O Diabo Veste Prada é um daqueles filmes que faz parte da nossa identidade. Ninguém lembra exatamente quando assistiu, mas de alguma forma sabemos as falas de cor e não cansamos de reproduzir os looks. É de fato uma obra genial, que saiu da visão do diretor David Frankel e da roteirista Aline Brosh McKenna, com quem tivemos a oportunidade de entrevistar exclusivamente sobre a continuação O Diabo Veste Prada 2, dias antes da estreia em Nova York.
É indiscutível que o original era digno de uma continuação, mas fazer algo que alcance a hype do fenômeno cultural que acabou se tornando em 20 anos, é uma tarefa bastante complicada. Em uma resposta simples, o diretor David Frankel resumiu a pressão de se fazer a sequência de um filme tão icônico quanto O Diabo Veste Prada, “nós fizemos uma promessa ao elenco: Não vamos fazer uma sequência a menos que sintamos que conseguimos criar algo à altura do primeiro filme. E agora vamos ver se conseguimos cumpri-la”.
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O hotel Four Seasons do Financial District foi transformado na Runway Magazine, já colocando todos no modo fashionista. Ao entrar na sala de entrevista, prontamente a primeira coisa que se falava era sobre os nossos looks – o que rapidamente já quebrou o gelo quando tive que confessar que infelizmente o macacão que usava não era Chanel. Os dois, com muito bom humor, ficaram encantados com a plataforma digital Steal the Look, e pareciam animados para conversar abertamente sobre o segredo delicioso que estão carregando há mais de um ano. Mas também não escondem a pitada de ansiedade de quem ainda aguarda o veredicto do mundo.
Aqui um pouco do nosso papo:
tudo sobre O Diabo Veste Prada 2
STL: COMO FOI REENCONTRAR O EQUILÍBRIO ENTRE ANDY E MIRANDA SEM TRAIR O QUE CONSTRUÍRAM NO PRIMEIRO FILME?
ALINE BROSH MCKENNA: Elas são tantas coisas uma para a outra, mentora e aprendiz, mas também rivais. Agora Andy tem muito mais experiência e precisa desse trabalho para se manter à tona e continuar existindo na profissão. Andy realmente precisa dessa mulher de uma forma que não precisava na primeira vez. Ela precisa não só de Miranda, mas da própria Runway como espaço para fazer seu trabalho. Isso é um problema novo, um problema de 2026.
DAVID FRANKEL: E elas têm vulnerabilidades diferentes. É isso que mudou em vinte anos. Ganharam força em certas áreas e perceberam que o mundo as pressiona de outros lados. Explorar como cada uma lida com os próprios medos foi o que tornou tudo interessante.
STL: AS FILMAGENS NAS RUAS DE NOVA YORK VIRARAM EVENTO ANTES MESMO DO LANÇAMENTO – COM OS FÃS E FOTÓGRAFOS SEGUINDO TUDO. COMO FOI LIDAR COM ISSO?
DAVID FRANKEL: Ficamos chocados, honestamente. Sabíamos que trazer as atrizes para as calçadas de Nova York ia chamar alguma atenção, mas não esperávamos multidões. Quando fomos a Milão, tomamos muito mais cuidado para proteger o guarda-roupa e encontrar locações onde os paparazzi não pudessem ver.
ALINE BROSH MCKENNA: Por falar nisso — temos um exclusivo: aquele look que circulou muito nas redes, com a camiseta regata, a saia jeans longa e as sandálias? Não está no filme. Mas não se preocupem: a Annie tem entre quarenta e cinquenta looks. Há muito o que descobrir no cinema.
STL: QUAL É A FRASE DO PRIMEIRO FILME QUE CADA UM MAIS CARREGA? E O QUE DESTA SEQUÊNCIA PROMETE FICAR?
ALINE BROSH MCKENNA: “Florais na primavera, revolucionário”, escrevi rapidamente e nem pensei mais nisso, e hoje tenho uma camiseta com essa frase. Mas do primeiro filme, minha favorita é quando a Meryl simplesmente diz no final ao motorista “Vai.” Não estava no roteiro, era só a descrição de cena, e ela teve a ideia. Da sequência, já usei “Quem doa Chanel?” na vida real. Mas acho que “Você precisa de um pirulito?” tem tudo para ficar.
DAVID FRANKEL: A minha do original é “That’s all” Acho que é a mais universal de todas. Da sequência, é difícil escolher, ainda estamos esperando para ver o que o público vai abraçar. Mas tem muita coisa boa esperando as pessoas no cinema.
Assista a entrevista na integra no nosso canal de Youtube, para saber mais do que os criadores do filme tem para compartilhar sobre a produção. Mas já adiantamos, sobre uma terceira parte, Frankel não hesitou, “onde quer que Meryl queira que eu esteja, eu estarei”.
