Girl Crush: conheça Alice Pataxó, influenciadora indígena que todo mundo deveria seguir

por Graucianna Santos

A trajetória que foi marcada por muita história, luta, dor e resistência agora conta com uma geração de jovens influenciadores que desejam desconstruir paradigmas e valorizar tradições culturais para deixar registrado, lembrado e defendido o legado indígena para sempre. Alice Pataxó, a nossa girl crush é uma das ativistas indígenas que a gente ama conhecer de cara e que usa as redes sociais para lutar e propagar ainda mais a sua cultura. 

A popularidade contribuiu para que a batalha a favor de seus territórios tivesse ainda mais voz. Alice, movimenta uma rede com cerca de 75 mil seguidores no Instagram e dentre eles, personalidades ilustres como Chico Buarque e Emicida. Nós batemos um papo com a influenciadora sobre diversos temas entre eles, moda, beleza e cultura, e já adiantamos que a conversa foi uma verdadeira experiência. Ficou curiosa? Vem com a gente: 

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Foto: Alice Pataxó (Arquivo Pessoal)

Alice Pataxó, uma jovem adulta, como ela mesma se denomina, militante e que sempre pensou muito nas questões coletivas e em comunidade voltada para a juventude do seu povo. Sempre viu a sua mãe como uma grande líder e referência na sua jornada, então aos 14 anos já trabalhava no movimento estudantil e aos 15 já era líder em sua comunidade. 

Para o seu trabalho ativista, Alice investe em documentários e pesquisas que tocam em abordagens sociais e raciais. "Faço questão de não aprender somente sobre pautas indígenas. Meu trabalho na internet ajudou muito nesse sentido, por exemplo, falar sobre capacitismo. Eu nunca tinha escutado sobre e entendi a importância depois de ter visto falar na internet, de conhecer pessoas que abordam o assunto. Então tudo isso que contribui e tem uma pegada social, política e me ensina", relata. 

trabalhamos muito em cima da frase "dia do índio", que tem teor pejorativo e não é a forma correta de falar

Acabamos de passar por duas datas importantes que é o Dia da Terra e o Dia do Indígena. Quando perguntada sobre o que nós, não-indígenas, podemos refletir e mudar em prol do que as datas representam: "Trabalhamos muito em cima da frase "Dia do Índio", aproveitamos o momento para desconstruir isso, que tem teor pejorativo e não é a forma correta de falar". E sobre como celebram as datas, ela diz: "normalmente minha comunidade faz os jogos indígenas. A gente se reúne na escola, passa uma semana treinando modalidades esportivas e depois fazemos a competição. É o segundo ano que não temos, e isso trás muita saudade, pois é o que marca essas datas."

Alice Pataxó  - Aldeia Pataxó  - Beleza - Acessórios artesanais  - Mulher indígena - https://stealthelook.com.br
Foto: Alice Pataxó (Arquivo Pessoal)

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Alice mostra em suas redes sociais o quanto a pintura corporal é importante e representa o seu povo, tendo cada uma delas um significado e maneira de ser produzida, que é bem diferente da maquiagem, tanto em matérias, quanto em ferramentas. "Eu estou muito acostumada com as pinturas e vestes, quando uso a minha pintura eu me sinto muito mais bonita. É meu padrão de beleza, e é dessa forma que eu gosto de me ver", relata a influenciadora. 

Os elementos de cores que usam deixam Alice ainda mais empoderada. "Não tenho problema com meu corpo e nem em mostrar minhas pinturas, mas às vezes existe a questão de como as pessoas de fora (na cidade) veem a gente. Quando estou pintada eu evito sair de casa porque as pessoas comentam e eu não me sinto confortável, mas pra mim é o meu padrão de beleza", diz.  

Os produtos usados nas pinturas são extraídos da natureza e tem além de muito significado e durabilidade. São tintas feitas de jenipapo, argila e urucum que podem durar na pele por uns 15 dias e não há produto removedor que tire, diferente da maquiagem. "É um problema pra mim, porque como eu faço pintura e não sai, e sempre que uso um delineador acabo esquecendo que é maquiagem, passo a mão e borra", brinca a influenciadora. 

Sobre o seu cabelo ela conta que o segredo está no sabão de coco ou aroeira, mas morando na cidade também se rende aos shampoos, cremes e outras rotinas capilares. 

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Foto: Alice Pataxó (Reprodução/Arquivo Pessoal)

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O Instagram mudou muita coisa na vida da Alice Pataxó, inclusive o aprendizado sobre moda e tendências. "Aprendo muito com os reels do Instagram, como trabalho com isso, preciso ficar atenta. Eu quero que as pessoas conheçam a Alice como ela é, mas às vezes a Alice quer estar bem vestida". Sobre as vestimentas e personalidade nos looks e acessórios, ela diz: "Usamos coisas que encontramos na natureza e dão em nossos territórios e isso se tornou a moda do lugar. Nossas roupas são bem antigas, então elas passaram por repaginações para ficar ao gosto de quem usa. E no fim das contas tudo isso se mistura". 

Um momento cheio de significado para as aldeias é quando tem alguma comemoração, aonde as roupas de tradição são usadas, mas no dia a dia elas ficam só no acervo, conta: "Tem roupa que pesa quase 5 kg, então fica mais difícil de usar no dia a dia". Como boa artesã, desde cedo aprendeu a pintar e a costurar as suas próprias roupas, então ela diz: "As vezes eu compro roupas em lojas de departamento e ressignifico colocando uma identidade minha." 

nunca houve um descobrimento, passamos por uma invasão, mas não deixamos de existir

Para encerrar a nossa conversa, Alice Pataxó deixa uma mensagem importante em tom de alerta para que possamos ser cada vez mais empáticos. "Precisamos nos conectar com pessoas que fazem parte de outros grupos pra entender o que elas passam, o que elas sofrem. Queremos conhecer outros mundos, realidades, mas queremos mostrar a nossa. Nunca houve um descobrimento, passamos por uma invasão, mas não deixamos de existir, então todo dia é dia do indígena e precisamos ser incluídos no todo". 

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