O tapete do Festival de Cannes é assunto todo o ano, mas você sabe exatamente o que é e como funciona o famoso festival de cinema? Ele é o principal festival de cinema do mundo, não pelo seu glamour e o buzz em volta dele, mas por tudo que ele engloba. A principal atração do festival pode até ser a competição pelo prêmio de melhor filme, a Palma de Ouro, mas há inúmeras outras atividades que ocorrem durante as duas semanas de festival que literalmente transformam carreiras. É lá onde tendências são lançadas, filmes encontram seu público e distribuição, pessoas importantes se conectam.
De fato, todo mundo reconhece aquele tapete vermelho gigante onde todo o ano, por quase duas semanas, vemos celebridades desfilando look e jóias incríveis diariamente. O que não explicam, é que este é apenas o caminho para uma gigante sala de cinema, o Grand Théâtre Lumière, dentro do Palais des Festivals et des Congrès. O espaço senta em torno de 2300 pessoas, e é apenas um dos 18 auditórios dentro do palácio e algumas outras espalhadas pela cidade de Cannes.
O festival foi criado em 1946 com o intuito de selecionar e premiar filmes que representassem o melhor da produção cinematográfica global. Hoje sua relevância vai além dos prêmios, o festival se tornou não só um termômetro da indústria do entretenimento como uma ocasião onde deve se ver e ser visto. O ator Viggo Mortensen sempre destaca que foi em Cannes, apresentando O Senhor dos Anéis, onde conheceu o diretor David Cronenberg, um dos principais parceiros criativos que já teve. Diretores como Francis Ford Coppola, Joachim Trier, Wes Anderson, Claire Denis e até Scarlett Johansson tiveram Cannes como o ponto de partida para o lançamento de seus filmes mais recentes. A cobertura global do festival garante visibilidade incomparável a qualquer projeto exibido ali.
Mas nem todos os filmes estão atrás do mesmo objetivo. O festival se divide entre a Competição Oficial e uma série de mostras paralelas, cada uma com identidade e propósito próprios. As mostras paralelas são Un Certain Regard, para cinemas mais ousados e vozes menos representadas, a Quinzaine des Cinéastes celebra o cinema independente, e a Semaine de la Critique que é focada em talentos novos, trazendo apenas os primeiros e segundos longas-metragens. Cada uma das mostras tem seu próprio júri.
Outro detalhe importante é que muitas vezes produções de grandes estúdios fazem estreias no festival como filmes “fora da competição”, que é uma troca de visibilidade. O festival ganha financeiramente e relevância por se manter atualizado enquanto o filme e estúdio ganham visibilidade e credibilidade. Muitos criticam a presença dos blockbusters no festival, no entanto, a mistura deles com as outras produções sejam elas menores ou experimentais, é exatamente o que torna o Festival de Cannes plural.
Aberto ao público há o Cinema de la Plage, montado na areia e sempre lotado.
Ao mesmo tempo que todas as salas de cinema da região estão lotadas, o andar de baixo e nos fundos do Palais parece um universo paralelo com o Marché du Film, literalmente um dos maiores mercados de filmes do mundo que reúne produtores, distribuidores, streamings, agentes e investidores que compram e vendem direitos de filmes, fecham coproduções e financiam projetos ainda no papel.
E do lado de fora, ainda dentro do complexo do palácio, quase na beira da praia está o International Village, onde diferentes países do mundo montam seus pavilhões que funcionam quase como uma embaixada dentro do festival, estão ali para representar o seu cinema nacional. Eles oferecem palestras, coquetéis e diferentes atividades para se conectar com possíveis parceiros e promover as atividades cinematográficas de seus países.
A quantidade e qualidade das pessoas que estão no festival, também atrai marcas e empresas, que aproveitam os beach clubs da Croisette para ativações e pop-ups. Hotéis icônicos como Carlton e Majestic viram sedes de palestras, painéis e sessões de networking. De marcas de luxo, plataformas de streaming, estúdios de Hollywood, organizações filantrópicas e empresas de tecnologia, é importante marcar presença de alguma forma.
E não pode-se encerrar um texto sobre o festival sem uma breve menção honrosa às festas. Tão lendárias quanto os red carpets, as recepções exclusivas em villas na colina, drinks no bar do Hotel Du Cap, os iates ancorados no porto, combinam negócios, criatividade e glamour com uma naturalidade só possível na Riviera francesa.
