilhos à riqueza rústica dos trabalhos manuais. Estampas, sim, se tudo der certo, mais de uma ao mesmo tempo. As cores tomam conta, dos delicados tons pastel, muito usados para suavizar silhuetas esculturais, à cartela expandida de verdes (menta, oliva, água), passando pelos metalizados até as tonalidades quentes como laranja e amarelo.
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Pegando leve
Tem camadas? Tem, mas elas chegam transparentes, em chiffon e tule, trazendo informação, porém sem peso. Algo de etéreo e romântico, porém nada chato. Pense em sobreposições que comunicam leveza, seja pela transparência ou pela fluidez, mostrando pele e deixando o corpo respirar com graça.
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Trama envolvente
Apesar da estética boudoir continuar firme durante a semana de moda francesa, a renda e os materiais vazados, que revelam o corpo, não se limitam ao universo inspirado na lingerie e se estendem para técnicas mais rústicas. O artesanal em forma de renda, macramê e broderie com carinha de antigo ganha força e as franjas, onipresentes na temporada, confirmam sua relevância. Por vezes boho, em outras, estruturadas ou maximalistas, as texturas comandam atenção. Possivelmente uma reação aos tempos de inteligência artificial, o toque humano se torna ainda mais desejado. Afinal, nada como algo feito à mão.
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Que barra
Acabamento ou a falta dele é presença confirmada, barras desfiadas, babados, franjados, botões, miçangas, flores, vale tudo para enfeitar todo tipo de peça em uma espécie de grand finale. Da barra de jaquetas ao punho de camisas até saias, calças capri e afins.
Cinto muito
Se tem um acessório campeão, a resposta é indiscutível: os cintos. Finos, largos, sobrepostos, com fivelas trabalhadas, na cintura, no quadril, arrematando o cós ou acinturando uma jaqueta, eles se tornaram absolutos. Cordas ajustáveis chegam com influência esportiva e as faixas do tipo smoking, tendência atual, se mantêm por mais essa temporada.
Junto e misturado
Listras, xadrez, florais, animal print, abstratos, tanto faz. Se vierem ao mesmo tempo, melhor ainda. O movimento maximalista segue dominando e as estampas estão por toda a parte.
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Condecorada
Flores 3D, bordados, broches, penduricalhos, paetês: a proposta é se jogar em elementos decorativos que adicionam glamour ao cotidiano. Os sapatos trabalhados com pedrarias fazem par com roupas igualmente elaboradas. Charms enfeitam sandálias, bolsas e cintos. Não precisa reservar para momentos especiais. Se depender das marcas da PFW, todo dia é dia e toda hora é hora.
Tudo que reluz
As superfícies iluminadas levam brilhos das ruas ao baile em forma de metalizados e paetês. De rockstar, com alfaiataria no melhor estilo hi-lo, ao auge da opulência oitentista e à nostalgia dos anos 20, brilhar é missão.
À prova de tudo
As mudanças climáticas impactam diretamente o que vamos vestir e a necessidade de uma moda mais consciente disso resulta em versões inspiradas em tudo o que traz praticidade: capas de chuva e trench coats, longos ou cropped, materiais impermeáveis, jaquetas corta-vento, gola-funil, tudo o que remete ao funcional, mas com um pouquinho de charme.
Forma livre
Peças modulares, barras que podem ser retiradas, zíperes que se abrem redesenhando a silhueta, comprimentos desencontrados, de caudas alongadas a golas removíveis: criatividade e versatilidade se encontram.
Aumenta o volume
O quadril se torna ponto focal, mas ombros e mangas também ganham imponência. Volumes localizados são uma maneira infalível de transformar composições. Se a superfície não for trabalhada, ela pode se destacar pelo shape. Alguns looks têm apelo histórico que remete aos tempos de Maria Antonieta; outros têm um minimalismo escultural; já as formas arredondadas resgatam o balonê à la anos 80.


