Os projetos sobre skin e body positivity que você deveria conhecer

por The Look Stealers

Quando conhecemos as amigas e parceiras de projetos, Layla Brígido e Kéren Paiva, já sabíamos que grandes ideias estariam por vir. Afinal, a dupla é expert em falar sobre assuntos relacionados a skin e body positivity. Enquanto Layla foca em conteúdos de moda, Kéren mostra um outro lado da beleza, que por muito tempo era considerado tabu entre as mulheres.

Os projetos Todo Corpo Pode Tudo e Toda Pele Pode Tudo, representam a união de duas amigas que pretendem mostrar a pluralidade feminina, trazendo diversidade de corpos e peles, por meio de conteúdos que possam devolver a autoestima da mulher. Além disso, a história de superação e auto aceitação das influencers, serviu como inspiração uma para outra. 

A partir de hoje, você já pode esperar ver muito o rostinho das duas por aqui, trazendo temáticas importantes, looks pra lá de estilosos e muitas dicas de beleza. Mas antes, que tal conhecer um pouco mais sobre o projeto de skin e body positivity da dupla que estamos amando seguir? Vem com a gente:

Layla Brígido, Kéren Paiva - body positivity - projeto - outono - street style - https://stealthelook.com.br
Foto: Layla Brígido, Kéren Paiva (Reprodução/Instagram)

Para entender melhor sobre os projetos Todo Corpo Pode Tudo e Toda Pele Pode Tudo, é preciso voltar um pouco para trás, e saber o início dessa relação de amizade que está se transformando em uma voz potente de amor próprio. Em um bate papo com a dupla à frente dos projetos, perguntamos como as vidas delas se cruzaram, e Layla contou que na época, o encontro aconteceu em uma rede social: "em um grupo de Facebook! Inclusive, já moramos na mesma cidade sem saber da existência uma da outra, mas a internet fez esse encontro acontecer", comenta, "a gente já se seguia, conversávamos sempre, aí eu fui para Belo Horizonte e marcamos um almoço, depois disso não desgrudamos mais". Kéren ainda completa: "acho que depois desse nosso primeiro encontro pessoalmente, nos aproximamos ainda mais e começamos a desenvolver várias coisas juntas".

Depois que se conheceram e que rolou aquela identificação instantânea, a dupla decidiu unir o que elas já tinham em comum, mas que faziam paralelamente, comenta Layla: "a gente já fazia conteúdos para reforçar esse tipo de mensagem, mas sozinhas, e cada uma falando sobre os seus temas, a Kéren sobre skin e eu sobre body positivity. Porém, sempre se ajudando muito nos bastidores", diz, "mas depois de um tempo, decidimos levar algo juntas para frente das câmeras, e foi aí que veio essa ideia de mostrar corpos e belezas diferentes". Além disso, Kéren conta que essa aproximação e a ideia de criar algo juntas foi natural, já que uma se via muito nas causas da outra, explica: "a Layla teve muita influência no meu processo de desconstrução, e a gente acaba sempre trocando vivências, contando coisas que aconteceram", diz, "e a gente se identifica, apesar de uma falar sobre pele e a outra sobre corpo".

a moda é pra todas, e a beleza também. O mercado precisa entender isso para que haja mais diversidade nele

Perguntamos para a dupla qual a intenção do projeto, além de influenciar positivamente outras mulheres, quais seriam os outros desejados em relação à ele. Kéren conta que espera incentivar as mulheres a enxergarem a beleza que existe dentro delas, e completa:"também gostaríamos muito de mostrar para o mercado o poder da pluralidade, da diversidade e das mulheres, principalmente quando livres". Layla pretende promover a visão do acolhimento dentro das nossas próprias características, conta: "pensar nelas como ponto de partida para que as coisas sejam desenvolvidas, ao invés de taxá-las como erradas e insuficientes". Layla ainda reflete sobre a representatividade: "sempre pensamos que uma mulher gorda também consome, uma mulher com a pele acneica também consome, então, porque a gente não se vê muitas vezes representadas no mercado?", analisa, "sabemos que assim como a gente se sente dessa forma, mais pessoas se sentem! A moda é pra todas, e a beleza também. O mercado precisa entender isso para que haja mais diversidade nele. Representatividade importa!"

quero muito que cada vez mais as mulheres possam enxergar moda como liberdade e não prisão

E acredite, a moda tem muita importância nesse projeto. Segundo Layla, ela serve para libertar e expressar, explica: "a moda para mulher gorda, foi colocada como prisão para esconder o corpo, mas a ideia aqui é justamente o oposto", diz, "não é com foco em truques pra disfarçar, é com foco naquilo que te faz sentir bem e na ideia de que você pode se permitir sim!". A influencer ainda comenta sobre a ideologia de que uma roupa só ficaria bem em um corpo magro: "eu quero provar ao contrário, todo corpo pode tudo! Moda é muito sobre expressão, né? E cada vez que a gente se priva e acredita que aquilo não é pra gente", relata, "deixamos de expressar mais da nossa identidade e quem a gente realmente é. Quero muito que cada vez mais as mulheres possam enxergar moda como liberdade e não prisão. Que possam escolher um look sem gastar horas focando em efeito emagrecedor, mas pela simples vontade de usar o que quer!"

Perguntamos a Layla de onde surgiu a ideia de compartilhar e criar conteúdos voltados para a autoestima do corpo gordo no Instagram: "eu venci um câncer e com a quimioterapia engordei, essa mudança me fez rever muita coisa em todos os sentidos da minha vida", conta, "passei por um longo processo de aceitação, de me entender, me acolher, percebi então que é possível - mesmo quando achei que não fosse. Foi ali que entendi que esse corpo não era um problema! Na época falava muito de beleza e moda, mas sem me mostrar. Depois de um tempo, resolvi começar a tentar espalhar essa mensagem de autoestima com a minha imagem, para que isso chegasse a outras mulheres!"

descobri muitas pessoas incríveis passavam pelo mesmo que eu, e isso virou uma rede de apoio

Enquanto Layla traz conteúdos sobre moda, Kéren é quem cuida das dicas de beleza. Com forte influência da amiga, Kéren conta que passou por um processo de desconstrução com a sua pele: "Foi vendo a Layla falar sobre corpo, que me virou a chave na cabeça para começar a questionar mais sobre a minha pele, o porquê de ela ser "errada" se eu sempre me cuidei", diz, "sim, infelizmente nós ouvimos das pessoas que somos descuidadas, sujas e que não tratamos a acne! E por muito tempo eu acreditei nisso!"

Foi somente depois de enxergar para si mesma com mais carinho e aceitar a sua pele, que ela percebeu que ninguém falava sobre o assunto, mas que sabia que não estava só: "eu sentia falta de ver isso na Internet e foi aí que comecei a falar sobre pele livre, e descobri muitas pessoas incríveis que passavam pelo mesmo que eu, e isso virou uma rede de apoio."

A Kéren explica que o movimento make pele livre é sobre liberdade de se sentir confortável com a sua própria aparência, usar o que sentir vontade e sem medo ou motivos para vergonha. A influencer ainda conta sobre a sua experiência antes de aderir ao movimento: "deixei de viver muita coisa por conta da acne, e acho que mostrar para as pessoas que elas não precisam esperar uma pele sem acne pra começar a viver, tem sido muito importante", diz, "já deixei de sair várias vezes porque a minha base tinha acabado e eu não conseguia sair com a pele sem base na rua. Eu ia pra casa de amigas e dormia de make porque sentia vergonha de tirar e ser julgada. O movimento pele livre me trouxe liberdade de fazer uma make colorida sem me preocupar se isso está ressaltando a acne ou não, e de usar uma make sem base. Eu quero muito que cada vez mais pessoas vejam e entendam isso também! Toda pele é livre e pode tudo, independente da condição de pele e sem motivo pra vergonha ou limitações!"

precisamos valorizar aquela versão nossa que convive com altos e baixos: nossa versão real

E finalizamos o papo falando sobre a importância do skin e body positivity nos dias de hoje: "de uma forma muito sútil, fomos nos tornando reféns de imposições que foram colocadas, de padrões inalcançáveis, de metas inatingíveis", analisa a dupla, "os movimentos entram para libertar a gente e entender o que é nosso e o que foi imposto, pra gente entender que nosso corpo não é errado, nossa pele não é errada. Precisamos valorizar aquela versão nossa que convive com altos e baixos: nossa versão real!"

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