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Sobre representatividade e corpos fora do padrão

por Júlia Vecchi

Você já parou para pensar por que existe o padrão? Estamos acostumadas em ver na mídia mulheres magras, brancas, loiras, cabelo liso, aquela make que deixa uma pele de bebê, sem marcas, pelos e cicatrizes. Mas toda mulher é realmente dessa maneira? Acredito que não e, inclusive, sofremos com a ausência dessa representatividade de corpos diversa na mídia.

Temos inúmeros perfils de instagram sobre isto e muita gente está ressaltando esse assunto, mostrando que todos os corpos possuem a sua beleza, que um corpo não é e nem deve ser só resultado de procedimentos estéticos para parecer a modelo que você vê nas vitrines, afinal ela também sofre alterações (físicas ou digitais) para estar ali, "perfeita". 

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Foto: Júlia Vecchi (Reprodução/Instagram)

Vendo tantas informações sobre como podemos viver amando nosso corpo do jeito que ele é e sem culpa, nada mais justo que a gente ver também esses corpos nos representando numa vitrine, numa novela, numa série e por aí vai! Ah, e sem que a mulher gorda esteja num papel ridicularizado, pois muitas das vezes, esta mulher é vista como fracassada, doente, ninguém quer sair com ela... Enfim, tudo isso nada mais faz do que aumentar um estereótipo errado do corpo gordo e colocar o corpo padrão como o ideal. O CORPO IDEAL PARA VOCÊ EXISTE, O SEU!

O fato de ter esse discurso começando a ser mais presente na mídia é muito importante para que as mulheres (que são as que mais sofrem com essa pressão estrutural) possam entender que os corpos são diferentes e que esses tais corpos perfeitos, atléticos e tudo mais, não fazem parte da maioria das mulheres do mundo - eis a ideia distorcida que a mídia implementa e atinge ao psicológicos de incontáveis pessoas!

E então, a gente cria desde muito cedo aquele ódio pelo corpo e, quando não nos sentimos representados, aumentamos esse sentimento de rejeição. Onde estão as mulheres que não se adequam ao padrão?

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Foto: Júlia Vecchi (Reprodução/Instagram)

A padronização dos tamanhos também é um problema que precisa ser entendido (e discutido)! Muitas das marcas que abraçam a causa acabam selecionando o tipo de corpo que querem atender e se esquecem de realmente representar a diversidade, maquiando a realidade da mulher. Exemplo? Evitam a sensualidade para essas mulheres fora do padrão e vendem um outro padrão limitador para a gorda: manequim 46/48 e modelo branca (ignorando totalmente mulheres gordas negras e gordas maiores). O que é importante ressaltar na importância da representatividade gorda é que se tenha uma visão fora dos estereótipos, não colocar mulheres que mais se aproximam do padrão!

Nós gordas e, quem apoia a diversidade dos corpos, devemos prestar mais atenção na hora de nossas compras e apoiar marcas que estão preocupadas de verdade com os corpos excluídos socialmente, e não com marcas que apenas usam a nossa imagem para lucrar. Existem mulheres que vestem tamanhos acima de 50 e elas também devem estar inclusas no que denominam como "plus size", tanto na modelagem das roupas, quanto na presença das modelos com essas numerações nas campanhas.

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Vale lembrar, como já apontado, que existem marcas preocupadas com essa numeração maior, mas que, pra sua maioria, são para um público com mais poder aquisitivo. Quando não se tem o privilégio de poder gastar com roupas, a coisa fica ainda pior: por vezes, quando encontramos a numeração grande, estas são extremamente mal cortadas e sem nenhuma informação de moda... Ei, nós gordas também somos fashionistas e temos esse direito, ok? Para variar o gordo deve ser castigado: “Não tem roupa que te sirva, faz um regime para que algo te sirva”.

Cabe a pergunta final: de quais tamanhos maiores estão falando? Temos que sim introduzir mulheres 60+ no mercado e parar de maquiar apenas o manequim mais próximo ao padrão. Espero que muitas mulheres da moda que estejam lendo isso entendam o problema e que eu possa incentivar outras mulheres gordas a começarem a questionar as marcas sobre isso. Lembrando dessa "fatia" que o mercado isola e que supram essa falta de sensibilidade do mercado em vestir corpos maiores com qualidade e preços justos.

É isto: NÃO É VOCÊ QUE DEVE CABER NA ROUPA, É ELA QUE TEM QUE TE VESTIR!

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