Guia da pele negra: descubra como tratar melasma, foliculite e outros problemas comuns.

por Inaê Ribeiro

A pele é um dos órgãos mais complexos do nosso corpo, ela apresenta sinais quando precisa de mais atenção e até mesmo quando outros órgãos não estão em bom funcionamento. Agora, acrescente a melanina e veja como os cuidados ficam ainda mais complexos. Formação de melasma e foliculite são algumas das patologias comuns à pele mais escura. 

A lista de patologias comuns na pele negra é grande e, considerando a diversidade étnica do nosso país, é super importante que a gente converse sobre. Por isso, hoje, com a ajuda da dermatologista Dra. Katleen da Cruz Conceição, dermatologista referência em pele negra, vamos desvendar os problemas mais comuns nas peles ricas em melanina, entendendo os sinais e, claro, como tratá-los e garantir uma pele linda e saudável. 

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Foto: Saie (Reprodução/Instagram)

_melasma

O melasma é uma doença adquirida pela pele que forma manchas escuras, geralmente na testa, bochechas e lábio superior. A doença está muito associada à alteração hormonal, por isso é comum o surgimento durante a gravidez e pós-menopausa, mas o melasma não acontece apenas durante esses períodos de mudanças. É possível o surgimento durante todas as fases da vida e elas podem desaparecer por conta própria ou permanecer por períodos mais longos. 

Para o tratamento do melasma é fundamental o uso constante do protetor solar, para bloquear as luzes que estamos expostas durante o dia todo. O contato com as luzes solares e físicas podem tornar o melasma mais escuro e fazer com que os medicamentos percam um pouco de sua eficácia. 

Além da proteção solar, alguns dermatologistas recomendam o uso de cosméticos clareadores que, a partir de seus ingredientes, irão tornar o melasma menos visível. Se você sofre com essa doença de pele, o recomendado é procurar um dermatologista, para que ele entenda a sua condição e assim tratar da melhor maneira. 

Amy Julliette Lefévre - pele negra - melasma - inverno  - brasil - https://stealthelook.com.br
Foto: Amy Julliette Lefévre (Reprodução/Instagram)

_foliculite

A foliculite é uma doença inflamatória que é causada pelo processo de remoção dos pelos, principalmente se acontece com a lâmina. A doença acontece porque os pelos das pessoas negras são curvos, então eles crescem enrolados e não conseguem sair da pele. A foliculite é normal na barba de homens negros e, nas mulheres, na área da virilha.

A solução para evitar a foliculite é usar a lâmina no sentido do crescimento do pelo e não contra e sempre optar por uma afiada e destinada a áreas sensíveis. Outra opção, é aderir aos cremes depilatórios, sempre tomando cuidado onde eles serão aplicados e fazendo o teste de reação alérgica antes. 

Maléfique  - pele negra - melasma - inverno  - brasil - https://stealthelook.com.br
Foto: Maléfique (Reprodução/Pinterest)

_acne

Segundo a Dra. Ketleen, a pele negra possui maior tendência à formação de acne, isso porque as mulheres negras possuem maior densidade da bactéria responsável pela formação de espinhas que as mulheres brancas. Além disso, há evidências de que haja uma diferença no tamanho e na atividade das glândulas sebáceas, ou seja, a pele negra é mais oleosa. Para tratar, procure sempre investir em produtos destinados à peles acneicas e lavar o rosto duas vezes no dia.

Kendra Austin - pele negra - melasma - inverno  - brasil - https://stealthelook.com.br
Foto: Kendra Austin (Reprodução/Instagram)

_alopecia de tração

A alopecia de tração consiste na perda de fios e ela é mais comum do que a gente imagina. O lugar responsável pelo crescimento do fio das pessoas negras possuem densidade e número total menores em comparação aos de indivíduos brancos, informa a Dra. Ketleen. Além disso, eles também possuem, em sua maioria, a forma em espiral e são pouco elásticos. Se você sofre com isso, a dica é evitar momentos de tração, como tranças e manter o cabelo sempre preso.

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Foto: Into the Gloss (Reprodução/Pinterest)

_queloide

Queloides é uma cicatriz com protuberância espessa, densa e dura na pele que pode variar em tamanho. Ela pode se desenvolver após furos nas orelhas, com cortes de cirurgias ou até mesmo por lesão de acne e qualquer outra lesão que a pele sofra. O índice de formação de queloide é bem maior em pessoas negras e está muito ligada a questões genéticas. 

O incômodo da queloide não é apenas estético, ela pode afetar diretamente na qualidade de vida de uma pessoa, já que pode ser acompanhada de coceira ou dor. Embora não exista um tratamento 100% eficaz na prevenção de queloide, elas são sim tratáveis. Existem injeções com esteroides que ajudam na remoção, além de terapia a laser e remoção cirúrgica, e o número de sessões varia dependendo de cada caso. 

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Foto: Winnie Harlow (Reprodução/Instagram)

_vitiligo

O vitiligo é uma condição da pele que tem a perda do seu pigmento natural. É uma doença autoimune que gera a formação de manchas brancas por todo o corpo. Apesar de ainda não ser clara qual a causa do vitiligo, ela pode estar ligada a condições genéticas. 

O vitiligo não é contagioso e nem maléfico à saúde da pessoa, mas por ser aparente, o seu descontentamento está muito ligado à questões estéticas. Caso você possua a doença, o recomendado é sempre caprichar no protetor solar, pois a perda da melanina fará com que você se queime com mais facilidade.

Tatiana - pele negra - melasma - inverno  - brasil - https://stealthelook.com.br
Foto: Tatiana (Reprodução/Instagram)

_dermatose papulosa negra

A dermatose papulosa negra, informa a Dra. Ketleen, pode ser uma condição cutânea benigna, comum entre adultos negros. Ela se assemelha a pintas ou sardas que surgem nas bochechas e ao redor dos olhos. O início de sua formação é através de lesões pequenas, planas em tons de marrom ou preto e, com o passar do tempo, elas vão aumentando gradativamente. 

A condição está muito ligada a predisposição genética, mas ela não é perigosa e nem requer um tratamento. A decisão vai de cada pessoa entender se deseja remover ou não, mas apenas por questões estéticas. Caso a escolha seja por remoção, você deve procurar um dermatologista para que entenda a melhor maneira de se fazer isso. 

Lois Opoku - pele negra - melasma - inverno  - brasil - https://stealthelook.com.br
Foto: Lois Opoku (Reprodução/Instagram)

_hipomelanose macular progressiva

Segundo a Dra. Ketleen, a hipomelanose macular progressiva pode ocorrer mundialmente, mas o seu aparecimento é mais frequente nas pessoas negras que moram em países tropicais, sendo ainda mais comum em mulheres jovens. A dermatologista informa que parece que a bactéria denominada Propionibacterium acnes (P. acnes), produz um fator que despigmenta a pele, já que ela surge a partir dos folículos nos pontos hipopigmentados, ou seja, mais escuros, mas não na pele vizinha de aparência normal.

Em resumo, são manchas mais escuras, mal definidas e que não descamam. Elas podem aparecer no tronco e, raramente, estende até as extremidades e regiões como cabeça e pescoço.  

Frank Body - pele negra - melasma - inverno  - brasil - https://stealthelook.com.br
Foto: Frank Body (Reprodução/Instagram)

_melanose

Dra. Ketleen informa que a melanose da área malar surge, geralmente, em indivíduos com mais de 50 anos. A doença não possui diferenciação por sexo, mas em mulheres jovens está relacionada à uma outra doença, a atopia. A melanose se caracteriza por manchas pigmentas que são um pouco mais escuras que a pele normal.

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Foto: Total Beauty (Reprodução/Pinterest)

_hiperpigmentação pós inflamatória

A hiperpigmentação pós inflamatória é o resultado de lesões na pele, seja acne, queimaduras, picadas de inseto ou qualquer outro dano. Como a pele negra já possui pigmento, ela é mais propensa a ter esse desenvolvimento. Quando se trata do tratamento da hiperpigmentação, o uso constante do filtro solar por si só já pode ajudar a reduzir significativamente o aparecimento de manchas escuras na pele. 

Além do uso do protetor solar, existem outros ingredientes que podem ajudar no tratamento como hidroquinona, ácido glicólico, cistamina, ácido kójico, ácido azelaico e alfa arbutina. Mas o primeiro passo deve ser consultar um dermatologista para que ele entenda o caso individualmente e então recomendar uma rotina de cuidados. 

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