A moda está obcecada pelo estilo das avós em 2026

por Beta Weber

Coastal grandmother, nonna italiana, granny chic, toda hora surge um nome diferente para batizar alguma estética, mas reparem que as citadas têm algo em comum: referenciam avós. O termo “grandma aesthetic” explodiu de buscas no TikTok (150% segundo dados da Vogue Business) e confirma a curiosa obsessão da Gen Z com estilos relacionados a arquétipos de avós. 

Faz tempo que nostalgia anda em alta: comprar vintage virou hábito corriqueiro e, em um cenário tão pasteurizado em que bom gosto virou fórmula e minimalismo fetiche, a autenticidade e a capacidade de misturar referências adequando-as para sua personalidade são talentos cobiçados por muitos. Enquanto as mais jovens saqueiam o armário imaginário das avós, a indústria também parece cada vez mais interessada nas avós de verdade: marcas de moda e beleza estão dando a atenção devida para uma grande parcela da população que é mais velha e tem poder de compra e relevância.

Inúmeras contas nas redes sociais focadas em produções da terceira idade têm ganhado tração, por exemplo, a @advancedstyle que faz uma curadoria especial de looks de pessoas mais velhas e conta com mais de um milhão de seguidores, ou o @fashion_grannies com mais de 400 mil seguidores no TikTok, sem contar no crescimento de influencers individuais do mesmo grupo demográfico compartilhando sua maneira de vestir.  

@____houseofrose (Reprodução/Instagram)

Achamos desejáveis roupas, sapatos e objetos codificados como “de velha”, mas a busca por aparentar ter menos idade com skincare, procedimentos, etc. nunca esteve tão forte. Ou seja, queremos a estética da velhice, mas não necessariamente a aparência da velhice?

Nada para vestir?

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Afinal, coastal grandmother e nonna italiana são ideais romantizados: a avó rica da Nova Inglaterra, a nonna mediterrânea pitoresca. Será que a moda está ficando menos etarista ou apenas transformou a velhice em mais uma estética consumível? Dito isso, essas microtendências transcendem o visual e também carregam intrinsecamente o anseio por um lifestyle diferente, cada uma ao seu jeito. 

Diane Keaton @the.coastal.grandmother_ (Reprodução/Instagram)

Coastal grandmother é inspirada em personagens femininas de filmes da Nancy Meyers, em especial as vividas nas telas pela saudosa Diane Keaton, e figuras como Martha Stewart. Malhas de toque especial, gola rolê, linho, tons neutros, detalhes artesanais, bucket hats, um loungewear chique e confortável. Quem não gostaria de ter acesso a um guarda-roupa em sintonia com uma vida relax e casas belamente decoradas e casualmente chiques em ambientes litorâneos?

@irelandrileyhudson (Reprodução/Instagram)

Já a nonna italiana remete às mulheres italianas e à máxima da la dolce vita, tanto em versão mais informal, de uma vida leve, cozinhando receitas do zero, um dia a dia mais lento, intencional, na prática traduzido em aventais, xales, lenço na cabeça para ir à feira, emanando certa excentricidade e toque maximalista. 

Quanto à imagem da sciura de Milão, gíria para signora em italiano, que faz alusão ao estilo lady-like mais tradicional de mulheres milanesas já em sua sexta ou sétima década. Pense em cabelos bufantes, broches, pérolas, saia midi e kitten heels.

@worishofer_official (Reprodução/Instagram)

Entrando no quesito peças, os sapatos de vó têm alguns pré-requisitos: conforto, funcionalidade e zero tentativa de ser cool (e é por isso mesmo que seguidamente acabam sendo). Pense em tamanquinhos, solados especiais e anatômicos, tudo que prioriza comodidade e não se encaixa no visual moderno tradicional. 

@maina (Reprodução/Instagram)

Juntando-se à lista, os nighties, ou camisolas da vovó, igualmente se tornaram hit em 2026. Referenciando camisolas vitorianas, sua ascensão tem bastante a ver com esse desejo coletivo de escapar: da rigidez, da polidez, da produtividade constante. O tecido leve, a modelagem soltinha e o espírito aconchegante funcionam como um antídoto para a tensão. 

@thetripletsss (Reprodução/Instagram)

E não para por aí: marcas como Prada, Chloé e Miu Miu vêm apostando em estampas florais que remetem a cortinas e colchas de casas antigas. Aliás, no décor, algo mais espontâneo e levemente retrô também vem conquistando espaço.

@launerlondonofficial (Reprodução/Instagram)

Nos acessórios, bolsas pequenas e estruturadas de alça curta, tipo os modelos da Launer usados pela rainha Elizabeth, ensaiam um possível revival. 

@dawn.tan (Reprodução/Instagram)

Detalhes, como chapéus estilizados em materiais como o crochê.

@christietyler (Reprodução/Instagram)

Óculos exageradamente enormes com carinha vintage também se encaixam na vibe.

@josefinehj (Reprodução/Instagram)


É menos uma estética específica e mais uma mistura de vários arquétipos ou clichês relacionados à ideia de avós. Nessa onda, coisas consideradas antiquadas, demasiadamente práticas, demodê e até desengonçadas vêm sendo reapropriadas. O imaginário da avó evoca conforto, domesticidade, memória, objetos acumulados ao longo da vida e, principalmente, a ideia de um estilo autêntico cultivado em tempos pré-algoritmo. 

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