Especial Dia das Mães: a importância da rede de apoio

por Carol Silvano

Aproveitamos a semana especial de Dia das Mães para convidar algumas mulheres para uma troca sobre a importância de uma rede de apoio, e o quanto ela pode ser benéfica para a vida delas. A nossa colunista, Carol Silvanno, trouxe relatos de três amigas que abordam temas sobre maternidade e feminismo, para compartilhar as suas experiências e dar dicas de como a sociedade pode acolher, respeitar e não julgar as mulheres que se tornam mães. 

_gaby alves

A Gaby Alves tem 35 anos, é fotógrafa e mãe solo há seis meses, desde que perdeu o seu companheiro. Para ela, a experiência tem sido desafiadora, diz: "eu tive que aprender a lidar com diversos obstáculos que eu não fazia ideia". Essa é a primeira vez que a Gaby fala sobre o assunto com a amiga Carol, a nossa colaboradora e responsável por essa matéria, conta: "antes, eu não me sentia preparada para tocar no assunto, afinal, não está sendo fácil, mas aos poucos vou entendendo o meu lugar como mãe solo", completa, "isso está sendo bem desafiador para mim."

A rede de apoio da Gaby é a família do seu falecido marido, Cadu: "eles me ajudam muito com os cuidados com o Bernardo (meu filho) para que eu possa ter uma vida além da maternidade, como encontrar os meus amigos e viver dignamente como uma mãe preta de 35 anos", relata, "conto super com a minha mãe também, por ser mais próxima e estar mais presente no dia a dia".

_marcella kaulino

Para Marcella, o trabalho sempre foi uma das suas maiores prioridades da vida e quando descobriu que estava grávida, sentiu medo de não ter mais uma carreira, conta: "quando fiquei grávida, o medo de não poder crescer profissionalmente me pegou em cheio". Mas o medo logo passou e a carioca, depois de seis meses do nascimento da sua filha, voltou para o mercado de trabalho, mas ainda assim, se dividindo entre o emprego e a maternidade: "voltei a trabalhar fora quando a Eva tinha seis meses, e voltava para casa quase todos os dias no horário do almoço para dar de mamar para ela", relata, "quando não voltava, passava o meu horário de almoço extraindo leite para deixar em casa quando eu não pudesse sair do trabalho".

Por não terem familiares em São Paulo, Marcella e o marido tiveram que contar com uma rede de apoio paga, conta: "a Catita, como a chamamos carinhosamente, é praticamente mãe de nós três, e ela é a babá da Eva quando estamos trabalhando."

Me vi tendo que trabalhar, cozinhar, lavar, limpar, amamentar, colocar pra soneca, brincar, estimular... com um fone de ouvido sempre conectado.

A Marcella conta que pouco antes da pandemia, ela estava começando a ter um momento de autocuidado e voltando a ter uma vida mais social, diz: "eu estava começando a me enxergar como mulher de novo. Me permitindo ter meu horário de almoço sem ir em casa e me permitindo vez ou outra estar no happy hour do trabalho". Por conta do lockdown, Marcella precisou dispensar a babá de sua filha, conta: "dispensamos a nossa parceira que cuidava da Eva, para que ela ficasse em casa e com os seus". Foi aí que a carioca teve que lidar com a tripla jornada: sendo mãe, profissional e cuidando dos afazeres de casa. "Me vi tendo que trabalhar, cozinhar, lavar, limpar, amamentar, colocar pra soneca, brincar,  estimular... com um fone de ouvido sempre conectado. Muitas vezes era impossível armazenar todas as palavras de ambos os lados", diz. O desgaste físico e emocional começou a transparecer e Marcella explica que não estava conseguindo dar conta do lado pessoal e profissional: "percebi que eu estava falhando meio a meio: metade como mãe e metade como profissional", relata, "tomei uma chamada no trabalho pelo desempenho. Ninguém seria capaz de entender que não era falta de atenção, era falta de conseguir ser tudo como todos esperam. Foi frustrante me ver tendo que explicar o básico pra poder me justificar."

Desde que dispensou a babá de Eva, a Marcella conta que a sua única rede de apoio foi o seu marido, e que foi aí que percebeu a diferença no tratamento entre homem e mulher no mercado corporativo: "meu marido também trabalha, e a grosso modo, ninguém nunca reclamou da falta de atenção dele no trabalho, porque a corda sempre arrebenta para mãe."

Hoje, Catita, a babá de Eva, está de volta: "Ela segue sendo a nossa maior ajuda e presente da vida, afinal, rede de apoio é rede de apoio, e ela é a nossa única aqui em São Paulo. Com todo o privilégio que temos em poder pagar por isso, ainda assim, percebo que, se eu pudesse, ela deveria receber muito mais que muitas pessoas com cargos de alto padrão."

_giuliana maciel

"A maternidade antes da pandemia já era um rolê muito complicado de administrar e com essa mudança de cenário, nem a nossa criatividade de mãe, que tende a imaginar tudo que pode dar errado o tempo todo, poderia prever", relata Giuliana Maciel, mãe da Liz de 5 anos.  

Giuliana conta que sempre quis estar perto de pessoas com quem pudesse contar, mas que por causa da pandemia e isolamento social, ela perdeu a sua rede de apoio física, conta: "eu sempre procurei me cercar de pessoas que me fortalecesse como rede de apoio nesse processo que é ser mãe, mas a pandemia veio trazendo urgências muitos particulares de cada um, e a consequência de cumprir o isolamento social me fez perder essa presença física que era o que tantas vezes me salvava."

Para conseguir lidar com esse novo desafio, a Giuliana conta que tomou uma decisão que pudesse garantir a saúde mental dela e da filha: "mesmo tentando dar conta de tudo eu tive que parar e fazer um planejamento estratégico de sobrevivência em prol da minha saúde mental e da minha criança, e para isso, decidi que voltar a morar temporariamente na casa dos meus pais seria o caminho mais acolhedor a se fazer no momento", conta, "viver esses dias que carregam uma mistura de tristeza e angústia em um ambiente acolhedor com as pessoas que a gente ama definitivamente tem sido o gás que nos move para continuar vivendo, brincando, estudando e crescendo juntas".

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