Existe um magnetismo imediato quando a maquiagem gótica entra numa conversa de beleza do momento. O que está pegando nessa versão contemporânea da estética gótica é justamente a fluidez. O grafismo nos olhos, os tons profundos nos lábios e os contrastes marcantes deixam espaço para interpretação — dá pra ser minimal gótica com um delineado fino e boca vinho, ou mais glam com sombras escuras esfumadas e um brilho pontual.
Para essa temporada, saem os olhos com pouca máscara de cílios e coques slick e entram as cores fortes, a estética sleazy da Taylor Momsen e um mood à la Fairuza Balk em Jovens Bruxas (1996) com toques de melancolia romântica que só quem teve um Tumblr dedicado a essa estética vai entender o sentimento do qual estou me referindo agora.

o que é uma maquiagem gótica
A maquiagem gótica é uma estética de beleza marcada por contraste, profundidade e um certo dramatismo visual — mas que, em 2025/26, aparece mais versátil e adaptável ao dia a dia. Em vez de seguir regras rígidas, ela funciona como linguagem de estilo.
Características principais:
-
Olhos marcados: delineado intenso, lápis preto na linha d’água e sombras escuras bem esfumadas
-
Lábios profundos: batons vinho, ameixa, marrom escuro ou preto
-
Pele mais pálida ou matte: acabamento aveludado, com pouco brilho
-
Contraste: mistura de tons claros e escuros para criar impacto
-
Atmosfera dramática: não necessariamente exagerada, mas sempre expressiva
Na versão atual, a maquiagem gótica pode ser tanto maximalista quanto minimal — depende da forma como você escolhe interpretar.

por que o soft goth está em ascensão na beleza?
Para entender o crescimento do soft goth em 2025/26, vale olhar para trás. A estética gótica nasce como subcultura nos anos 1980, muito conectada à cena pós-punk e a bandas como Bauhaus, The Cure e Siouxsie and the Banshees — que transformaram melancolia, teatralidade e maquiagem marcante em linguagem visual. Pele pálida, olhos carregados e batons profundos não eram só estética: eram posicionamento.
Décadas depois, essa atmosfera voltou ao centro da cultura pop com produções que romantizam (e atualizam) o imaginário sombrio. O hype em torno de novas leituras de Nosferatu e o fenômeno estético de Wandinha reacenderam o interesse por visuais mais escuros, misteriosos e dramáticos.

E existe um movimento cíclico aí. A moda e a beleza sempre flertam com a rebeldia quando o excesso de minimalismo ou de estética “clean girl” começa a cansar. O soft goth surge quase como uma maneira de retomar personalidade, intensidade e certa dramaticidade, sem romper totalmente com o mainstream. É subcultura traduzida para o agora.
a maquiagem gótica nas celebs
E se o lado sombrio atualizado de Jenna Ortega já vinha chamando atenção, nos últimos desfiles e tapetes vermelhos ficou claro que ela não está sozinha. Outras celebridades também passaram a incorporar referências góticas aos seus visuais. Da modelo Gabbriette, que já carrega essa estética quase como assinatura pessoal, a FKA Twigs e Lady Gaga — que, inclusive, tem me lembrado bastante sua personagem em American Horror Story: Hotel, a Condessa —, todas apresentam suas próprias leituras do soft goth na beleza.
Diferente do gótico tradicional, que abraça o maximalismo e o contraste extremo, a versão “soft” suaviza a narrativa: mantém o delineado preto, o batom vinho e a sombra esfumada, mas equilibra com pele mais natural, acabamento leve e um styling contemporâneo. É menos literal e mais interpretação. É um flerte com o sombrio que funciona dentro (e fora) do tapete vermelho.
