Coastal grandmother, nonna italiana, granny chic, toda hora surge um nome diferente para batizar alguma estética, mas reparem que as citadas têm algo em comum: referenciam avós. O termo “grandma aesthetic” explodiu de buscas no TikTok (150% segundo dados da Vogue Business) e confirma a curiosa obsessão da Gen Z com estilos relacionados a arquétipos de avós.
Faz tempo que nostalgia anda em alta: comprar vintage virou hábito corriqueiro e, em um cenário tão pasteurizado em que bom gosto virou fórmula e minimalismo fetiche, a autenticidade e a capacidade de misturar referências adequando-as para sua personalidade são talentos cobiçados por muitos. Enquanto as mais jovens saqueiam o armário imaginário das avós, a indústria também parece cada vez mais interessada nas avós de verdade: marcas de moda e beleza estão dando a atenção devida para uma grande parcela da população que é mais velha e tem poder de compra e relevância.
Inúmeras contas nas redes sociais focadas em produções da terceira idade têm ganhado tração, por exemplo, a @advancedstyle que faz uma curadoria especial de looks de pessoas mais velhas e conta com mais de um milhão de seguidores, ou o @fashion_grannies com mais de 400 mil seguidores no TikTok, sem contar no crescimento de influencers individuais do mesmo grupo demográfico compartilhando sua maneira de vestir.

Achamos desejáveis roupas, sapatos e objetos codificados como “de velha”, mas a busca por aparentar ter menos idade com skincare, procedimentos, etc. nunca esteve tão forte. Ou seja, queremos a estética da velhice, mas não necessariamente a aparência da velhice?
Nada para vestir?
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Afinal, coastal grandmother e nonna italiana são ideais romantizados: a avó rica da Nova Inglaterra, a nonna mediterrânea pitoresca. Será que a moda está ficando menos etarista ou apenas transformou a velhice em mais uma estética consumível? Dito isso, essas microtendências transcendem o visual e também carregam intrinsecamente o anseio por um lifestyle diferente, cada uma ao seu jeito.

Coastal grandmother é inspirada em personagens femininas de filmes da Nancy Meyers, em especial as vividas nas telas pela saudosa Diane Keaton, e figuras como Martha Stewart. Malhas de toque especial, gola rolê, linho, tons neutros, detalhes artesanais, bucket hats, um loungewear chique e confortável. Quem não gostaria de ter acesso a um guarda-roupa em sintonia com uma vida relax e casas belamente decoradas e casualmente chiques em ambientes litorâneos?

Já a nonna italiana remete às mulheres italianas e à máxima da la dolce vita, tanto em versão mais informal, de uma vida leve, cozinhando receitas do zero, um dia a dia mais lento, intencional, na prática traduzido em aventais, xales, lenço na cabeça para ir à feira, emanando certa excentricidade e toque maximalista.
Quanto à imagem da sciura de Milão, gíria para signora em italiano, que faz alusão ao estilo lady-like mais tradicional de mulheres milanesas já em sua sexta ou sétima década. Pense em cabelos bufantes, broches, pérolas, saia midi e kitten heels.

Entrando no quesito peças, os sapatos de vó têm alguns pré-requisitos: conforto, funcionalidade e zero tentativa de ser cool (e é por isso mesmo que seguidamente acabam sendo). Pense em tamanquinhos, solados especiais e anatômicos, tudo que prioriza comodidade e não se encaixa no visual moderno tradicional.

Juntando-se à lista, os nighties, ou camisolas da vovó, igualmente se tornaram hit em 2026. Referenciando camisolas vitorianas, sua ascensão tem bastante a ver com esse desejo coletivo de escapar: da rigidez, da polidez, da produtividade constante. O tecido leve, a modelagem soltinha e o espírito aconchegante funcionam como um antídoto para a tensão.

E não para por aí: marcas como Prada, Chloé e Miu Miu vêm apostando em estampas florais que remetem a cortinas e colchas de casas antigas. Aliás, no décor, algo mais espontâneo e levemente retrô também vem conquistando espaço.

Nos acessórios, bolsas pequenas e estruturadas de alça curta, tipo os modelos da Launer usados pela rainha Elizabeth, ensaiam um possível revival.

Detalhes, como chapéus estilizados em materiais como o crochê.

Óculos exageradamente enormes com carinha vintage também se encaixam na vibe.

É menos uma estética específica e mais uma mistura de vários arquétipos ou clichês relacionados à ideia de avós. Nessa onda, coisas consideradas antiquadas, demasiadamente práticas, demodê e até desengonçadas vêm sendo reapropriadas. O imaginário da avó evoca conforto, domesticidade, memória, objetos acumulados ao longo da vida e, principalmente, a ideia de um estilo autêntico cultivado em tempos pré-algoritmo.
