Por que cortamos o cabelo em momentos de crise?

por Karen Merilyn

Quem nunca cortou o cabelo em algum período difícil, perto do aniversário ou no início de um novo ano, não é mesmo? Seja indo ao cabeleireiro e mudando o corte radicalmente ou cortando a franja em casa com uma tesoura escolar, esse ato é quase um ritual para se tornar uma nova mulher, seja lá o que isso signifique. 

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Daí o cabelo cresce, e a gente faz a mesma coisa. De novo. 🤣 fleabag primevideobr

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A verdade é que o cabelo é uma parte importante da nossa identidade. Ele representa não só estética, mas também autoestima, impactando diretamente a forma como nos vemos e nos mostramos ao mundo. Por isso, mudar o cabelo é quase como deixar para trás quem você era e se transformar em alguém diferente — ou, pelo menos, em alguém melhor. 

E essa prática não é nova. Ao longo da história, cortar o cabelo fez parte de rituais importantes em diversas culturas ao redor do mundo. Nas tradições indígenas americanas, por exemplo, cortar o cabelo podia simbolizar a liberação de energias negativas e a retomada do equilíbrio emocional e espiritual.

É em períodos difíceis ou no começo de novos ciclos que essa vontade parece mais urgente. Fazer aniversário, por exemplo, pode ser um grande motivador para um novo corte. Às vezes, a sua versão mais velha (ou aquela que você quer se tornar) parece não combinar mais com a aparência atual. E é aí que entra a tesoura.

Depois de um término, por exemplo, é comum sentir vontade de cortar o cabelo curto. Os fios que vão embora representam o relacionamento que acabou e aquela versão sua que não vai existir mais. É uma forma de se sentir curada e pronta para uma nova fase.

Em Fleabag, Claire escolhe um corte diferente e ousado para representar quem ela quer ser: uma mulher audaciosa, capaz de deixar o marido para trás e se aventurar em um amor improvável sem olhar para trás. Em seguida, ela se arrepende e culpa o cabeleireiro — porque perde a coragem de sustentar essa mudança. No entanto, é quando retorna ao antigo cabelo que percebe que não precisa ser outra pessoa para tomar as rédeas da própria vida.

Mulher senta na cama com roupa branca leve, cabelos cacheados soltos e sorriso, explorando por que cortamos o cabelo
Foto: @rayan.xasan (Reprodução/Instagram)


O comprimento e o estilo do cabelo são verdadeiramente transformadores. Eles impactam desde a silhueta do rosto até a forma como os looks se ajustam ao corpo. Ou seja, deixar os fios mais ou menos curtos, com camadas ou retos, faz total diferença na imagem como um todo — e isso pode ser feito de forma fácil, até radical, mas sem ser permanente, afinal, cabelo cresce.

Outro ponto importante é que o ato de cortar em si parece libertador, quase mágico. Saber que você é a única pessoa que pode decidir quem é e como se apresenta é indescritível. Independente de pressão estética, padrões impostos ou do que qualquer pessoa acha da sua aparência, é você (e mais ninguém) que tem o controle sobre ela.

Cortar o cabelo significa materializar o que, muitas vezes, está dentro de nós. É por isso que essa decisão traz alívio: é uma prova física dos nossos sentimentos e decisões. Pode rolar um arrependimento? Sim! Mas esse fator também é importante no ritual: é saber que, apesar de tudo, mudar é assumir riscos e sustentar nossas próprias decisões.