A história por trás da consciência negra

por The Look Stealers

Dia 20 de Novembro é comemorado no Brasil a Consciência Negra. A data marca o dia da morte de Zumbi dos Palmares, quilombola que liderou a resistência do Quilombo dos Palmares contra os portugueses no século XVII, apesar da data ser feriado municipal em mais de mil cidades e estadual em Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiro e São Paulo, a trajetória de Zumbi ainda é pouquíssimo conhecida. 

Nascido livre em 1655, no Estado de Alagoas, Zumbi foi entregue à um padre ainda pequeno e foi criado dentro das tradições da igreja católica, quando aos 15 anos decidiu voltar para o quilombo, até então governado pelo tio Ganga Zumba. 

O Quilombo dos Palmares ficava na região da Serra da Barriga, hoje território alagoano, considerado por historiadores como o maior quilombo da América Latina, chegando a ter uma população de 20 mil habitantes que fugiram da escravidão. Os Quilombos eram uma junção de pequenos mocambos, nome dado à pequenas comunidades negras e indígenas.  Sendo o centro político de Palmares, o mocambo do Macaco foi, segundo historiadores, o maior quilombo da América Latina, tendo acolhido cerca de 20 mil escravos e indígenas.

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Líderes escravocratas indignados com as fugas dos escravos para os quilombos decidiram atacar e destruir o local. Para diminuir os ataques, em 1678 Ganga Zumba foi à Recife para negociar com o então governador do estado, D. Pedro de Almeida. O acordo foi de que os nascidos em Palmares seriam considerados livres; todos que aceitassem o acordo seriam retirados da serra e receberiam terras para viver; seria proibido abrigar novos escravos fugidos e os que garantissem sua liberdade seriam considerados propriedades da Coroa. O acordo causou confusão especialmente entre os que eram considerados fugitivos, já que teriam que renunciar a sua liberdade. Logo após o acordo, Ganga Zumba é morto, sendo a principal suspeita da sua morte um envenenamento. A partir daí, seu sobrinho Zumbi passa a governar Palmares, numa época de muitos ataques e expedições financiadas pela Coroa. 

Em 1694, é feita a maior investida contra o Quilombo, e todas as forças do então governo foram investidas na destruição do mocambo do Macaco. Em meio ao combate, Zumbi é ferido, mas consegue fugir. Só em 1695, no dia 20 de novembro, Zumbi é entregue por um antigo companheiro, é morto e tem sua cabeça exposta no Pátio do Carmo, em Recife, para desmentir os rumores da época de que o líder de Palmares era imortal. 

A data ganhou força e virou o que conhecemos hoje como Consciência Negra, se transformando em uma forma de resistência negra e marcando a importância do combate contra o racismo. 

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"Desde muito jovem, passei por inúmeras situações de preconceito em escolas, trabalhos e lugares que frequentei. Durante muito tempo, confesso que não gostava e muito menos comemorava a data de Consciência Negra, pra mim sempre parecia ser algo somente lembrado em Novembro, quando na verdade deveria ser pauta durante o ano todo. Na escola, por conta da timidez, sempre ouvi tudo calada e só hoje percebo os reflexos disso. Após muito estudar e compreender a importância da data, tenho ressignificado o 20 de Novembro, como um volta por cima para toda comunidade negra do mundo, sabe? Para fazer das minhas inseguranças oportunidades de por pra fora tudo o que guardei em anos. E poder, no fim, dar visibilidade à minha historia e minha ancestralidade."

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"Esse mês e essa data demoraram um pouco para ter algum significado pra mim, tenho uma mãe negra retinta e um pai branco, e vim ao mundo uma negra de pele clara, o que para muitos não é nem negra, nem branca, mas se tiver que dizer o que eu sou, a maioria sempre dirá que sou branca. Com isso, muitas questões foram surgindo na minha cabeça, o que me fez cada vez mais ir me calando e nunca abrir um diálogo ou comentar sobre o assunto por não saber nem ao certo o que eu realmente era. 

Hoje entendendo mais, vejo a importância desse dia e não só dele, mas da luta como um todo! Infelizmente tem sido apenas um dia, um mês. E, no fundo, as pessoas ainda esquecem o real valor que isso nos traz. É um dia importante, mas que nos exige muita força para continuar o espirito da Consciência Negra vivo o ano inteiro, a vida inteira."

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"Pra mim, essa data vem ganhando significado somente agora. Na época da escola nunca foi comentado nada sobre e quando era mencionada, era algo superficial, um assunto passado por cima e com a visão e criação de pessoas brancas. Em sarais e apresentações escolares, o tema aparecia, mas negros não eram incluídos e nada era explicado sobre a história ou a importância da data. Então, desde sempre, não olhei para a Consciência Negra com seriedade e sentia ódio ao lembrar desses momentos.

Hoje, procuro estudar e compreender mais com finalidade de entender a história. Mas ainda assim não é algo que eu tenha uma forte ligação. Infelizmente, a Consciência Negra ainda não é levada a sério e a data se tornou mais uma ação comercial do que qualquer coisa, sendo somente um momento para empresas, marcas e portais mostrarem que se "importam" com negros. 

Estou em um momento de aprendizagem e acredito que devemos usar não somente essa data, mas todos os dias, para aprendermos, refletirmos e entendermos mais sobre a cultura negra e suas conquistas."

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