Declarar o fim do minimalismo seria exagero, até porque a moda consegue abraçar ideias dissonantes, mas também não dá para negar que, nas ruas e nas passarelas, o desejo por mais emoção é dominante. Cores vibrantes, silhuetas ousadas, estampas e nosso assunto de hoje: texturas.

Pense no Palácio de Versalhes, nos salões elaborados de construções históricas, veludo, brocado, jacquard e tapeçaria. Se você está achando que essa descrição soa mais como decoração do que moda, é isso mesmo: muita da inspiração vem de interiores luxuosos. Se poderia estar em um sofá incrível de um castelo do século 19, nas cortinas de uma sala vitoriana ou até em alguma colcha trabalhada vintage em um chatêau francês, ele poderia estar nos looks atuais. Sabe tecido com cara de riqueza? Pois é exatamente esse o ponto.
As temporadas mais recentes já tinham anunciado via a inclusão de veludos, bordados rebuscados, rendas elaboradas, silhuetas imponentes, detalhes em cetim e plumas, um apanhado de elementos (dos pés à cabeça) que poderiam compor o guarda-roupa de um rei ou rainha, mas claro que adaptados para o século atual.

Na prática, também funciona: perfeita para agradar maximalistas de plantão devido à exuberância visual, a tendência pode ser ferramenta interessante para quem prioriza um visual mais clean, sem cair na monotonia. Incluir uma peça statement é sacada inteligente quando o restante é básico.

O casaco de veludo com botões decorados é uma mescla de vestimentas da realeza com uma pitada de rock’n’roll. Inclusive, brincar com hi-lo é alternativa para quem quer atenuar o efeito opulente através da combinação com itens mais casuais como o jeans.

Ou que tal quebrar o colorblocking de brocados em tecido nobre com uma regata simples?

Quer fazer um teste? Se a estampa lembra algo que poderia ser papel de parede, com florais old school ou arabescos, você provavelmente está no caminho certo.

A tapeçaria vem no embalo do artesanal, mas o acabamento é menos rústico. A proposta é polidez mesmo que o styling seja mais grunge.

Para imprimir mais do caráter aristocrático, uma gola com babados é jogada certeira.

Nessa equação, um rococó bucólico também é destaque, manifestando um lado mais delicado composto por tons pastel e flores pequenas, além de acabamentos reluzentes e detalhes de pérolas. Meio Maria Antonieta no Petit Trianon.

A tendência chega, sim, nos pés, com modelos em cetim e bordados.

Acessórios em acabamentos acetinados, ainda mais em tons de pedras preciosas, são infalíveis para mergulhar no mood.

Igualmente, as bolsas bordadas têm papel fundamental: brilhos, aplicações, pedrarias.

Brincar com cores se tornou novamente foco nas coleções, mas nem todo mundo possui o desejo de sair colorida por aí, e é exatamente aqui que a abundância de texturas pode entregar resultados com tanta personalidade quanto, mas em outro registro. Tudo neutro, mas o tecido trabalhado e as plumas comunicam o intuito.

Às vezes, um ponto de cor (ou dois) em produção monocromática pode ser a solução. Um broche eleva ainda mais o efeito.

O que não quer dizer que não dê para unir a cartela impactante com as texturas idem, como visto no desfile Verão 27 da Tory Burch.

No resort da marca, o brocado em amarelo-canarinho ganha a companhia de botas de chuva, inusitado, mas interessante.

Falando em NYFW, engana-se quem pensa que essa tendência só tem vez no outono/inverno; a temporada Verão 27, acontecendo atualmente, oferece interpretações do clima em versão fresh. A opulência com apelo romântico é praticamente marca registrada de Ralph Lauren e a coleção mais recente entregou.

Conner Ives, que ajudou a popularizar o opera coat em 2026, repete a peça com acabamentos diferentes e styling suntuoso.

Já Altuzarra aposta no efeito ouro líquido, mas com complementos de peso como o cinto de tachas.

