Anitta e a valorização das raízes brasileiras na música e na moda 

por The Look Stealers

Depois de anos consolidando uma imagem marcada pelo pop global, figurinos maximalistas e uma estética hiperpolida pensada para palcos nacionais e internacionais, Anitta parece atravessar um novo momento: mais íntimo, simbólico e conectado às próprias raízes. 

Com “EQUILIBRIVM”, seu novo álbum, a cantora coloca espiritualidade, ancestralidade e brasilidade no centro da narrativa, mergulhando em referências ligadas às religiões afro-brasileiras, como o candomblé, e transformando esse processo também em linguagem visual. Entre tecidos naturais, beleza mais leve e uma estética menos “popstar internacional” e mais autoral, a nova era da artista mostra como sua evolução pessoal também vem impactando sua moda. 

Foto: Anitta (Reprodução/Instagram)

Desde os primeiros teasers do álbum, Anitta deixou claro que “EQUILIBRIVM” seria diferente de seus trabalhos anteriores. Em entrevistas recentes, a cantora passou a falar mais abertamente sobre espiritualidade, autoconhecimento e sua conexão com religiões afro-brasileiras, especialmente o candomblé.

Outro detalhe interessante é que os vídeos e editoriais de “EQUILIBRIVM” foram divididos em capítulos: “Despacho”, “Fé e Festa”, “Deus Mãe” e “Renascimento”. 

Segundo a Universal Music Canada, o projeto mergulha em temas como equilíbrio emocional, ancestralidade, amor, cura e conexão espiritual, funcionando quase como um reflexo do momento pessoal vivido pela artista nos últimos anos. A publicação destaca que essa é uma obra mais íntima e menos centrada na lógica comercial do pop global.

Esse movimento também conversa com transformações que a própria cantora já vinha mencionando desde 2022, principalmente após períodos de burnout, problemas de saúde e uma busca mais intensa por desaceleração e autoconhecimento. Em entrevista repercutida pelo Rota Cult, Anitta comentou como passou a enxergar a espiritualidade como parte importante de sua vida e de seu processo criativo.

Foto: Anitta (Reprodução/Instagram)

Se “Funk Generation” representava uma Anitta maximalista, sexy e ultraconectada à estética internacional do pop, “EQUILIBRIVM” parece seguir um caminho quase oposto e isso aparece diretamente nos looks e styling que a cantora vem apostando.

Veículos internacionais, como a rádio espanhola LOS40, destacaram que a cantora vem colocando o orgulho de suas raízes brasileiras no centro da nova era, tanto musical quanto visualmente. A estética agora parece menos focada em tendências globais e mais conectada a símbolos culturais brasileiros e afro-brasileiros.

Sob o styling de André Philipe e Daniel Ueda, os figurinos apostam em elementos profundamente ligados à cultura brasileira, explorando texturas naturais, materiais artesanais e referências populares que aparecem reinterpretadas de maneira contemporânea.

Inclusive, durante participação no programa Som Brasil, a cantora escolheu acessórios da marca Auêra Ateliê, de Manaus, compostos por contas de madeira, miçangas e desenhos indígenas. 

Foto: Anitta usa Amir Slama e Labô Young (Reprodução/Instagram)

E, para a capa do álbum, a cantora usa uma peça criada por Amir Slama originalmente apresentada no SPFW. O look mistura uma saia com aplicações de escamas metálicas e de madeira e um adereço de cabeça em cestaria artesanal. O mais interessante é que a coleção de Slama fazia referência justamente a lendas brasileiras e à imagem da mulher como sereia.

Ao longo dos clipes e visuais da era, os looks transitam entre diferentes atmosferas e paisagens, acompanhando os próprios capítulos narrativos do álbum. Existe uma preocupação clara em construir imagens que dialoguem com espiritualidade, natureza e ancestralidade.

A direção de moda ainda conta com figurinos assinados por Deise Gouveia e execução de Moni Maciel, reforçando uma construção visual bastante conectada à moda brasileira contemporânea.

Ainda entre os looks mais marcantes já apresentados pela cantora, um dos destaques foi o vestido de palha desenvolvido pela Nalimo, marca da estilista Day Molina. A peça sintetiza perfeitamente a direção visual da era: materiais naturais transformados em moda conceitual e sofisticada.

Outro momento forte foi o vestido azul de crochê usado pela cantora, assinado pela Santa Resistência. O visual mistura manualidade, textura e dramaticidade de uma maneira que conversa diretamente com a proposta mais orgânica e espiritualizada do álbum.

O crochê, as biojoias, as fibras naturais e os adornos artesanais (como o adereço de cabeça arquitetônico feito por Victor Hugo Mattos) deixam claro como o styling está interessado em valorizar técnicas manuais brasileiras.

Foto: Anitta e Marina Senna com criação Labô Young (Reprodução/Instagram)

Outro detalhe importante dessa nova fase é o uso de elementos naturais não apenas nos figurinos, mas também na cenografia e nos adereços que aparecem ao longo dos vídeos e materiais promocionais.

Os adornos desenvolvidos pelo artista paraense Labô Young aparecem em acessórios, canoas, flutuantes e composições cenográficas.

Em vez da construção quase cinematográfica da “Anitta popstar”, perfeita calculada para o mercado internacional, “EQUILIBRIVM” parece apresentar uma mulher mais forte e (ainda mais) interessada em autenticidade.No caso de Anitta, isso também ajuda a reforçar um reposicionamento importante: o Brasil não aparece apenas como inspiração estética superficial, mas como parte central de sua construção artística.

Foto: Anitta (Reprodução/Instagram)

Musicalmente, “EQUILIBRIVM” também reforça esse retorno às raízes. Segundo a Band, o álbum mistura referências de funk carioca, samba, MPB, reggae e sonoridades afro-brasileiras, além de trazer colaborações com artistas como Liniker, Luedji Luna e Rincon Sapiência. 

Agora, o que queremos saber é: será a mais autêntica de Anitta até agora? O que você acha?