A Casa do Dragão: porque o figurino é uma ferramenta central da narrativa

por Isadora Abreu

Está quase impossível viver uma segunda-feira na internet e desviar do assunto “A Casa do Dragão”. A série do universo de Game of Thrones, produzida pela HBO, está lançando episódios semanais de sua 3ª temporada aos domingos à noite, tanto na TV quanto na plataforma de streaming Max. Além do enredo intenso, toda a cenografia e a ambientação da produção seguem conquistando os fãs, provando que o guarda-roupa medieval é uma ferramenta central para contar essa história.

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A Casa do Dragão: porque o figurino é uma ferramenta central da narrativa, com armaduras negras e clima tenso nos bastidore
@houseofthedragonhbo (Reprodução/Instagram)

Quem assina novamente a identidade visual desta nova fase é a figurinista Caroline McCall, que já trabalhou em produções como “Downtown Abbey” e “Will” O foco agora é retratar um período de conflito através dos detalhes e de inspirações históricas reais. Muito próximo da proposta dos anos anteriores, vestidos trabalhados, armaduras e penteados trançados continuam sendo marcas registradas da produção, mas com uma roupagem muito mais utilitária.

Outra presença notável é o conceito de cores que acompanha a trama. Em House of the Dragon, os tons escolhidos para cada peça não são meras preferências estéticas: os produtores criaram uma cartela de significados onde as roupas representam a família de origem de cada personagem e seus laços políticos.

A Casa do Dragão: porque o figurino é uma ferramenta central da narrativa em armadura preta texturizada e clima tenso
@houseofthedragonhbo (Reprodução/Instagram)

Além do luxo dos detalhes, das inspirações de alta costura e das referências renascentistas, a nova temporada traz uma guerra civil declarada, onde a realidade dos personagens se torna mais caótica. Com isso, Rhaenyra Targaryen, a grande protagonista, deixa um pouco de lado os vestidos luxuosos da corte e adota armaduras pesadas, vestes de couro e roupas de montaria, assumindo visualmente seu papel de comandante militar.

A Casa do Dragão: porque o figurino é uma ferramenta central da narrativa em vestidos medievais verde-escuros, tensão no
@houseofthedragonhbo (Reprodução/Instagram)

Os figurinos de Alicent Hightower e sua facção abandonam quase qualquer traço do vermelho Targaryen, focando puramente no verde-oliva profundo e tons fechados, refletindo o luto e o peso político de sua linhagem. A facção de Rhaenyra usa as cores clássicas de sua dinastia (o preto e o vermelho sangue), mas com tecidos desgastados pela poeira da guerra e marcas de fuligem, simbolizando que os dragões já estão queimando os campos e deixando suas marcas de desgaste, couro e metal envelhecido nas roupas de quem comanda o front.

E por falar na forma que a produção criativa priorizou os símbolos políticos, ao longo da temporada provavelmente peças como broches, fivelas e bordados metalizados estarão em evidência para que o espectador identifique instantaneamente a lealdade de cada exército nas batalhas em grande escala.