Mesmo fora do Oscar, Eva Victor é uma grande promessa do cinema contemporâneo
É inegável que a atriz franco-americana Eva Victor causou na indústria cinematográfica este ano. Seu filme de estreia como diretora e roteirista mistura comédia com temas delicados, mostra a maturidade artística de Victor ao abordar questões sensíveis sem perder o humor. Já de partida, o longa-metragem foi selecionado para ter sua premiere na Quinzena dos Cineastas, uma das mostras do prestigiado Festival de Cannes em 2025.
De lá para cá, se tornou um dos queridinhos dos cinéfilos, ganhando reconhecimento na temporada de premiações -rendendo à Eva uma menção honrosa no palco do Globo de Ouro por Julia Roberts. Mesmo sem indicações ao Oscar de 2026, "Sorry Baby" continua sua trajetória na temporada de premiações, consolidando Eva Victor como uma nova voz promissora no cinema contemporâneo.
Na nossa conversa exclusiva, ela contou um pouco sobre os desafios e reflexões de trabalhar em seu primeiro longa-metragem como atriz, diretora e roteirista:
Seu filme é uma comédia, mas aborda um tema muito sensível. Qual foi sua maior preocupação ao trazer essa história para o público, considerando que é um assunto tão delicado?
Minha preocupação era não perder as pessoas durante o filme. Meu objetivo era não desobedecer ao corpo de ninguém de alguma forma. Conseguir que o público visse Agnes como uma pessoa de verdade, “como alguém que eu conheço". Nunca tive receio das mudanças de tom que fizemos e nunca tive medo de que fosse assustador demais. Fiquei emocionada porque não queria trair o público, ser desonesta com eles. Essa foi uma grande consideração na edição e acho que eles entenderam isso.
O ponto de vista de Agnes usa o humor para lidar com uma situação dramática. Como você chegou a este formato para manter o público emocionalmente engajado?
Não foi tanto sobre permitir alívio, mas mesmo que o dano esteja sendo causado, serve para se sentir seguro de muitas maneiras. Tem duas cenas chaves que isso funciona muito bem, como no consultório médico onde ela teve um aborto. É dramático, é sério. Mas depois de uma cena de entretenimento no banheiro, ela está extremamente vulnerável. Vemos tirando aquela camisa ensopada. Foi algo que funcionou para a estória. Filmamos isso como um filme de amigos. Pensamos, é isso que estamos contando, elas estão fazendo um filme. O fato de elas enfrentarem coisas sérias, não significa que elas não possam se divertir. Escrevemos e reescrevemos a cena, tendo como norte a nossa própria experiência. Depois disso, a gente só pode esperar que seja bem recebida pelo público.

Este é seu primeiro filme como diretora. O que você aprendeu com essa experiência que vai levar para seus próximos projetos?
Que posso descobrir como aprender a fazer qualquer coisa. Se alguém tivesse me perguntado há seis anos se eu seria diretora, roteirista e atriz do meu próprio filme, eu provavelmente teria dito que não. Hoje, como adulta em um lugar seguro profissionalmente, me dou conta que posso começar do zero e realmente correr riscos. Criar e contar as minhas estórias, é uma paixão da vida toda. É engraçado como as coisas acontecem. Eu não sabia o que eu não sabia. E conselhos que eu nem me dei conta que seriam úteis na época que recebi, me ajudaram a fazer o que precisava. Seja tocar um violino, ou a lição que está por trás de aprender a fazer isso. Nunca sabemos como vamos aplicar algo que aprendemos. Então isso foi empoderador. Essa mensagem para mim é que posso ter uma paixão e ir em frente como for, desenvolver habilidades e fazer exatamente o que quero no final.
Para encerrar, não podia deixar de lhe perguntar, o que você guardou das filmagens?
Eu guardei várias coisas da produção. Eu tenho umas coisas estranhas, criei uma espécie de caixa relicário, um santuário da Agnes. Eu gostei dela, e sinto falta de viver nela. Alguns itens que guardei foi a camisa enfeitada com anjos que ela usa quando corre para a casa do Gavin, para se explicar para o ex dela. Também tem um cinto. Havia uma pintura em preto e branco que estava na sala de estar do chalé onde vivíamos. E claro, peguei um floco de neve cenográfica. São como segredos que eu guardo, que só Agnes sabe. Acho que ela estaria orgulhosa do filme.
