Quem nunca cortou o cabelo em algum período difícil, perto do aniversário ou no início de um novo ano, não é mesmo? Seja indo ao cabeleireiro e mudando o corte radicalmente ou cortando a franja em casa com uma tesoura escolar, esse ato é quase um ritual para se tornar uma nova mulher, seja lá o que isso signifique.
A verdade é que o cabelo é uma parte importante da nossa identidade. Ele representa não só estética, mas também autoestima, impactando diretamente a forma como nos vemos e nos mostramos ao mundo. Por isso, mudar o cabelo é quase como deixar para trás quem você era e se transformar em alguém diferente — ou, pelo menos, em alguém melhor.
E essa prática não é nova. Ao longo da história, cortar o cabelo fez parte de rituais importantes em diversas culturas ao redor do mundo. Nas tradições indígenas americanas, por exemplo, cortar o cabelo podia simbolizar a liberação de energias negativas e a retomada do equilíbrio emocional e espiritual.
É em períodos difíceis ou no começo de novos ciclos que essa vontade parece mais urgente. Fazer aniversário, por exemplo, pode ser um grande motivador para um novo corte. Às vezes, a sua versão mais velha (ou aquela que você quer se tornar) parece não combinar mais com a aparência atual. E é aí que entra a tesoura.
Depois de um término, por exemplo, é comum sentir vontade de cortar o cabelo curto. Os fios que vão embora representam o relacionamento que acabou e aquela versão sua que não vai existir mais. É uma forma de se sentir curada e pronta para uma nova fase.
Em Fleabag, Claire escolhe um corte diferente e ousado para representar quem ela quer ser: uma mulher audaciosa, capaz de deixar o marido para trás e se aventurar em um amor improvável sem olhar para trás. Em seguida, ela se arrepende e culpa o cabeleireiro — porque perde a coragem de sustentar essa mudança. No entanto, é quando retorna ao antigo cabelo que percebe que não precisa ser outra pessoa para tomar as rédeas da própria vida.

O comprimento e o estilo do cabelo são verdadeiramente transformadores. Eles impactam desde a silhueta do rosto até a forma como os looks se ajustam ao corpo. Ou seja, deixar os fios mais ou menos curtos, com camadas ou retos, faz total diferença na imagem como um todo — e isso pode ser feito de forma fácil, até radical, mas sem ser permanente, afinal, cabelo cresce.
Outro ponto importante é que o ato de cortar em si parece libertador, quase mágico. Saber que você é a única pessoa que pode decidir quem é e como se apresenta é indescritível. Independente de pressão estética, padrões impostos ou do que qualquer pessoa acha da sua aparência, é você (e mais ninguém) que tem o controle sobre ela.
Cortar o cabelo significa materializar o que, muitas vezes, está dentro de nós. É por isso que essa decisão traz alívio: é uma prova física dos nossos sentimentos e decisões. Pode rolar um arrependimento? Sim! Mas esse fator também é importante no ritual: é saber que, apesar de tudo, mudar é assumir riscos e sustentar nossas próprias decisões.
