Os assustadores dados em torno da violência doméstica e como ajudar

por The Look Stealers

A violência doméstica e a violência contra a mulher são uma epidemia sem precedentes. Graças ao machismo estrutural, à masculinidade tóxica e a um sistema patriarcal desigual, a violência e o feminicídio fazem parte de nosso cotidiano e é a dura realidade de milhões de mulheres - não só no Brasil, como no mundo todo. 

Durante a pandemia do Coronavírus, a violência contra a mulher no Brasil foi escancarada e teve um assustador aumento, segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Em comparação com Abril de 2019, vimos um aumento de 40% nas denúncias de violência contra a mulher. Já um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com a empresa Decode, revelou um aumento de 431% em relatos de brigas de casal por vizinhos em redes sociais entre Fevereiro e Abril do ano passado. 

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Os dados de violência doméstica refletem uma realidade ainda mais grave, segundo o Observatório da Mulher Contra a Violência. O número de mulheres que sofreram violência doméstica é, pelo menos, cinco vezes maior do que o número de mulheres que declararam ter sofrido ou denunciaram o agressor. Isso acontece por duas razões principais: medo de denunciar ou pelo simples fato de que muitas mulheres não reconhecem como violência situações vivenciadas em seus relacionamentos, como falas ameaçadoras e humilhação psicológica e emocional. 

Por isso, é tão importante abrirmos os olhos e enxergarmos além da nossa casa e da nossa vida. Existem milhões de mulheres que precisam de ajuda para compreender e sair de uma situação violenta e, muitas delas, não sabem como dar o primeiro passo. O Movimento Luz Azul, ONG com foco em cuidar, incluir e re-socializar vítimas da violência doméstica compartilhou conosco um passo-a-passo do que fazer quando você sabe ou presencia um caso de violência. 

Sei de um caso de violência. O que devo fazer?

Pergunte: talvez a vítima não esteja pronta para relatar as agressões ainda. Mas, o interesse mostra preocupação e, quando ela se sentir pronta, lembrará que você está disposta a ajudar. 

Escute: mesmo que você discorde do que seja dito, o papel de quem quer ajudar não é julgar e sim ouvir e auxiliar. 

Informe: como dissemos anteriormente, muitas mulheres não têm a consciência de estarem em uma situação de violência doméstica, portanto, é importante informar e educar. Compartilhe materiais informativos e reportagens sobre o assunto - sempre tendo o cuidado para não "revitimizar" a pessoa.

Apoie: saber que existe alguém pronta para ajudar é a melhor maneira de mostrar que a vítima não está sozinha, que ela não precisa enfrentar isso sem nenhum apoio. 

Ofereça apoio prático: ter para onde ir, contar com a ajuda de uma advogada e suporte financeiro pode ser essencial. 

Crie um código de segurança: deixe claro que você pode ser contatada a qualquer momento, estabelecendo meios eficazes e combinando previamente com a vítima. Pode ser uma mensagem, uma palavra, um sinal, qualquer código que seja de conhecimento de ambas e pode funcionar como um pedido de socorro. 

Seja cuidadosa: tenha sempre cuidado com o que diz para a vítima. Além do agressor poder estar escutando, ela provavelmente está fragilizada e pode não receber bem certos comentários. 

Preservar provas: preserve as provas de agressão e violência para fazer uma denúncia futura.

Se necessário, intervenha: se o risco for iminente, intervenha. Conte que está pensando em denunciar e entenda qual a vontade da vítima.

E por fim, nunca tente argumentar com o agressor. Isso pode colocar você e a vítima em risco. 

 

Onde encontrar ajuda?

Existem diversas formas de ajudar e intervir. Em caso de emergência ou em caso de denúncia, ligue na central de emergência à mulher discando 180. O Ligue 180 tem como objetivo receber denúncias de violência doméstica, reclamações sobre os serviços da rede de atendimento à mulher e de orientar as mulheres sobre seus direitos e sobre a legislação vigente, as encaminhando para outros serviços quando necessário.

Procure um CREAS (Centro de Referência Especializado da Assistência Social) perto da região onde mora. O CREAS é uma unidade pública da política de Assistência Social, onde são atendidas famílias e pessoas que estão em situação de risco social ou tiveram seus direitos violados. E, em situações que envolvem ameaças e ponham a vítima em perigo, ligue direto para a polícia através do 190 e exija urgência no atendimento. 

ONGs para conhecer e apoiar:

Movimento Luz Azul

"Luz Azul é um movimento que ajuda mulheres a enxergar as agressões diárias e entender o que é violência doméstica. O Movimento Luz Azul é um convite para que esses sinais sejam vistos, entendidos e reconhecidos como violência doméstica, iluminando as agressões que até então eram invisibilizadas, ajudando mulheres e pessoas aliadas a entenderem que a violência doméstica vai muito além da violência física."

Artemis

"A Artemis é uma organização comprometida com a promoção da autonomia feminina, prevenção e erradicação de todas as formas de violência contra as mulheres através da garantia de seus direitos e implantação de políticas e serviços que assegurem a mudança efetiva do cenário atual, em direção a uma sociedade mais justa e igualitária."

Associação Fala Mulher

"A psicóloga e teóloga canadense, Suzanne Marie Mailloux, veio para o Brasil em 1995,com o objetivo de desenvolver trabalhos sociais em São Paulo. No desenrolar do trabalho, Suzanne observou o contexto de violência doméstica vivenciado por algumas crianças e mulheres, o que a motivou, a partir de uma perspectiva de gênero, a se aprofundar na seara das relações domésticas e familiares. Como fruto desse aprofundamento, em 2004, Suzanne, reunida com outras mulheres fundou a Associação Fala Mulher."

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