Estaria a Geração Z trazendo de volta a cultura Emo?

por Giulia Coronato

Que a Geração Z ama uma boa nostalgia e vive trazendo de volta tendências do passado, não é novidade para ninguém. O grupo de pessoas nascido do meio da década de 90 até o início dos anos 2010, está sempre olhando para o passado para traçar seus próximos passos e a próxima macro tendência e estética favorita - normalmente para a tristeza dos millenials, como foi com a adoração às calças de cintura baixa. Mas qual será a próxima grande obsessão da nova geração? Nós já temos essa resposta: a cultura emo. Mais uma vez desafiando o senso comum e indo contra a cultura de massa, a Gen Z está determinada a fazer a cultura emo, com inspirações punk, voltar a ser uma realidade. 

Muito disso se deve, claro, ao TikTok e as trends em homenagem aos emos que surgiram no aplicativo de vídeos. A hashtag #emophase têm mais de 770 milhões de visualizações no app e a maioria dos vídeos, contam com jovens adultos ao som de Dear Maria Count Me In, música da banda emo All Time Low, lançada em 2007, afirmando para o celular que a emophase na verdade não era uma fase, e sim um estilo de vida. 

Em uma entrevista para a W Magazine, o vocalista da banda, Alex Gaskarth, disse: "Foi um momento estranho, chocante, mas também muito bem-vindo. Como um millennial que usou durante anos um par de Vans xadrez preto e branco, e chorou ao som de My Chemical Romance no início dos anos 2000, eu me encontrei perplexo e encantado com uma tendência do TikTok que tem pessoas professando sua adoração por um estilo de música que saiu de moda quase tragicamente após seu pico mainstream em 2010."

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Foto: Maggie Lindemann (Reprodução/Instagram)

Mas o que faz uma época e uma estética que anteriormente foi tão criticada, voltar a ser adorada e romantizada? Os fatores externos e sociológicos provavelmente são complexos demais para entendermos, mas se olharmos para o momento atual que estamos vivendo, é compreensível. O súbito aumento da nostalgia por esse gênero sombrio e sentimental faz total sentido em meio a uma pandemia global, uma vez que o estilo de vida de quarentena representa assustadoramente as condições da adolescência que permitiram que essa subcultura da cena emo dos anos 2000 reinasse em primeiro lugar.

O COVID-19 nos tirou a liberdade e nos condenou ao isolamento. Presos em nossas casas, estamos desesperadamente procurando por conexões e comunidades on-line. Logo, enquanto estamos presos em uma realidade emocionalmente avassaladora, é compreensível que os millenials anseiem por reviver a época da cultura emo, enquanto a Geração Z está encontrando consolo nessa versão romantizada de um período da história da música e da moda, que não presenciaram em primeira mão. E vemos atualmente, além de uma adoração à músicas e tendências emo do passado, uma reinvenção e uma releitura da época, principalmente por parte da GenZ

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Foto: Machine Gun Kelly (Reprodução)

Um exemplo disso é a emersão de Machine Gun Kelly. O "ex-rapper" que se tornou uma estrela do rock emergiu como a figura principal da ascensão do emo no TikTok. As músicas atuais de Kelly, combinam a ousadia e o otimismo do pop punk, com o sentimentalismo quase exagerado da cultura emo. Tudo começou em Setembro de 2020, quando o cantor lançou o álbum Tickets To My Downfall, em parceria com ex-baterista do Blink-182, Travis Barker, outra figura imprescindível da cena. 

O álbum, que inclui um cover nostálgico de Misery Business do Paramore - outra banda precursora do em- se tornou viral no TikTok, atingindo o primeiro lugar nas paradas da Billboard. O notável sucesso comercial do álbum e o aumento da popularidade de MGK, mudou completamente a paisagem da indústria musical e inspirou muitos outros artistas a seguiram o exemplo de Kelly, como a cantora Maggie Lindemann e seu EP Paranoia, que tem como inspiração principal as mulheres do rock dos anos 2000, como Avril Lavigne, Evanescence e Hayley Williams, vocalista do Paramore. 

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Foto: Junya Watanabe (Reprodução/Vogue Runaway)

Na moda, vemos a ascensão da cultura emo acontecendo aos poucos e muito mais lentamente do que na indústria musical, mas ainda assim, progressiva. Peças como calças de couro, camisetas de banda, coturnos de plataformas, acessórios chunky e a estética emo/punk aparecendo nas passarelas e no street style em geral, sugerem que a estética está mais próxima do revival do que imaginávamos. 

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Foto: Maggie Lindemann (Reprodução/Instagram)

Mas será que a obsessão da Geração Z e dos Millenials pela cultura emo vai se manter viva no pós-pandemia? Tudo indica que sim. O ressurgimento do estilo musical será ainda mais amplificado pela volta dos shows ao vivo, e isso consequentemente fará com que as tendências derivadas da estética se mantenham firme e forte. Seja no mainstream ou em um grupo seleto e apaixonado de fãs, que provam constantemente que o emo não é uma fase ou uma tendência, e sim um estilo de vida. 

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