Esqueça a clean girl, a maquiagem gótica é o que promete definir 2026

por Izabela Suzuki

Existe um magnetismo imediato quando a maquiagem gótica entra numa conversa de beleza do momento. O que está pegando nessa versão contemporânea da estética gótica é justamente a fluidez. O grafismo nos olhos, os tons profundos nos lábios e os contrastes marcantes deixam espaço para interpretação — dá pra ser minimal gótica com um delineado fino e boca vinho, ou mais glam com sombras escuras esfumadas e um brilho pontual.

Para essa temporada, saem os olhos com pouca máscara de cílios e coques slick e entram as cores fortes, a estética sleazy da Taylor Momsen e um mood à la Fairuza Balk em Jovens Bruxas (1996) com toques de melancolia romântica que só quem teve um Tumblr dedicado a essa estética vai entender o sentimento do qual estou me referindo agora. 

Modelo posa com maquiagem gótica marcada por batom vinho escuro e sombra preta esfumada.
Foto: Jenna Ortega (Reprodução/Michael Buckner/Variety via Getty Images)


o que é uma maquiagem gótica

A maquiagem gótica é uma estética de beleza marcada por contraste, profundidade e um certo dramatismo visual — mas que, em 2025/26, aparece mais versátil e adaptável ao dia a dia. Em vez de seguir regras rígidas, ela funciona como linguagem de estilo.

Características principais:

  • Olhos marcados: delineado intenso, lápis preto na linha d’água e sombras escuras bem esfumadas

  • Lábios profundos: batons vinho, ameixa, marrom escuro ou preto

  • Pele mais pálida ou matte: acabamento aveludado, com pouco brilho

  • Contraste: mistura de tons claros e escuros para criar impacto

  • Atmosfera dramática: não necessariamente exagerada, mas sempre expressiva

Na versão atual, a maquiagem gótica pode ser tanto maximalista quanto minimal — depende da forma como você escolhe interpretar.

Modelo posa com maquiagem gótica marcada por batom preto brilhante e sombra esfumada, usando top e pulseiras prateadas.
Foto: Schiaparelli Fall Couture 2026 (Reprodução/Allure/Pat McGrath)

por que o soft goth está em ascensão na beleza?

Para entender o crescimento do soft goth em 2025/26, vale olhar para trás. A estética gótica nasce como subcultura nos anos 1980, muito conectada à cena pós-punk e a bandas como Bauhaus, The Cure e Siouxsie and the Banshees — que transformaram melancolia, teatralidade e maquiagem marcante em linguagem visual. Pele pálida, olhos carregados e batons profundos não eram só estética: eram posicionamento.

Décadas depois, essa atmosfera voltou ao centro da cultura pop com produções que romantizam (e atualizam) o imaginário sombrio. O hype em torno de novas leituras de Nosferatu e o fenômeno estético de Wandinha reacenderam o interesse por visuais mais escuros, misteriosos e dramáticos.

Modelo posa cantando com maquiagem gótica marcada por olhos dramáticos em preto, sobrancelhas fortes e cabelos volumosos.
Foto: Susan Janet Ballion (Siouxsie Sioux) (Reprodução/Ebet Roberts/Redferns via Getty Images)

E existe um movimento cíclico aí. A moda e a beleza sempre flertam com a rebeldia quando o excesso de minimalismo ou de estética “clean girl” começa a cansar. O soft goth surge quase como uma maneira de retomar personalidade, intensidade e certa dramaticidade, sem romper totalmente com o mainstream. É subcultura traduzida para o agora.

a maquiagem gótica nas celebs

E se o lado sombrio atualizado de Jenna Ortega já vinha chamando atenção, nos últimos desfiles e tapetes vermelhos ficou claro que ela não está sozinha. Outras celebridades também passaram a incorporar referências góticas aos seus visuais. Da modelo Gabbriette, que já carrega essa estética quase como assinatura pessoal, a FKA Twigs e Lady Gaga — que, inclusive, tem me lembrado bastante sua personagem em American Horror Story: Hotel, a Condessa —, todas apresentam suas próprias leituras do soft goth na beleza.

Diferente do gótico tradicional, que abraça o maximalismo e o contraste extremo, a versão “soft” suaviza a narrativa: mantém o delineado preto, o batom vinho e a sombra esfumada, mas equilibra com pele mais natural, acabamento leve e um styling contemporâneo. É menos literal e mais interpretação. É um flerte com o sombrio que funciona dentro (e fora) do tapete vermelho.

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