Carta aberta para quem se apaixona fácil — e não quer deixar de sentir

por Fernanda Vilarrodona

Talvez seja o fato de Vênus ter entrado em Peixes, os hormônios à flor da pele ou, simplesmente, o fato de eu me considerar membra do clube dos últimos românticos da Terra. Mas a verdade é: eu me apaixono fácil — e dificilmente vejo isso como um problema.

Se apaixonar fácil
Foto: Elena (Pinterest)


Eu adoro fantasiar uma vida inteira com quem conheço há poucas horas. Talvez isso seja um sintoma de crianças que cresceram cronicamente à base de desenhos da Disney. Às vezes o encanto acaba tão rápido quanto começa, mas, em outras, me pego perdida na névoa da ilusão que eu mesma criei. E aí você deve estar se perguntando: “e isso não é ruim?”. Minha resposta vai ser tão vaga quanto meus devaneios: sim e não.

Dói ter o coração partido, mas acho que doeria muito mais viver uma vida com medo de se entregar. Quem disse que toda paixão precisa virar amor? Ou que todo amor precisa durar a vida inteira? Eu, particularmente, acho uma delícia ter um arsenal pessoal de paixões acumuladas — pessoas que não foram em “para sempre”, mas deixaram sua marca ou ao menos uma breve história para contar

Esses dias, ao assistir a uma cena romântica na TV, senti algo difícil de colocar em palavras. Eu estava contente por sentir amor por alguém que ainda não conheço. Calma, vou explicar melhor: tenho uma certeza tão grande de que ainda tenho grandes amores para viver que me peguei sorrindo ao imaginar minha vida ao lado de alguém que ainda não tem rosto, mas que, de alguma forma, já tem um coração que pulsa com o meu. Brega? Cafona? Iludida? Sim, talvez um pouco de tudo isso — mas também profundamente viva.

E, ao mesmo tempo em que esse lado que anseia pelo amor a dois existe, eu convivo com uma excitação deliciosa de ser solteira. Saber que, a cada esquina, tudo ou nada pode acontecer. Amo o mistério, o leque de possibilidades, a liberdade de ser uma “single rider” nessa aventura.

É dual. É contraditório. É intenso.
E talvez seja justamente por isso que seja tão bonito.

 

Este texto é da newsletter do Escuta Ela - clique aqui para se inscrever ou aqui para seguir