A logomania voltou, mas bem diferente do que você imagina

por Amábile Zióli

Você com certeza se lembra da época em que logos eram a atração principal em qualquer peça de grife. Monogramas estampados em todo o comprimento de ternos, bolsas, vestidos e até acessórios foram símbolo de status durante os anos 2000 e chamavam mais atenção do que o próprio design — a logomania havia tomado conta do ideal de luxo e desejo de vez. Dizer que a tendência está de volta em 2026 é quase ousado, afinal, o quiet luxury tem dominado os ideais recentes de elegância.

Em uma época onde o ditado “menos é mais” é mandatório, como esperar que peças maximalistas e extravagantes ganhem espaço novamente? A dúvida é válida, e é por isso que a logomania retorna diferente do que você pensa. A seguir, te explicamos como a tendência ganhou força nos anos 90 e por que 2026 pode marcar seu retorno definitivo. Vem ver:

Reprodução/Louis Vuitton

como a logomania se tornou uma febre

Aposto que, quando falamos em monogramas e logos famosos, você automaticamente pensa no icônico logotipo de Louis Vuitton. Não é à toa: a grife cunhou o termo logomania quando, no século 19, estampou o monograma ao redor de seus famosos baús e bolsas de viagem. A ideia era impedir cópias e falsificações, mas a iniciativa não durou por muito tempo, afinal, com o crescente desejo pela marca, até o clássico “LV” se tornaria alvo de réplicas no futuro.

No ínicio dos anos 90, a logomania se tornou uma febre de vez. O contexto inicial foi o crescimento econômico repentino nos Estados Unidos — de acordo com pesquisadores, a tendência apareceu como consequência do desejo de ostentação e luxo de “novos ricos” que continuavam surgindo e conquistando poder de compra. Aos poucos, logotipos passaram a estampar produções dos pés à cabeça em bolsas, casacos, calças e acessórios.

A abordagem dependia da proposta da marca. Calvin Klein, sempre mais contida, apostava nas iniciais do fundador sobre fundos pretos ou neutros. Já Christian Dior preferia o extremo oposto: peças tomadas pelo logotipo da casa com contrastes que chamassem ainda mais atenção. A própria Louis Vuitton não ficou de fora e se tornou uma das grifes mais lembradas quando o assunto são símbolos icônicos.

No auge do autêntico Y2K, a padronagem ganhou força a partir do estilo excêntrico de celebridades e it-girls. Missy Elliott, Britney Spears e Paris Hilton recebiam todos os holofotes em tapetes vermelhos enquanto vestiam peças customizadas e extravagantes, podemos agradecê-las pelo avanço triunfal da logomania na época.

a logomania e o streetwear

A logomania tem uma longa história de afinidade com o streetwear. O hip-hop ganhou espaço nos Estados Unidos no mesmo momento histórico de crescimento econômico, por isso, os dois movimentos se conectaram no contexto de ascenção. Na época, a união comum aconteceu a partir de um nome: Dapper Dan. O estilista do Harlem, em Nova Iorque, foi o responsável por tornar o hip-hop parte do high fashion a partir de peças oversized, jaquetas e acessórios ressignificados.

Nas periferias e nos centros urbanos, o uso explícito de marcas serviu como um símbolo de conquista, orgulho e afirmação de espaço. O gênero musical, que sempre valorizou à personalidade e autenticidade, encontrou, nos logos, uma forma de expressão e proximidade ao universo fashion.

Mais à frente, marcas como Supreme e Off-White apostariam no destaque em monogramas como forma de atingir o streetwear moderno. Cintos e jaquetas com cores vibrantes e símbolos reconhecíveis atingiram o marco de itens-desejo e reposicionaram a logomania em um novo patamar nos anos 2010.

Leia também: Dapper Dan: o homem que ensinou o luxo a falar Harlem

como as marcas apostam na tendência em 2026

Você pode não ter percebido, mas os logos continuam por todos os lugares. Apesar de ser de uma forma completamente diferente da logomania dos anos 2000, marcas ainda aposta na estratégia como forma de identificação e reafirmação no mercado. Agora, o logo surge em pequenos detalhes, texturas ou relevos na peça, em vez de estampas gritantes. A Celine é um grande exemplo do movimento — a grife francesa é reconhecida pelo minimalismo em suas coleções, por isso, prefere estampar o logo em locais discretos e sobre contrastes neutros, sem roubar a atenção do recorte da peça mas mantendo o design reconhecível.

Na coleção resort 2027, Matthieu Blazy também colocou o símbolo da Chanel para jogo. Ele apareceu no preto e branco e em algumas peças coloridas, mas, mais uma vez, de forma discreta e nada parecida com a logomania que um dia conhecemos. Apesar das raízes não serem mais as mesmas, Louis Vuitton mantém parte de seu DNA extravante: sob direção de Pharrel Williams, apresentou o icônico monograma na Semana de Moda Masculina 2027 em baús e até em peças de roupas selecionadas, mas, claro, sem deixar o quiet luxury de lado.

Apesar de não ter voltado exatamente como era, a logomania tem sido prioridade nas casas de luxo por seu potencial de reconhecimento e fortalecimento de marca.

Qual logomania é a sua favorita: maximalista ou minimalista?

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