Se você está no mesmo lado da internet que eu, você deve estar reparando como tudo parece só uma repetição do vídeo anterior, e do vídeo anterior, e do anterior. Tendências de vídeos, cabelos, looks, os podcasts que ouvimos e até a opinião que damos.
Um dos exemplos mais evidentes desse momento é o ressurgimento de Carolyn Bessette-Kennedy como símbolo máximo de estilo. Minimalista, aparentemente despretensiosa, foi transformada em um guia visual replicado à exaustão. Mas a pergunta que fica é: estamos todos gostando das mesmas coisas? Estamos realmente nos conectando com o que ela representava ou apenas reproduzindo um consenso estético que nos foi entregue pelo algoritmo?
Antes dela teve a era clean girl com Hailey Bieber, a messy com Charli xcx e os cabelos volumosos e loiros de Sabrina Carpenter. A cada ciclo, uma nova estética é apresentada como ideal. Será que o que está sendo considerado bom gosto não é, na verdade, padronização?
No meio dessa repetição estética constante, parece que estamos perdendo algo mais básico: a capacidade de formar uma opinião que seja realmente nossa.
Existe uma pressa implícita nas redes sociais que não permite pausa, dúvida ou construção. Você precisa saber o que acha agora. Precisa se posicionar rápido e, de preferência, alinhada com o que já está sendo dito.
Quantas vezes você já abriu os comentários de um post antes mesmo de entender o que você acha sobre aquilo? Não por curiosidade, mas buscando validação. A opinião deixa de ser um processo interno e passa a ser uma curadoria externa.

ok, identificamos o problema, mas como solucionar, como fugir da mesmice seja no estilo como no pensamento crítico?
Eu fui atrás de respostas. Li diferentes textos sobre o melhor caminho para a originalidade e alguns hacks se repetem: buscar referências fora da internet, se expor a experiências novas, conversar com pessoas de outros círculos, voltar a consumir cultura de forma mais lenta (um livro, um filme inteiro, uma exposição), revisitar referências antigas em vez de só acompanhar o que acabou de surgir.
Todas são um bom plano, mas, sinceramente, o conselho mais inteligente que encontrei nesse processo foi outro: se permitir errar.
A gente desaprendeu a errar, e sabe o que é pior? Não só publicamente, mas internamente também. Existe uma expectativa silenciosa de que toda opinião precisa nascer pronta, bem formulada, quase irrefutável. Só que o pensamento real é confuso, fragmentado, cheio de desvios. E quando a gente corta essa etapa, o que sobra quase sempre é repetição.
Então meu exercício agora é me permitir assistir a um desfile, uma série ou filme e não ter uma opinião formada de cara. É anotar impressões soltas que talvez nem façam sentido no momento. Não buscar validação dos meus pensamentos nos comentários (o quão maluco é isso?!).
Porque os insights mais interessantes dificilmente surgem de ideias já organizadas. Eles vêm justamente dessas conexões meio tortas, dessas percepções que ainda não foram lapidadas e que, por isso mesmo, ainda não foram influenciadas pelo olhar coletivo.

O problema é que hoje a gente quase não tolera isso. Existe um impulso automático de conferir o que já foi dito, de alinhar o próprio pensamento com o que parece mais aceito.
Mas um insight nunca vai ser realmente seu se ele nasce da soma da opinião dos outros.
No estilo, isso aparece de forma muito clara. Quando você escolhe usar apenas o que já foi validado, que você viu no Pinterest ou sabe que funciona, você até evita o risco mas também se afasta de construir um estilo que seja realmente seu.
É como li em um texto do substack: criatividade é como um músculo, se você não exercitá-lo, ele atrofia.
Portanto, teste novos looks… Podem até ter alguns duvidosos no caminho, mas só assim você descobre o que funciona ou não pra você.
Sobre pensamento crítico e originalidade, bom isso talvez seja um pouco mais demorado, mas vale começar a exercitar esse músculo e não correr pra sessão de comentários de um vídeo antes de formar sua opinião sobre aquilo.
De tempo ao tempo.
Seja sincera, você também se pega entrando nos comentários de um vídeo para formar uma opinião?
